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‘Permissões para poluir não são commodities’, afirma Amyra El Khalili

Por Fabiano Ávila   

A economista Amyra El Khalili é uma das maiores especialistas brasileiras sobre o setor financeiro e foi a primeira a cunhar o termo commodities ambientais. Com mais de duas décadas de trabalho dedicadas ao mercado de futuro e de capitais, tendo sido uma das primeiras operadoras de pregão da BM&F, Amyra possui uma visão bastante crítica das ferramentas de mercado com o objetivo da conservação ambiental.

Instituto CarbonoBrasil - Sabemos que o modelo atual de capitalismo predatório não é o ideal para o desenvolvimento da humanidade, porém, infelizmente, a única coisa que move a sociedade para agir parece ser o seu bolso. Se as ferramentas de mercado, colocando um preço nos recursos naturais, não são adequadas para lidar com a exploração massiva dos ecossistemas como muitos acreditam, qual seria o melhor modelo?

Amyra El Khalili - A crítica procedente a este modelo capitalista é justamente no que está sendo precificado, ou seja, os ecossistemas e os serviços ambientais que são aqueles que a natureza nos oferece gratuitamente. De fato, quando há escassez, a consequência será a mercantilização destes ‘recursos naturais’ (como chamamos em gestão ambiental), das matérias-primas (como chamamos na indústria) ou da megadiversidade e dos ecossistemas (como chamamos no ambientalismo). Veja você que dei três nomes diferentes para a mesma coisa! E cada um desses nomes tem um entendimento diferente do que representam.

Então o que propomos é um novo modelo, onde esta precificação (formação e preços) seja calculada diretamente no ‘produto’ e não na matriz ambiental que gera o produto. Quando indicamos as sete matrizes para produção de “commodities ambientais” (água, energia, biodiversidade, florestas-madeira, minério, reciclagem e redução de poluentes –água, solo e ar), estamos falando de “mães ambientais”, dos ecossistemas e de processos de gestão ambiental e não de ‘comoditizar’ (transformar em mercadorias) estas matrizes. Pois as matrizes ambientais são bens difusos (de uso público) e processos (conhecimento e tecnologia) e devem ser administradas pela sociedade conjuntamente com os governos e iniciativa privada.

Acontece que este modelo econômico do capitalismo predador entrega a administração, a gestão e os lucros diretamente nas mãos da iniciativa privada com a conivência e aval dos governos que se submetem a essa dinâmica neoliberal, transferindo suas responsabilidades para as corporações.

Há soluções quando buscamos o caminho do meio, ou seja, construindo um novo modelo onde sejam valorizados os conhecimentos tradicionais, a preservação aliada à conservação ambiental com as comunidades que vivem nestes habitats naturais. Exemplifico: o doce de goiaba da Associação das Mulheres Produtoras de Goiaba de Campos dos Goytacazes pode ser uma “commodity ambiental”. O que deveria ser precificado? A goiabeira? Não. O doce de goiaba, que é produto gerado da goiabeira. A goiabeira é uma árvore que pertence à floresta nativa ou a um reflorestamento de espécies exóticas. Esta árvore é parte do ecossistema. A goiabeira manejada, que tem seus frutos recolhidos corretamente com o plantio de outra muda no seu entorno, é naturalmente uma produtora de serviços ambientais, pois, sequestra carbono, mantém a cobertura vegetal, alimenta animais e aves, recompõe a vegetação degradada e promove a recarga de aquíferos, entre outras funções. Essa valoração deve ser contabilizada no produto final que a goiabeira gerou: o doce de goiaba e o lucro deste doce devem ser divididos entre a Associação de Mulheres que os produziu. Não é monocultura da goiaba, mas diversificação de produção. Assim sendo, quando não for tempo de goiaba, passam a produzir doce de cagaita, e quando não for tempo de cagaita, produzem doce de pequi e assim por diante. A monocultura gera impactos ambientais. Para manter um serviço ambiental, é necessário também modificar o modelo de produção e todo complexo que envolve essa produção. Veja que o modelo econômico contempla uma associação ou cooperativa, um grupo, e não um investidor capitalista ou multinacional que produz doce de goiaba para venda industrial em supermercados. Essa é a questão: quem será beneficiado por cuidar dos ecossistemas e como se dará a gestão e resultados obtidos com os ‘ecossistemas’.

ICBr – Você poderia explicar o conceito de commodities ambientais e qual a importância de fazer a diferenciação entre elas e os créditos de carbono, por exemplo?

Amyra - A ‘comoditização’, processo de produção e qualidade para o sistema bursátil (da bolsa de valores) gera altos impactos ambientais. Exige cada vez mais tecnologias de ponta, como biotecnologia, geoengenharia, nanotecnologia, maquinário pesado que utiliza cada vez menos mão de obra, monocultura intensiva e cada vez mais e mais avança fronteiras agrícolas (soja, milho, cana, café, etc..) e de exploração mineral (petróleo, minério de ferro, ouro, prata, aço,etc..); é o que chamamos de commodities convencionais. Se a ‘comoditização’ gera altos impactos ambientais e é contrária ao processo natural dos ecossistemas em tempo e conservação – por serem necessárias para atender a demanda do mercado de derivativos altas escalas de produção, promovendo concentração de riquezas e cada vez empregando menos – como uma commodity pode ser ambiental?

Para produzir uma ‘commodity ambiental’ é necessário compreender o que significa ser ambiental, ou seja, atender o econômico, o social e o ecológico. Assim sendo, o modelo econômico deve ser o contrário da commodity convencional. Na commodity convencional o sistema financeiro está no topo do triângulo, pois é quem decide quais serão os critérios de produção, certificação, contratos mercantis e comercialização das commodities convencionais; já nas commodities ambientais, o excluído deve estar no topo deste triângulo, pois os povos das florestas, as minorias, as comunidades que manejam os ecossistemas é quem devem decidir sobre esses contratos, critérios e gestão destes recursos, uma vez que a maior parte dos territórios lhes pertencem por herança tradicional. No meio ambiente urbano, chamamos as comunidades para decidir sobre estes critérios de produção e todo aparato de instrumentos econômicos considerando que a favelização, a pobreza, a miséria que as levam para as regiões de riscos ambientais, como beiras de rios, encostas de morros, áreas de lixões; enfim, há toda uma discussão com a sociedade para identificarmos as matrizes ambientais a serem preservadas e quais seriam os produtos gerados por estas matrizes.

Veja então a confusão conceitual na qual se chegou: os créditos de carbono são certificados que pretendem (pelo menos em tese) reduzir a poluição, portanto não são commodities convencionais, já que poluição não deveria ser mercadoria, e muito menos são commodities ambientais. Tanto não são, que até o presente momento não existe ainda um arcabouço jurídico para os créditos de carbono no Brasil. E no exterior são definidos pela imprensa especializada em finanças e pelos legisladores dos países europeus que os negociam como ‘permissões para poluir’, com cotas de permissões autorizadas por seus comitês de regulação.

Portanto, chamar ‘créditos de carbono’ de ‘commodities ambientais’ somente criará confusão conceitual e postergará cada vez mais a regulamentação desse instrumento econômico, haja vista que todo operador de commodities sabe perfeitamente que quando opera no mercado spot (à vista) ou nos mercados futuros (derivativos) está negociando estoque de produtos e não a redução de estoques, até por que se for redução de estoque (negativar o produto) não há como realizar uma engenharia financeira nos mercados de derivativos (futuros). Se no futuro a poluição acabou por que vamos projetar seu preço?

Assim sendo, se os mercados de derivativos estão negociando ‘créditos de carbono’ significa que a poluição está sendo tratada como ‘commodity’ e que não está sendo reduzida a poluição; pelo contrário, estão projetando no mercado futuro que ainda haverá estoques de carbono na atmosfera para ser negociado. O que estimulará o aumento da poluição.

E se for comprovado que é desta forma mesmo que estão negociando os créditos de carbono, como estão denunciando na imprensa internacional com o caso do HCFC-22 e do HFC-23, os chamaremos de ‘commodity suja’, mas jamais incorreremos no absurdo conceitual de chamá-los de ‘commodities ambientais’.

ICBr – Recentemente, acompanhamos o lançamento da Bolsa Verde do Rio de Janeiro e o anuncio de um futuro mercado de carbono no estado. Como você enxerga essas iniciativas?

Amyra - Confesso que ainda não compreendi como se dará a ‘operacionalização’ desta Bolsa e quais são as regras adotadas para a comercialização dos Créditos de Carbono e demais Créditos no estado do Rio de Janeiro, quais são as salvaguardas, o sistema de compensação, as avaliações de riscos sistêmicos e nem a engenharia da coisa.

Soube pela imprensa e ainda há pouca informação para avaliarmos. Não é tão simples formar um mercado regional de créditos de carbono, de efluentes e dos produtos anunciados pela Bolsa Verde. Fiquei confusa quando recebi a notícia, pensei que fosse o Programa Bolsa Verde do Governo Federal, depois em outra notícia o repórter chamava os tais ‘créditos’ de ativos ambientais, de commodities e de valores mobiliários (ações).

Em outra matéria li a declaração de um dos idealizadores afirmando que todos esses créditos são ‘commodities ambientais’ e que ainda não existia uma Bolsa de Commodities Ambientais. Com esta declaração fiquei com a impressão de que estão passando por cima de um debate público sobre ‘commodities ambientais’ com centenas de relatórios produzidos em diversos estados brasileiros assinados por centenas e centenas de lideranças comunitárias, cientistas e ambientalistas. Se for isso mesmo, não nos surpreende o modus operandi. Recentemente fomos vitoriosos em ação judicial que moveu o Sindicado dos Economistas no Estado de São Paulo contra a ONG CTA. Foi comprovado judicialmente todo aparato técnico-científico que envolvem os direitos autorais sobre o Projeto BECE, originado do Projeto CTA, de minha autoria. Ganhamos o processo na 1ª e 2ª instância. Uma vitória retumbante contra um sindicato forte que congrega em torno de 25 mil economistas paulistas.

Creio que os idealizadores da Bolsa Verde também estão ignorando que a BovespaBM&F tem o registro junto aos órgãos reguladores dos créditos de carbono. Eu, pessoalmente, na qualidade de ex-operadora e ex-consultora de commodities da BMF, acho muito difícil que a BovespaBM&F abra mão destes royalties. Aliás, se a BovespaBM&F ainda não fez mais do que está fazendo é porque encontrou falhas nos desenhos destes instrumentos que podem colocar em risco o seu sistema de salvaguardas. Prudência faz parte da sabedoria de quem conhece muito bem o que é risco sistêmico e enfrenta um processo no Caso do Banco Marka e FonteCindam.

ICBr – Considerando o modelo do ETS californiano, onde apenas uma pequena fatia das cotas de emissões pode ser suprida com offsets, você acha que seria um modelo mais interessante a ser seguido?

Amyra - Se ocorrer uma falha no desenho mercadológico do instrumento econômico lançado no mercado, mesmo que seja em teste, é muito difícil efetuar correções. O problema está na forma com que os títulos estão circulando no sistema. Executar arbitragens, desenhar opções nos derivativos e outras engenhocas para suprir uma falha de risco não modifica erros estruturais do contrato financeiro.

ICBr – Existem vários casos de fraude e de especulação nos EU ETS, no MDL e até no REDD. Esses fatos negativos fazem parte de um aprendizado para deixar essas ferramentas mais sólidas ou elas possuem tantos problemas fundamentais que continuaremos a ver esse tipo de coisa?

Amyra - É como disse anteriormente, se o sistema financeiro compreender estas ‘permissões para poluir’ como ‘commodities’, não tem mais como fazer correções, pois desencadeará uma série de operações sem controle.  As fraudes ocorrem por que há vácuos na legislação, na implantação, na regulação e na comercialização. Quando um contrato é aprovado para ser negociado em Bolsa, tem que ter um estudo de risco sistêmico, a justificativa de que esse instrumento não causará um dano para a economia. Por este motivo também é preocupante a movimentação nos mercados voluntários e nos mercados de balcões (fora das Bolsas). Toda argumentação técnica científica para os créditos de carbono ancorados no MDL e agora as propostas para o REDD são de fatores ambientais, mas não de cálculos financeiros compreendendo a dinâmica e a velocidade com que os mercados negociam. Portanto esse aprendizado, na prática, pode custar muito caro para o meio ambiente, e se prejudicar sua credibilidade quem pagará essa conta será a humanidade.

ICBr – A Rio+20 está chegando e muitos comentam que a conferência já começa enfraquecida, inclusive sem possuir o devido foco. Qual sua opinião sobre o evento?

Amyra - Novamente as confusões conceituais estão no foco da questão. Ainda é confuso o conceito de economia verde. Na verdade a crítica sobre esta expressão ‘economia verde’ se dá por entenderem os movimentos sociais, ambientalistas e cientistas renomados que é apenas a reprodução do capitalismo predatório agora sobre as riquezas naturais, sem uma proposta concreta de mudança no modelo econômico e sem metas estabelecidas que respeitem os direitos fundamentais, como os princípios acordados na Rio-92: o Princípio do Poluidor Pagador, o Princípio da Precaução, o Princípio das Responsabilidades Comuns porém Diferenciadas.

No entanto, a Rio+20 está propiciando uma discussão salutar sobre a economia que vivemos, que é a economia de mercado para a economia que queremos. Uma nova economia. Se colocarmos todas as variáveis na balança, independentemente do resultado final dos documentos que serão produzidos na Rio+20, estaremos provocando uma discussão fundamental para iniciarmos o processo de transição do capitalismo predatório para uma economia justa, socialmente digna, politicamente participativa e integrada e ambientalmente sustentável. Essa será a esperança do Projeto BECE e a razão de existir da Aliança RECOs (Redes de Cooperação Comunitária Sem Fronteiras), e por isso apoiamos a Cúpula dos Povos, movimento paralelo à Rio+20, como contraponto ao discurso oficial.

ICBr – E como está o projeto BECE-Brazilian Environment Commodities Exchange (Bolsa Brasileira de Commodities Ambientais) e a Aliança RECOs?

Amyra - A ONG RECOs – Redes de Cooperação Comunitária Sem Fronteiras (antiga ONG CTA) – nasceu do projeto de educação financeira nos mercados de capitais que idealizei e coordenei (1996 a 2003) para o Sindicato dos Economistas (SP). Este projeto era, a princípio, uma consultoria para a Bolsa de Mercadorias & de Futuros (1990) na gestão de Dorival Rodrigues Alves, falecido em 1999, vítima de câncer, um dia antes de terminar o segundo curso patrocinado pela BM&F para formação dos CTA’s (Consultants, Traders and Advisors – Geradores de Negócios Socioambientais nos Mercados de Commodities). Desde sua morte, decidi que este projeto seguiria seu caminho natural como Organização da Sociedade Civil e hoje como rede internacional, a Aliança RECOs.

Atualmente, a aliança é uma teia de intensas relações afetivas (clusters), ou seja, é uma rede solidária unindo produtores e difusores de informações, com o objetivo de registrar a história do desenvolvimento sustentável, fomentar e estruturar o mercado de “commodities ambientais” e “commodities espaciais” desde o Brasil de um novo modelo econômico para América Latina e o Caribe.

A Aliança RECOs está implantando, há mais de uma década, o Projeto BECE (sigla, em inglês, de Bolsa de Commodities Ambientais), que até então era apenas uma proposta, debatida por seis anos em redes virtuais, com mensagens eletrônicas, palestras, seminários, cursos e atividades culturais no Brasil e no exterior. O nome está em inglês em função também da linguagem financista universal e, em especial, por uma saudável provocação ao Banco Central, pois o codinome BECE significa: B de Banco, E de Ecologia, C de Central, e E de Economia. Hoje, a Aliança RECOs conta com a parceria de centenas de lideranças, entidades e instituições de peso nacional e internacional.

O estudo técnico-científico de origem brasileira ocorreu no final de 1989 e começo de 1990, motivado pela concentração de riscos nos mercados de futuros, chamados derivativos, quando um grupo de operadores de commodities convencionais discutia o quanto ganhavam seus clientes e, proporcionalmente, quantas pessoas morriam nas guerras para cada dólar lucrado nas bolsas de commodities e futuros com petróleo, metais e moedas. Fizemos, então, uma aposta: quem conseguiria desenvolver uma engenharia financeira que invertesse o modelo ortodoxo das operações financeiras e, ao invés de ganhar com a morte, criar um mecanismo que oferecesse ganhos com as vidas de mais e mais pessoas. Destes apostadores, fui a única pessoa que sobreviveu e levou a aposta adiante (meus amigos faleceram em acidentes, cometeram suicídio ou tiveram enfarto porque não aguentaram a pressão dos mercados).

BECE é um Projeto Open (construído abertamente) e somente caminha com consulta e participação pública. Não decidimos nada, absolutamente nada a portas fechadas. Entendemos que mais importante do que desenvolver Bolsas de Valores e de Commodities era construir e implantar um novo modelo econômico para América Latina e o Caribe, formando redes de cooperação técnico-científicas alicerçadas no tripé: educação, informação e comunicação. Também concluímos que não precisamos de uma Bolsa de Commodities Ambientais, mas de uma Aliança como é a RECOs – Rede de Cooperação Comunitária Sem Fronteiras com o tripé: legitimidade, credibilidade e ética. Sem estes tripés solidificados não há como formar novos mercados emergentes e atender as reivindicações da sociedade, ou seja, nenhuma economia se sustenta!

ICBr – O Brasil é apontado, até por toda a sua riqueza natural, como um berço perfeito para a chamada economia verde. O que falta para vermos esse conceito virar realidade?  Amyra - Pois é essa a preocupação que temos! Se o conceito ‘economia verde’ caminhar na direção da apropriação dos recursos naturais via mecanismos financeiros será uma tragédia, mas se conseguirmos chegar a um entendimento de que podemos promover uma nova economia, o Brasil sem dúvida estará à frente de uma revolução estrutural de todo sistema financeiro mundial. Temos propostas, ideias e competências na ciência, na academia, nos mais diversos setores da sociedade e uma vontade enorme com entusiasmo, que é da característica peculiar de sermos brasileiros, apaixonados pela vida e acolhedores. Temos o que muitos já não têm: natureza e solidariedade. E somente conseguiremos avançar 20 anos na frente desta conferência no Rio de Janeiro se os jornalistas ambientalistas e investigativos forem capazes de traduzir todos esses conceitos e propostas, como está fazendo nesta entrevista o site do Instituto CarbonoBrasil.
Fonte: Instituto CarbonoBrasil

Artigo – Além do PIB

Por José Alberto Gonçalves Pereira

Anfitrião da Rio+20, o Brasil ainda não estabeleceu um sistema nacional de contas econômico-ambientais integradas, conforme recomendação
do item 8 da Agenda 21, um dos principais documentos adotados na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio 92. Mas, na Rio+20, o País deverá finalmente anunciar que terá pronta em 2014 a conta nacional da água – sua primeira conta econômico-ambiental. Está prevista para este mês a assinatura de portaria conjunta dos ministérios do Meio Ambiente e do Planejamento que instalará o grupo de trabalho responsável pelos cálculos da conta. Participarão técnicos da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A primeira edição da conta da água divulgará dados de 2013, informa Marco Neves, assessor do diretor-presidente da ANA. Como a medição seguirá os padrões estatísticos do Sistema de Contabilidade Ambiental
e Econômica Integrada da Divisão de Estatística
das Nações Unidas, suas informações poderão ser comparadas com as de outros países que possuem o instrumento, caso da Austrália.

Segundo Neves, mediante a conta nacional da água, será possível entender melhor a relação entre uso da água e dinâmica econômica. A ANA dispõe de muitos dados sobre disponibilidade e demanda hídrica, mas ainda não há informações mais sólidas sobre o custo da água para os setores econômicos. Não se sabe também quanto se gera de valor na produção a cada metro cúbico de água consumido pela agricultura, indústria e setor de serviços. “Poderemos saber se um determinado setor econômico está agregando maior valor financeiro com decréscimo no consumo de água”, explica. Em um segundo momento, talvez em 2014, o indicador também medirá em termos monetários as perdas acarretadas ao país pela poluição do mar e de rios, lagos e represas.

“Esse tipo de informação é muito valioso para os gestores públicos”, observa Wadih João Scandar Neto, diretor de Geociências do IBGE. “A conta permitirá ao gestor, por exemplo, administrar melhor os conflitos
 de uso do recurso, facilitando sua decisão sobre 
outorgar mais água para a indústria ou a agricultura em determinada bacia.” Há muitos dados sobre consumo de água, assinala o executivo do IBGE, mas são parciais e não estão integrados à dimensão econômica da produção industrial e primária. Além do mais, a conta brasileira 
da água será tecnicamente bastante confiável, visto que seguirá o padrão internacional de contas econômico-ambientais definido em fevereiro pela ONU.

A recomendação para os países produzirem suas contas nacionais econômico-ambientais deverá ser reiterada na declaração final da Rio+20. No item 111 do Rascunho Zero, documento divulgado em janeiro,
é reconhecida a limitação do Produto Interno Bruto para medir o bem-estar humano e a necessidade de indicadores complementares ao índice que integrem as dimensões econômica, ambiental e social.

Para o professor José Eli da Veiga, do Instituto
de Relações Internacionais da USP, a declaração 
final deveria sugerir a formulação de indicadores que superem o PIB em vez de o complementarem, como prevê o rascunho. Simultaneamente, propõe Veiga,
 a declaração precisa fazer referência explícita às recomendações do Relatório Stiglitz-Sen-Fitoussi, de 2009: maior ênfase no consumo familiar que no PIB, criação de um índice de qualidade de vida e uso de alguns indicadores biofísicos, como as pegadas de carbono, água e nitrogênio. “Fora disso, será inevitavelmente mais conversa fiada”, critica o professor da USP.

As contas econômico-ambientais medem a contribuição à economia de ativos ambientais como água, ar, solo, floresta, minerais e biodiversidade, bem como contabilizam monetariamente a degradação de recursos naturais causada pela atividade econômica. Dessa forma, conferem visibilidade a dimensões inexistentes no cálculo do PIB. Estudos recentes, a exemplo do trabalho sobre economia verde publicado em 2011 pelo Programa
das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e do relatório da Comissão Stiglitz-Sen-Fitoussi, apontam a hegemonia do PIB na avaliação do desempenho econômico como um fator limitante ao desenvolvimento sustentável de uma nação.

Isso ocorre porque o PIB calcula basicamente a variação negativa ou positiva na produção de bens e serviços. Na economia convencional, o crescimento robusto do PIB sinaliza a boa saúde econômica de uma nação, não importando que o desempenho esteja associado à piora de indicadores ambientais
e sociais. Não é deduzido do PIB, por exemplo, o custo das doenças e milhares de mortes provocadas pela poluição atmosférica na China decorrente do crescimento exuberante e veloz da economia asiática nas duas últimas décadas.

“É importante destacar que há uma longa 
história de tentativas de desenvolvimento de contas ambientais”, sublinha Sandra Paulsen, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Segunda ela, o tema ganhou mais atenção com a Comissão Stiglitz-Sen-Fitoussi, mas o americano
 Robert Repetto, um dos mais importantes economistas ambientais da atualidade, já falava da necessidade de incorporar o capital natural na contabilidade nacional lá pelos idos da década de 1980.

Fonte: Mercado Ético/Terra

SP: Ferrovia abandonada põe recursos hídricos e solo da Terra Indígena Araribá e da APA do Rio Batalha em risco

Por Renata Takahashi / Instituto Ambiental Vidágua

Voçoroca ameaça Terra Indígena Araribá. Foto de Renata Takahashi

A aproximadamente 40 quilômetros de Bauru, no município de Avaí, está localizada a Reserva Indígena Araribá, que abarca a aldeia Indígena Kopenoti, de etnia Terena, e a aldeia  Nimuendaju, de etnia Guarani. Sobreposta à Terra Indígena encontra-se a Área de Preservação Ambiental do Rio Batalha, abrangendo 1.940 hectares. O Rio Araribá, afluente do Rio Batalha, encontra-se bastante assoreado. Grandes áreas da bacia hidrográfica Tietê-Batalha são vulneráveis ao desenvolvimento de processos erosivos (e, portanto, de assoreamento) devido ao avançado processo de degradação de suas matas ciliares. Mas no caso do Rio Araribá, de aproximadamente seis quilômetros de extensão, a situação é ainda pior. O processo erosivo, de tão avançado, já constitui uma voçoroca bem no meio da Terra Indígena.

No início do século XX, foi construída a ferrovia Noroeste, que cruza o rio Araribá passando por dentro da Terra Indígena. A própria construção da ferrovia já causou enorme impacto à população nativa, devido ao desmatamento e ao afastamento da vida selvagem que poderia trabalhar positivamente para a regeneração do bioma por meio da dispersão natural de sementes.

Os quase 100 anos de uso da ferrovia, com a trepidação constante, fizeram com que boa parte do solo fosse sendo pouco a pouco depositado na beira do rio. A desativação da ferrovia foi um processo lento e progressivo. O fim da trepidação dos trens seria positivo para o meio ambiente. Mas, ao mesmo tempo o abandono da infraestrutura, de responsabilidade da América Latina Logística (ALL) e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), deixou a área sem a manutenção ecológica necessária à regeneração da mata, que poderia deter o processo erosivo já iniciado. Mesmo sem trepidações, a voçoroca continua a avançar para os dois lados da área da obra principalmente pela ação das águas de escoamento superficial, que não contam mais com a mata ciliar para sua contenção. No atual estágio do processo erosivo, seriam necessárias intervenção e manutenção humanas para impedir que o buraco continue a engolir o solo e que essa terra seja levada para o leito do rio. No entanto, com a desativação da ferrovia, a área foi abandonada pela ALL e pelo DNIT que não tomaram as medidas necessárias para deter o processo.

O glossário ambiental da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, CETESB, define a voçoroca como o último estágio da erosão. O termo regional, de origem tupi-guarani, é usado para denominar sulco grande, especialmente os de grandes dimensões e rápida evolução. A voçoroca é uma área degradada, ou seja, que sofreu impacto de forma a diminuir muito ou mesmo impedir sua capacidade de regeneração através de meios naturais.

Manutenção e reparos periódicos poderiam ter evitado o “buraco”

A construção de uma ferrovia tem impactos ambientais inerentes ao meio físico onde se instala. Uma forma de amenizar os impactos é prevê-los antes da execução da obra. Dispositivos hidráulicos como drenagem superficial, bueiros e galerias podem ser eficientes para precaver processos erosivos. Eles têm a função de captar, disciplinar e conduzir as águas superficiais para locais convenientes, impedindo que a obra tenha interferências negativas sobre o regime de escoamento superficial. Mas esses dispositivos precisam de reparos e manutenção constante, ainda que nenhum trem passe pelos trilhos. Segundo Anézio Coelho de Souza, engenheiro agrônomo e técnico da Fundação Nacional do Índio, Funai, o buraco em Araribá se desenvolveu devido à falta de manutenção na ferrovia.

“Os responsáveis pela manutenção da via férrea deveriam fazer roçada e capina do mato que cresce ao longo dos trilhos. Deveriam também fazer a limpeza e reparo constante das calhadas de escoamento de enxurradas. É preciso ainda fazer a correta manutenção das estruturas que quebram a energia do escoamento da água no final das calhas”, explica Anézio.

Vidágua e Funai visitam local

A alça de acesso que liga a rodovia AVI 040 ao início da voçoroca encontra-se no quilômetro 4,2. Entrando por esse caminho, logo se lê uma placa improvisada indicando “buraco”, bem ao lado da estrada, que fica paralela à ferrovia. Se o processo erosivo não for detido, a estrada usada pelos indígenas pode acabar engolida pela voçoroca em pouco tempo, dependendo da intensidade das chuvas.

No dia 1° de março de 2012, o Instituto Ambiental Vidágua visitou o local acompanhado pela Funai. Na ocasião, toda a área da voçoroca foi percorrida e fotografada. O professor de Ciência Humanas e morador da aldeia Tereguá Erickson Sebastião Cruaia, da etnia terena, falou ao Vidágua sobre os problemas que o avanço da voçoroca tem causado à comunidade da região: “Sou usuário da estrada, uso aquele caminho para ir para minha casa. Nossa produção de agricultura também passa ali. Se não tomarem uma providência, com o tempo já não tem mais estrada. Complica para nós, como agricultores e como usuários também”. Ele conta que à noite a situação piora por causa da neblina, que prejudica a visibilidade, aumentando o risco para quem passa pela estrada. “Se vem um carro mais acelerado, como uma ambulância de socorro que passa com urgência, é fácil cair no buraco”. Peruas escolares também utilizam a via. Cansados de esperar uma providência dos responsáveis pelo problema, os próprios índios começaram um trabalho de tentativa de contenção da erosão. Eles instalaram poleiros artificiais em locais estratégicos ao longo da voçoroca.

A técnica consiste em oferecer um local de descanso entre um voo e outro a animais dispersores de sementes, principalmente aves, com a finalidade de acelerar o processo de sucessão vegetal no local. “Estamos tentando reflorestar perto do rio e do buraco, mas precisamos de um trabalho maior para proteger a beirada e fazer a terra parar de cair dentro do rio, que antes de assorear tinha peixe e era área de lazer das crianças indígenas”.

O trecho do rio Araribá que fica próximo à voçoroca recebe grande quantidade de terra, que desliza do buraco e se deposita ali. Entulho e sujeira dos vagões abandonados, e pedras e ferros que descem da linha do trem também vão parar no rio. O solo foi bastante degradado, prejudicando o costume terena de trabalhar com argila. “É da nossa cultura trabalhar com argila, fazer panela, prato, costume terena mesmo. Já não se encontra mais argila ali…” lamenta Erickson.

Descaso não é novidade

No dia 24 de fevereiro deste ano, foi publicado na imprensa local uma matéria sobre a retirada de vagões da área indígena em Avaí pelo Dnit. Em dezembro de 2011, o Dnit retirou 74 vagões e outros equipamentos ferroviários que estavam abandonados na aldeia indígena Araribá desde setembro do ano anterior. A remoção dos equipamentos do local havia sido determinada em liminar da 1ª Vara Federal de Bauru, concedida em uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal em junho de 2011. Na ocasião, o MPF solicitou que o Dnit não deposite de maneira indevida bens de sua propriedade em locais não apropriados.

Os indígenas aguardam que o Dnit  retire todo o equipamento relacionado à via férrea para que a gleba seja reintegrada com agricultura, ou indenize a área ocupada pela sua estrutura que hoje atravanca e intercepta todos os fluxos naturais na Terra Indígena.

Fonte: EcoDebate

Contaminação gera discussões

Por Júlia Guimarães

O aumento do número de áreas contaminadas em Mogi das Cruzes preocupa os ambientalistas mogianos. Reportagem publicada ontem por O Diário mostrou que entre os anos de 2010 e 2011 houve um crescimento de 103% no número de terrenos ambientalmente prejudicados pela infiltração de poluentes, sendo que em apenas 12 meses a relação pulou de 26 para 54. Os dados são da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), que divulgou na terça-feira a atualização do relatório anual de “Áreas Contaminadas e Reabilitadas do Estado de São Paulo”. Um dos dados que mais chamam a atenção no documento é o fato de que 41 dos empreendimentos poluidores identificados na Cidade são postos de combustíveis. Especialistas afirmam que os resultados do novo levantamento são reflexo de brechas da antiga legislação e de uma fiscalização mais atuante.

A engenheira ambiental Ana Sandim pondera que o aumento na identificação de áreas contaminadas, revelado pelo relatório da CETESB, se deve, em parte, ao crescimento da frota mogiana e da demanda pelos pontos de abastecimento. Ela lembra que há 40 anos havia apenas um posto no Centro de Mogi e que atualmente já são 12 dentro do mesmo perímetro. “Além da poluição provocada pelas empresas e pelo próprio Município, com o lançamento de esgoto, ainda temos agora a contaminação provocada pelos postos. Normalmente, temos dois tipos de contaminação. O primeiro é de superfície por derramamento de combustíveis no solo e o segundo é subterrâneo, por vazamento nos tanques. Este último caso é o mais comum e a situação só vai mudar a partir do momento em que houver penalizações sérias, como o fechamento de postos, para que os proprietários se vejam obrigados a adequar os tanques às novas normas”.

O presidente do Instituto Cultural e Ambiental do Alto Tiete (Icat), José Arraes, esclarece que o maior e mais preocupante reflexo ambiental das infiltrações de metais pesados e demais poluentes no solo é a contaminação dos lençóis freáticos. “Quando se fala de contaminação, está se falando em contaminação da água, dos lençóis freáticos que abastecem nossos córregos, rios, bacias hidrográficas e, no resumo de tudo, da água que sai das nossas torneiras. E isso tem duas consequências. A primeira delas é para os nossos leitos d’água que precisariam ser extremamente preservados, porque somos os segundos maiores produtores de água da Região Metropolitana de São Paulo. A segunda é para a saúde dos seres humanos, porque as nossas estações de tratamento não conseguem detectar os metais pesados. É por isso que as pessoas adoecem e os hospitais não conseguem identificar os reais problemas”.

A bióloga Nádia Soares de Moraes, presidente da Biobras, destaca que o significativo crescimento na identificação das novas áreas contaminadas, registrado em Mogi no último ano, se deve ao aumento da fiscalização e a uma questão histórica, de uma nova mentalidade surgida nos últimos anos, sobre a importância de recuperação dos terrenos poluídos. “Na verdade, essas áreas já estavam contaminadas há muito tempo, mas ainda não haviam sido identificadas e computadas. Então, a tendência é de aumento dos números porque está havendo uma ampliação na fiscalização. E isso ocorre porque a questão ambiental hoje em dia é muito mais importante e faz parte de uma agenda política mais atuante do que 15 anos atrás. Hoje em dia, as normas possuem exigências muito maiores do que as de antigamente e os órgãos responsáveis também estão ampliando as equipes de fiscalização”.

A pedido de O Diário, o ambientalista Romildo Campelo Filho também avaliou a situação: “Certamente este resultado é herdado de uma época em que não havia regras tão rígidas para instalação dos postos. Temos duas leituras deste cenário. A primeira é negativa porque o aumento das áreas contaminadas é motivo de preocupação. A segunda porque mostra que a fiscalização foi intensificada. É melhor saber que essas áreas existem do que convivermos com elas sem que sejam tomadas as medidas de recuperação. A tendência é que haja uma fiscalização cada vez maior e isso deve inibir as negligências”.

Fonte: O Diário de Mogi

MPE apura desastre ambiental em Ulianópolis/PA

Informações levantadas pelo Ministério Público do Estado revelam que, entre os anos de 2000 e 2002, foram depositados, numa área florestada relativamente próxima à cidade de Ulianópolis, no Pará, um volume estimado em cerca de 25 mil toneladas de resíduos industriais e, cumulativamente, algo em torno de 30 mil litros de lixo tóxico. Esse material, espalhado num terreno de aproximadamente nove milhões de metros quadrados – o que corresponde a 900 hectares –, contaminou o solo, a água e o ar, provocando, pelo desencadeamento de reações químicas ainda em curso, um desastre ambiental de grandes proporções. Um dos maiores já registrados até hoje na Amazônia, com certeza.

Relatório produzido recentemente pela promotora de justiça Louise Rejane de Araújo, titular da Promotoria de Justiça de Ulianópolis, adverte que há mais de uma década a população, a fauna, a flora e, possivelmente, os recursos hídricos daquele município sofrem com a contaminação ambiental.

Os danos foram provocados, segundo o MPE, pelo derramamento, infiltração e contaminação do solo pelos resíduos químicos industriais para lá encaminhados por dezenas de empresas, a maior parte delas multinacionais, à empresa Usina de Passivos Ambientais (Uspam). A Uspam foi contratada por elas para dar destinação adequada aos rejeitos industriais, o que nunca foi feito.

Perícias realizadas no local pelo Instituto de Perícia Renato Chaves, nos anos de 2002 e 2007, constataram que os rejeitos industriais despejados na área da Uspam se infiltraram e contaminaram os solos. Os peritos alertaram, na época, para a presença, na área, de produtos extremamente danosos para a saúde humana, a fauna e a flora.

Chamou atenção nos laudos periciais, sobretudo, a observação dos técnicos do Renato Chaves para a inexistência de vida animal na área, fato que é considerado um indicador seguro do alto grau de degradação do meio ambiente.

AÇÃO CIVIL PÚBLICA

Em 2003, o Ministério Público ajuizou ação civil pública contra a Uspam, com a finalidade de fazer cessar a atividade da empresa. A mesmo tempo, a ação pretendia, entre outras coisas, que fossem retirados os rejeitos perigosos, aos quais deveria ser dada destinação ambiental e tecnicamente correta.

O juíz da comarca de Ulianópolis deferiu, no mesmo ano, os pedidos formulados na ação civil pública. A Uspam encerrou de fato suas atividades, mas sem cumprir a determinação judicial quanto à destinação do lixo tóxico. E pior: seus responsáveis legais desapareceram, achando-se até hoje em local incerto.

Recentemente, a promotora Louise Araújo de Araújo instaurou inquérito civil, desmembrando-o do inquérito anterior, de 2011, ficando este com o objetivo estrito de apurar eventuais ilegalidades e inconsistências no plano de remediação apresentado pela Prefeitura Municipal de Ulianópolis.

INQUÉRITO

Por meio de inquérito mais recente, a promotora buscará identificar as empresas que, em razão de contrato ou por outros meios, direcionaram seus resíduos industriais para despejo na área da Uspam.

A ideia, segundo Louise Araújo, é compelir essas empresas a promover a retirada de seus rejeitos e a remediação de danos, se isso ainda for possível. Adicionalmente, e sem prejuízo de tais providências, elas deverão ser compelidas a arcar com o ônus dos danos materiais e morais causados ao meio ambiente e, em especial, às pessoas, caso fiquem compro vados malefícios à saúde cujas causas apresentem conexão com os resíduos químicos despejados na área.

Empresas poderão desembolsar R$2 bi pelos danos

A promotora de justiça Louise Rejane de Araújo estima que poderá chegar a R$ 2 bilhões o valor a ser desembolsado pelas empresas à título de reparação dos danos – ambientais e morais – causados em Ulianópolis. Esse dinheiro será aplicado na construção de escolas, creches, hospitais e outros serviços públicos. A promotora admite ainda, como possibilidade, a constituição de um fundo em cujo comitê gestor haverá a participação de representantes da sociedade, governo e empresas. A atuação desse fundo estaria submetida à fiscalização direta do MPE. Das 52 grandes empresas identificadas, e que em conjunto respondem por boa parte do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, só dez não foram ouvidas ainda pela promotora. Ela acredita que em menos de duas semanas o trabalho será concluído. Na última sexta-feira ela ouviu o ex-procurador geral do Estado, Ibraim Rocha, que ocupou o cargo no governo Ana Júlia Carepa. Outros agentes públicos já foram ou serão chamados também para dar esclarecimentos.

Os próximos desdobramentos do caso, segundo a promotora, vão ocorrer em três etapas, uma vez concluído o processo de tomada de depoimentos. A primeira será a realização de um inventário da área, delimitando os pontos de deposição de material tóxico. Esse trabalho deverá ser coordenado pelo Instituto Evandro Chagas, com a participação do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente do MPE, Sema e Corpo de Bombeiros, entre outras instituições. O passo seguinte será a retirada desses rejeitos, aos quais será dada destinação adequada pelas empresas responsáveis. A terceira fase será a da remediação, reparação dos danos e a punição dos responsáveis.

No final do mês passado, a Promotoria de Justiça requereu, ao juízo da comarca local, a suspensão de todas as ações coletivas que tratam da matéria, inclusive as ações civis públicas propostas pelo município de Ulianópolis. O pedido foi deferido pelo juiz titular da comarca de Ulianópolis, Acrísio Tajra. O entendimento, exposto pela representante do Ministério Público, e acolhido pelo magistrado, é o de que a forma mais célere e eficaz para solucionar a questão é a via extrajudicial, considerando sobretudo o fator flexibilidade de atos e tempo para resolução do assunto. Essa opção tem o endosso da procuradora de justiça Maria das Graças Azevedo, coordenadora do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente do MPE.

A promotora faz questão de esclarecer, porém, que esse entendimento não exclui a possibilidade do ingresso de ações judiciais, inclusive na esfera criminal, em defesa do meio ambiente e da sociedade em geral. Ela acrescentou, a propósito, que o processo criminal contra os responsáveis pela empresa Uspam – Pedro Antônio Pereira da Silva e a esposa dele, Maria Vargas Rodrigues – também está sendo analisado criteriosamente. Louise Araújo disse o MPE avalia a reiteração do pedido de prisão preventiva do casal, “tendo em vista a gravidade do crime ambiental praticado, para assegurar a ordem pública, a credibilidade da justiça e a condenação final”.

MALEFÍCIOS

Adicionalmente, e sem prejuízo de tais providências, elas deverão ser compelidas a arcar com o ônus dos danos materiais e morais causados ao meio ambiente e, em especial, às pessoas, caso fiquem compro vados malefícios à saúde cujas causas apresentem conexão com os resíduos químicos despejados na área.

Fonte: Diário do Pará

Governo lançará três programas para cumprir Plano Nacional de Resíduos Sólidos

O governo vai lançar nas próximas semanas um programa para tratamento de resíduos sólidos baseado em três eixos: Brasil sem Lixão, Recicla Brasil e Pró-Catador. A informação foi repassada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e as ações do programa estão estruturadas no sentido de cumprir as determinações do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, aprovado em 2010.

O primeiro eixo terá ações conjuntas entre estados, municípios e o governo federal e visa a eliminar os lixões de todas as cidades até agosto de 2014. O segundo irá estimular a reciclagem, e o Pró-Catador atuará para estruturar as cooperativas e tornar os catadores um elo importante para o alcance das metas do plano nacional.

O programa está na fase final de elaboração e, de acordo com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, os próximos passos são formatar os aspectos jurídicos e discutir o texto com a presidenta Dilma Rousseff.

Ao falar sobre um dos maiores desafios do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, que é a eliminação dos lixões até 2014, a ministra lembrou que, a partir do plano, essa passou a ser uma responsabilidade compartilhada entre os entes federados.

“Esse esforço não é só do governo federal, é de competência também dos estados e municípios e dá a todos a responsabilidade de lidar com a questão do fim dos lixões, de incrementar a reciclagem, a logística reversa, de discutir as regiões do país que não têm aterros sanitários”, disse na quarta-feira (21) após participar da abertura do encontro Diálogos Sociais Rumo à Rio+20. A ministra observou também que muitas cidades ainda não têm a infraestrutura para implementar o patamar necessário de reciclagem no país.

Conforme o texto do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, após o dia 2 de agosto de 2014, o Brasil não poderá ter mais lixões, que serão substituídos pelos aterros sanitários. Os aterros vão receber apenas rejeitos, ou seja, aquilo que não é possível reciclar ou reutilizar. Os aterros são estruturas que contam com preparo no solo para evitar a contaminação de lençol freático, captam o chorume que resulta da degradação do lixo e contam com a queima do metano para gerar energia.

Fonte: Yara Aquino/ Agência Brasil

Antigo Lixão de Laranjeiras terá projeto de remediação e recuperação ambiental

O popularmente conhecido lixão de Laranjeiras, desativado desde 2002, tratava-se de um passivo, que só ganhou prioridade em 2009, quando o prefeito Hamamoto assumiu a prefeitura de Caieiras e determinou a elaboração de um projeto junto o Comitê de Bacia do Alto Tietê, sendo finalmente aprovado e liberado para financiamento do Fundo Estadual de Recursos Hídricos – FEHIDRO, em 2011, quando teve a sua primeira parcela disponibilizada.

Com o aval e a fiscalização da CETESB, a Prefeitura foi autorizada a dar início às sondagens e estudos de investigação de contaminação visando atender ao objetivo do projeto, que é avaliar os impactos ambientais causados pelo antigo lixão (vazadouro de resíduos sólidos) e elaborar propostas para sua adequação e recuperação/remediação ambiental.

Inicialmente orçado em R$ 344.739,56, o empreendimento passou por licitação pública e teve seu custo reduzido em 31%, sendo vencedora do certame a empresa Weber Ambiental, que realiza atualmente os trabalhos. O prazo de execução dos serviços é de 5 (cinco meses), já tendo sido concluída a fase de avaliação preliminar, com o cercamento do acesso à área, implantação dos poços de coleta e monitoramento de águas subterrâneas e gases, coleta de amostras de solo, sedimentos e águas superficiais, que foram encaminhados para laboratórios especializados, para análise e expedição de laudos, além da realização do levantamento topográfico e de caracterização ambiental da área.

Considerada uma das maiores pendências ambientais do município de Caieiras perante a CETESB, a questão motivou a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta em 2002, que determinou inúmeras obrigações à Prefeitura, dentre elas a de realização dos atuais estudos e sondagens de investigação de contaminação e, finalmente, medidas de recuperação ambiental e paisagística da área. Em investigação preliminar, foi sugerido que será possível a recuperação ambiental do local para implantação de um Parque Ecológico, a ser integrado ao Sistema de Áreas Verdes do Município, assim que reabilitada a área.

Fonte: Blog Jornal Primeira Impressão

Justiça determina que Shell e Basf paguem atendimento a 772 pessoas

Entre eles estão ex-funcionários da empresa e filhos deles. Em nota, a Shell e a Basf informaram que irão respeitar a decisão.

A Justiça estabeleceu uma lista com 772 nomes, entre eles ex-trabalhadores da Shell e filhos deles, que terão direito a atendimento médico pago pela empresa. O valor prévio terá que ser depositado em conta corrente informada pelos funcionários. Outras 370 pessoas aguardam para saber se terão o mesmo direito.

Em agosto de 2010 a empresa foi condenada em primeira instância a pagar indenização e tratamento de saúde aos trabalhadores. Já em abril de 2011, o Tribunal Regional do Trabalho manteve a sentença e mandou que as empresas montassem um comitê de atendimento aos ex-funcionários, mas ele não começou a funcionar.

Em nota, a Shell e a Basf confirmaram que vão respeitar a decisão e que estão aguardando a solução final do caso na Justiça.

Entenda o caso Shell/Basf

No final da década de 70 a Shell instalou uma indústria química na região do bairro Recanto dos Pássaros, em Paulínia. Em 1992, ao vender os seus ativos para a multinacional Cyanamid, começou a ser discutida a contaminação ambiental produzida pela empresa na localidade, até que, por exigência da empresa compradora, a Shell contratou consultoria ambiental internacional que apurou a existência de contaminação do solo e dos lençóis freáticos de sua planta em Paulínia.

De acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT), a Shell foi obrigada a realizar uma auto-denúncia da situação à Curadoria do Meio Ambiente de Paulínia, da qual resultou um termo de ajuste de conduta. No documento a empresa reconhece a contaminação do solo e das águas subterrâneas por produtos denominados aldrin, endrin e dieldrin, compostos por substâncias altamente cancerígenas – ainda foram levantadas contaminações por cromo, vanádio, zinco e óleo mineral em quantidades significativas.

Após os resultados toxicológicos, a agência ambiental entendeu que a água das proximidades da indústria não poderia mais ser utilizada, o que levou a Shell a adquirir todas as plantações de legumes e verduras das chácaras do entorno e a passar a fornecer água potável para as populações vizinhas, que utilizavam poços artesianos contaminados.

Mesmo nas áreas residenciais no entorno da empresa foram verificadas concentrações de metais pesados e pesticidas clorados (DDT e drins) no solo e em amostras de água subterrâneas. Constatou-se que os “drins” causam hepatotoxicidade e anomalias no sistema nervoso central.

Além disso, a Cyanamid foi adquirida pela Basf, que assumiu integralmente as atividades no complexo industrial de Paulínia e manteve a exposição dos trabalhadores aos riscos de contaminação até 2002, ano em que os auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) interditaram o local, de acordo com decisão tomada em audiência na sede do MPT. Apesar do recurso impetrado pela Basf, a interdição foi confirmada em decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região.

Em 2005, o Ministério da Saúde concluiu a avaliação das informações sobre a exposição aos trabalhadores das empresas Shell, Cyanamid e Basf a compostos químicos em Paulínia. O relatório final indicou o risco adicional aos expostos ao desenvolvimento de diversos tipos de doença. No ano de 2007, o MPT ingressou com ação civil pública para garantir os direitos dos ex-trabalhadores ao custeio de tratamento de saúde, juntamente com uma indenização milionária.

A 2ª Vara do Trabalho de Paulínia condenou as empresas ao pagamento de indenização no importe de R$ 1,1 bilhão, além da obrigação de custear o tratamento de saúde dos ex-trabalhadores e de seus filhos. A sentença foi confirmada em segunda instância pelo Tribunal Regional do Trabalho de Campinas.

Devido à urgência que o caso merece, a sentença foi executada provisoriamente, obrigando as rés a cumprir a obrigação de custear o tratamento de saúde dos beneficiários antes do trânsito em julgado. O recurso das empresas aguarda julgamento no Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Fonte: Portal G1 Campinas e Região

MP recomenda suspensão do funcionamento de posto em Secretaria de Cacoal

O Ministério Público de Rondônia, por meio da Promotoria de Justiça de Cacoal, expediu recomendação para que no prazo de dois dias seja suspenso o funcionamento de posto de combustível localizado na Secretaria Municipal de Obras, até que todas as licenças ambientais e vistorias técnicas de segurança do local estejam em poder da Administração Pública.

A recomendação foi emitida pelo Promotor de Justiça Marcus Alexandre de Oliveira Rodrigues, em razão da possibilidade de dano ambiental provocado pela existência do posto de combustível na garagem da secretaria sem nenhuma das licenças ambientais obrigatórias.

Ao expedir o documento, o integrante do MP explicou que, conforme resolução nº 273 do Conama, toda instalação e sistemas de armazenamento de derivados de petróleo e outros combustíveis configuram-se como empreendimentos potencialmente ou parcialmente poluidores e geradores de acidentes ambientais. O Promotor de Justiça destacou ainda que vazamentos de derivados de petróleo podem causar contaminação  de corpos d’água subterrâneos e superficiais do solo e do ar, considerando os riscos de incêndio e de explosões,  principalmente pelo fato de que parte desses estabelecimentos localizam-se em áreas densamente povoadas.

O Promotor informou constituir crime contra a ordem econômica, com pena de detenção de um a cinco anos, adquirir, distribuir e revender derivados de petróleo, gás natural e suas frações recuperáveis, álcool etílico, hidratado carburante e demais combustíveis líquidos carburantes, em desacordo com as normas estabelecidas na Lei nº 8.176/91.

Fonte:

IAC promove terceira edição de curso sobre Pagamento por Serviços Ambientais em Extrema, Minas Gerais

Com a palavra sustentabilidade como carro chefe para qualquer ação, preservar as bacias hidrográficas soa muito bem. Se o produtor rural, ao empregar boas práticas agrícolas, puder ser pago por isso, melhor ainda. É justamente essa a proposta do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), que remunera produtores de diversos Estados do Brasil por práticas que não só conservem, mas também recuperem as nascentes no campo.

Para orientar os produtores rurais sobre os conceitos de PSA, o Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, em parceria com a Prefeitura Municipal de Extrema e a Fundação de Apoio a Pesquisa Agrícola (FUNDAG) realizam a terceira edição do Curso de Pagamento por Serviços Ambientais e Preservação de Nascentes e Corpos D’água – Programa Conservador das Águas de Extrema. “O curso usa o modelo de Extrema para as demais localidades interessadas em implantar a proposta de PSA. Normalmente vem gente do Brasil todo e até já recebemos uma delegação de colombianos explorando o exemplo de Extrema”, diz o pesquisador do IAC e organizador do curso, Rinaldo de Oliveira Calheiros.

Com práticas rurais adequadas e de acordo com a legislação, o produtor de alimentos pode se tornar também produtor de água e assim complementar a renda. “É na área rural que se concentra a maior capacidade de infiltração da água em função da permeabilidade do solo. Práticas agrícolas bem conduzidas são potencializadoras dessa capacidade de recarga dos aquíferos”, afirma Calheiros.

No Brasil, o Pagamento por Serviços Ambientais já acontece em São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Amazonas e Minas Gerais, mas cada localidade conta com regras específicas. Em Extrema, o proprietário assina um contrato no qual se compromete a proteger a área demarcada. Já o pagamento é feito pelo custo de oportunidade. “Para manter a floresta, o proprietário recebe o mesmo valor que ganharia caso arrendasse a terra para o pastoreio de animais, principal atividade de Extrema”, explica. “O proprietário recebe o valor de 100 Unidades Fiscais do Município de Extrema (UFEX) por hectare por ano. Em 2011, cada UFEX correspondia a R$ 1,87”, completa o pesquisador do Instituto Agronômico (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Calheiros explica que o pastoreio de animais é umas das atividades que mais prejudicam as nascentes. “O pisoteio do gado no entorno da nascente faz com que o solo seja compactado, o que prejudica a surgência do corpo d’água. Ainda há as dejeções dos animais que prejudicam consideravelmente a qualidade da água”, afirma. Isso tudo, aliado as práticas agrícolas mal conduzidas, prejudica não só a preservação das nascentes, como também afeta a qualidade da água de rios e córregos.

São práticas como falta de plantio em nível, além da construção de terraços e barreiras de contenção da enxurrada, que podem ocasionar fendas de erosão com o carreamento da camada fértil do solo. “A erosão da área leva ao assoreamento do corpo d’água e dificulta a surgência de água. As características físicas desse solo carreado ainda podem ocasionar a eutrofização, que é o acúmulo gradativo de matéria orgânica na água”, explica o pesquisador.

O dano não é exclusividade do campo. As regiões metropolitanas também são afetadas e, hoje, a escassez dos recursos hídricos é uma realidade nas grandes cidades. Isso acontece até mesmo no Amazonas, lar de um dos maiores rios do mundo. A situação ainda pode ser revertida por iniciativas como o Pagamento por Serviços Ambientais, que estimula o cuidado com os mananciais. “O aumento da produção de água no meio rural é conseguido através de um conjunto de procedimentos e práticas que levem à conservação do solo e da água em uma propriedade agrícola e na bacia hidrográfica, como um todo”, afirma Calheiros.

E é justamente esse o foco do Curso de Pagamento por Serviços Ambientais e Preservação de Nascentes e Corpos D’água: estimular iniciativas que remunerem o agricultor por preservar os recursos naturais e produzir água.

Os pesquisadores da área concordam: entender o valor monetário dos serviços prestados para a natureza e remunerar aqueles que a protegem é um mecanismo promissor de defesa do meio ambiente. “O proprietário de terras que refloresta, mantém estradas adequadamente, faz terraços e pequenas barragens é um produtor de água, já que ele reduz a erosão e o assoreamento de córregos e nascentes e colabora com o aumento da infiltração das águas das chuvas no subsolo e outras”, lembra o pesquisador.

Caracterizada pela paisagem rural e por pequenas propriedades agrícolas, Extrema, MG, foi a primeira cidade brasileira a adotar o pagamento por serviços ambientais, seguindo o exemplo de países como Costa Rica, Estados Unidos e França. “É uma tendência nacional que estabelece mudanças significativas na conduta ambiental com grande sucesso nas melhoras das condições dos mananciais já tão degradados e com urgência de recuperação e preservação”, afirma Calheiros.

Ironicamento, o maior beneficiado do projeto é a Região Metropolitana de São Paulo, que recebe grande parte da água propduzida em Extrema por meio do Rio Jaguari, cujas nascentes ficam localizadas na cidade mineira. Toda essa água chega até os paulistas mais limpa. Em relação a represa Guarapiranga, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) utiliza cinco vezes menos produtos químicos para tratar o Sistema Cantareira, abastecido pelo rio Jaguari.

Na terceira edição do Curso de Pagamento por Serviços Ambientais e Preservação de Nascentes e Corpos D’água apresenta-se as estratégias de implantação do Programa Conservador de Águas de Extrema, o mais antigo programa de pagamento por serviços ambientais do País. O curso tem como objetivo capacitar e informar sobre os conceitos de PSA para os recursos hídricos, além de aulas práticas com visitação às áreas em restauração do Município.

Com a participação de alguns dos maiores especialistas na área, as edições anteriores capacitaram mais de 60 profissionais de diversos Estados brasileiros com ótimos índices de aprovação. A terceira edição acontece de 12 a 16 de março, em Extrema, Minas Gerais. A novidade deste ano é a ampliação da grade horária para 40 horas. A inscrição pode ser feita pelo site http://www.cursopsa.com.br/.

Serviço:

Curso de Pagamento por Serviços Ambientais e Preservação de Nascentes e Corpos D’água – Programa Conservador das Águas de Extrema.

DATA: 12 a 16 de março de 2012
Local: Extrema, Minas Gerais (MG)
Mais Informações:  http://www.cursopsa.com.br/

Fonte: IAC