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Evento discutirá os 20 anos de Proágua em São Paulo

A Coordenadoria de Controle de Doenças de São Paulo (CCD/SES-SP) realizará no dia 10 de fevereiro, das 9h às 12h,  uma nova edição do evento Café com Saúde, denominado assim pela Secretária de Estado da Saúde de São Paulo. Destinado a discutir assuntos relevantes de saúde pública, desta vez o evento debaterá o tema: “20 anos de Proágua em São Paulo”, o Programa de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano. As inscrições podem ser feitas por meio do site: www.saude.sp.gov.br.

Fonte: ArtCom A.C.

Cadastro Ambiental – Empresas têm um mês para regulamentação

O Governo do Estado de São Paulo promulgou a Lei nº 14.626, que criou o Cadastro Ambiental Estadual para empresas que se dedicam a atividades potencialmente poluidoras e estabece um prazo de 90 dias após a sua regulamentação – ou o dia 26 de fevereiro – para que as empresas em atividade se cadastrem e 30 dias para as empresas novas. Também foi implantado o pagamento trimestral da Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental Estadual por estabelecimento, em valores diversificados, considerando o potencial poluidor do contribuinte e o porte da empresa (microempresa, empresa de pequeno porte, empresa de médio porte e empresa de grande porte). Estão sujeitas à lei empresas contribuintes dos setores de extração e tratamento de minerais, indústria de produtos minerais não metálicos, indústria metalúrgica, indústria mecânica, indústria de material elétrico, eletrônico e comunicações, indústria de material de transporte, indústria de madeira, indústria de papel e celulose, indústria de borracha, indústria de couros e peles, indústria têxtil, de vestuário, calçados e artefatos de tecidos, de produtos de matéria plástica, do fumo, indústrias diversas – usinas de produção de concreto e asfalto, indústria química, indústria de produtos alimentares e bebidas, serviços de utilidade, transporte, terminais, depósitos e comércio, turismo e uso de recursos naturais.

Fonte: Revista Saneamento Ambiental

Cumbica pode ficar sem água, com novo terminal

Por Sabrina Bevilacqua

Com a construção de um terceiro terminal, a saída para que o Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, não tenha uma crise de abastecimento de água a médio/longo prazo pode ser reutilizar água do esgoto e da chuva. O aeroporto depende totalmente de água subterrânea. A velocidade da recarga natural do aquífero, entretanto, é menor do que será a demanda. “Se nada for feito, o aeroporto terá problemas sérios de abastecimento”, diz o diretor do Centro Internacional de Referência em Reúso de Água (Cirra), professor Ivanildo Hespanhol.

Hespanhol coordena o estudo Uso e Conservação de Água em Aeroportos, financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos Finep. A pesquisa tem como objetivo reutilizar água das pistas do aeroporto de Guarulhos, telhados e esgoto para fins não potáveis, como lavagem de aeronaves, irrigação de área verde e torre de resfriamento. Caso os resultados sejam positivos, a intenção é implantar o sistema em outros aeroportos controlados pela Empresa Brasileira de Serviços Aeroportuários, a Infraero.

Para se ter uma ideia da economia de água que o sistema pode promover, Hespanhol conta que um projeto feito para uma metalúrgica localizada no interior do Estado de São Paulo permitiu uma redução de 87% no consumo de água da empresa. “Uma economia dessas proporções para um aeroporto que recebe cerca de 12 milhões de pessoas por ano é essencial.” O Aeroporto Internacional de Guarulhos é considerado o maior da América do Sul e tem capacidade para atender 17 milhões de passageiros por ano. Com a construção do terceiro terminal, a expectativa é elevar sua capacidade para 29 milhões de usuários.

Além disso, caso o volume de água existente nos poços artesianos caia de maneira drástica, o aeroporto pode ter sua estrutura física abalada. Segundo Hespanhol, quando o aquífero perde muita água, a superfície começa a perder a sustentação e pode afundar.

O estudo tem como base a análise de quatro unidades piloto, que estão testando técnicas de reúso diferentes. A primeira delas é justamente para tentar resolver a questão do nível de água no aquífero. A intenção é recarrega-lo com a água coletada pelos outros sistemas testados pelo Cirra.

A segunda frente de estudo tenta encontrar maneiras de reutilizar águas pluviais provenientes dos edifícios do aeroporto. O objetivo é criar um sistema que permita coletar, tratar e distribuir a água que cai dos telhados do aeroporto. Antes disso, é necessário avaliar as condições e os tipos de substâncias encontradas nesses locais.

Outra unidade de pesquisa é responsável pelo reúso de água da chuva que fica nas pistas, projeto considerado pioneiro. Hespanhol afirma que é um processo complicado porque a água desses locais contém resíduos bastante específicos, como combustíveis e borracha, e terá de passar por um tratamento diferente dos convencionais. O último estudo visa a depuração do esgoto. Atualmente, o aeroporto já trata o próprio esgoto, mas não a ponto de poder reutilizar a água em seus processos.

Fonte: Portal Terra

A ‘opressão’ do Rio Tietê

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves*

“Do rio que tudo arrasta se diz que é violento,
mas ninguém diz violentas as margens que o oprimem”.
Bertolt Brecht

No dia 25 de janeiro de 2012 São Paulo comemora 458 anos sendo a cidade mais populosa e mais rica (em tamanho do PIB) do Brasil. Quando foi inaugurada, em 1554, era apenas uma pequena e pobre vila em torno do colégio jesuíta de Piratininga, instalado entre os rios Anhangabaú e Tamanduateí, afluentes do Rio Tietê, palavra que na língua Tupi quer dizer “água pura” ou “água verdadeira”.

O Rio Tietê tem uma peculiaridade interessante. Ele nasce bem perto do litoral, mas devido à barreira da Serra do Mar, corre para o interior. Isto possibilitou que, por seu curso, os Bandeirantes conseguissem penetrar o interior do Brasil e expandissem as suas fronteiras. Por exemplo, a atual cidade de Ouro Preto está mais perto do Rio de Janeiro do que de São Paulo, mas foram os Bandeirantes que descobriram o ouro e colonizaram a Vila Rica de Minas Gerais.

Mas, fundamentalmente, o Rio Tietê e seus afluentes foram essenciais para o desenvolvimento da capital paulista na medida em que forneciam – além de peixes – água pura e verdadeira para o crescimento da população, da agricultura, do comércio e da industria da cidade. Também existem diversas represas e usinas geradoras de energia ao longo da bacia hidrográfica. São Paulo é fruto do Tietê, assim como o Egito é fruto do Nilo.

Mas os aniversários de São Paulo foram passando e os únicos presentes que o Rio ganhou foram esgotos, dejetos, lixo e os restos da festa paulistana.

Toda a mata ciliar do rio foi destruída sem dó e piedade. As vargens foram drenadas. As margens foram estreitadas. E o leito original foi reduzido. Com a poluição dos esgotos, dos resíduos sólidos e dos efluentes industriais o Rio Tietê se transformou em um esgoto a céu aberto. Nem os usuários da cracolândia usam o Rio Tietê. Sem oxigênio, virou “rio da morte” que exala mau cheiro e envergonha os cidadãos da cidade, do estado e do país.

Fico pensando como a cidade de São Paulo seria mais alegre, mais bonita, mais agradável e mais convivial se a bacia hidrográfica do Rio Tietê estivesse mínimamente próxima do que já foi no passado: com suas matas ciliares, com as águas limpas, com os peixes, com as demais plantas aquáticas, com as aves, enfim, com a vida em toda a sua diversidade e explendor.

Mas ao invés disto, o que existe é uma selva de pedra, onde o verde foi substituído pelo concreto e pelo asfalto, a especulação imobiliária transformou em lucro cada pedaço de chão e as pessoas normais passam horas presas em engarrafamentos monstruosos, enquanto os ricos se deslocam de helicópetero.

Para complicar a situação, em toda temporada de chuva, São Paulo fica debaixo d’água. Os prejuízos econômicos são enormes. Alguns acusam o pobre rio. Outros dizem que o Rio Tietê transborda e segura as águas pluviais por vingança. Mas, na realidade, o rio não tem esta característica tipicamente racional.

O que acontece todo ano, quando a bacia do Rio Tietê transborda, não é uma retaliação às maldades humanas. É apenas o choro de uma obra da natureza que perdeu a sua beleza e sua pureza original.

*José Eustáquio Diniz Alves, colunista do EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE.

Fonte: Portal Ecodebate