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“Rio Hamza” – Esclarecimento da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (ABAS) à Sociedade

A ABAS – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ÁGUAS SUBTERRÂNEAS, permaneceu em silêncio esperançosa que essa fosse mais uma “barriga” jornalística que passasse pouco a pouco sem maior alarde. Infelizmente isso não ocorreu.

O conceito de, com um pouco de licença poética (todo bom geólogo tem pelo menos um pouquinho de espírito de poeta), um “rio” fluindo lenta, silenciosa e subterraneamente pelos estratos sedimentares da Amazônia, e que algum
método geofísico – detecção de variações de temperatura, no caso, permitisse o visualizar, é por demais fantasiosa.

Contudo, a ideia passada pela reportagem do Guardian, de um rio que vai do Acre até a foz do Amazonas, ao longo de 6000 km, a 4 km de profundidade, ajudando a diminuir a salinidade na sua foz, caracteriza que alguém extrapolou e passou da dose. Isso nos mostra também como funciona os mecanismos de lançamento e divulgação de notícias científicas ou paracientíficas pela imprensa.

A leitura do trabalho original nos mostra que se trata de artigo sobre dados geotermais obtidos em poços na região amazônica, que resultaram na estimativa de fluxos verticais descendentes (recarga ao aquífero), que permitem inferir a ocorrência de fluxos horizontais para descarga do aquífero. O título talvez tenha sido uma escolha oportunista e que, com a entrevista e uma leitura rápida demais do artigo eventualmente levaram, no final, a uma reportagem geológica e hidrogeologicamente equivocada, que acaba causando ceticismo e jogando sombra sobre trabalhos científicos meticulosos que vêm sendo realizada pelos estudiosos e pesquisadores da área de hidrogeologia em todo Brasil.

Esclarecemos que:

- um “Rio”, todos conhecem, é uma massa de água que flui livremente na superfície da terra em um canal natural, um rio possui leito, margens, nascentes e foz;

- Um “AQUÍFERO” é uma formação geológica, porosa ou fraturada, permeável, capaz de armazenar e fornecer água em grande quantidade. Nos aquíferos estão depositadas as maiores reservas de água doce disponível no planeta Terra; e,

- os hidrogeólogos brasileiros conhecem vários aquíferos na região amazônica, sendo um deles, o Alter do Chão, talvez o mais significativo, e, recentemente com bastante divulgação na imprensa.

Portanto, esse dito Rio Hamza não seria em rio, mas sim um aqüífero, com fluxo lento. Esperamos que os estudos continuem e permitam o claro conhecimento do potencial hídrico subterrâneo da Amazônia, possibilitando o seu acesso administrado e que possa vir a gerar riquezas para a sociedade.

Como o autor desse estudo foi questionado por membros da Febrageo – Federação Brasileira dos Geólogos e outros hidrogeólogos e tendo se manifestado sobre as considerações feitas de forma prepotente e arrogante, refutando todas as ponderações colocadas. A ABAS- ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ÁGUAS SUBTERRÂNEAS vem à sociedade para esclarecer e divulgar a verdade dos fatos.

Fonte : ABAS/ novembro 2011

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Amazonas, Rios e Aquíferos, artigo de Mário Wrege

Lançada a idéia de um rio subterrâneo, enorme, existiria sob o rio Amazonas, em trabalho científico em congresso de Geofísica. Causou grande repercussão. É compreensível. Água é imprescindível às atividades humanas e também ao ambiente natural. Além do que, pelos dados do trabalho seria uma reserva de dimensões ciclópicas, teria quatro quilômetros de largura. É muita água.

As descobertas de reservas de água são sempre importantes notícias, mesmo na Amazônia. O mundo aproxima-se de uma situação difícil, se não soubermos administrar o acesso à água. Os meios de comunicação fazem seu papel: divulgam o que o técnico, a fonte, informa. Ironicamente aqui, fonte é o informante, não uma ocorrência de água. De qualquer maneira é de onde brota algo. Tendo enormes reservas de água o Brasil pode tornar-se um fornecedor de água a um mundo sedento. Trará divisas e gerará empregos novos.

Os geólogos brasileiros conhecem bem as estruturas geológicas da Amazônia. Foi publicado, há pouco, a avaliação de uma enorme reserva de água subterrânea lá: o Aquífero Alter do Chão, maior que o já famoso Aquífero Guarani, ocorrendo este no centro-sul da América do Sul. Portanto, causou ainda mais surpresa no meio geológico e hidrogeológico a afirmação de existência do tal rio subterrâneo – como nome e tudo: foi batizado de rio Hamza, em homenagem ao possível descobridor do rio imaginado.

Um rio todos conhecem. É uma massa de de água que flui livremente em um canal natural sob pressão atmosférica. Um rio tem leito, margens, nascente, foz. A superfície da água é visível e é acessível. A foz desemboca em outro corpo de água; um outro rio ou em lago ou mar. Num rio as pessoas podem tomar banho ou velejar. Um rio pode secar ou inundar, pois depende diretamente do regime das chuvas. A reação é imediata; as vezes as pessoas tem que sair as pressas por causa da inundação causada por chuvas intensas. O contato é direto e imediato; na pele.

Um aqüífero poucos conhecem, diretamente. É algo que fica embaixo da terra, sob nossos pés; não o vemos. Mas muitos usam, na verdade, quase todo o mundo. Aqueles que bebem água de poço ou água mineral ou que usufruem das águas termais estão em contato com as água de um aqüífero. Aquífero é uma litologia porosa e permeável capaz de fornecer água em quantidades apreciáveis, úteis. Portanto a água pode acumular-se nos poros e fluir entre os grãos lentamente; pode aquecer-se e adquirir sais minerais. Diferente dos rios que ocorrem localizadamente, no canal, os aqüíferos ocorrem em grandes áreas, espalhando-se em toda a crosta terrestre. Daí porque são muito utilizados. As reservas de águas subterrâneas são muito grandes, sendo a maior reserva de água doce disponível à humanidade.

A água no aqüífero está contida nos poros, nas profundezas da Terra. Para se ter acesso a ela, há que se furar um poço ou captar-se uma nascente. Isto era o que se fazia nas velhas cidades. O abastecimento público era através destas captações de nascentes que eram pontos embelezados da cidade.

O dito rio Hamza não é um rio, é um aqüífero. Espera-se que os estudos continuem e permitam o claro conhecimento deste potencial hídrico, possibilitando o acesso administrado e gerando riquezas e saúde.

*Mário Wrege é hidrogeólogo e pesquisador em Geociências na CPRM – Serviço Geológico do Brasil

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2º CIMAS: de 4 a 6 de outubro de 2011

Carta Aberta sobre o “Rio Hamza”

Uma ideia subjetiva foi apresentada durante o 12º Congresso Internacional da Sociedade Brasileira de Geofísica, no Rio de Janeiro,
e divulgada na mídia no mês de agosto de 2011: “abaixo do Rio Amazonas, no interior das rochas a 4.000 metros de profundidade, haveria um “rio subterrâneo” com 6.000 km de comprimento e 400 km de
largura”.

Tal trabalho seria apenas criticável no âmbito da ciência, se restrito aos círculos acadêmicos. No entanto, para surpresa da comunidade geológica, a comunicação, que estava restrita ao Congresso, foi enviada, provavelmente via release, a inúmeros veículos de divulgação científica e não científica.

A divulgação de um resultado de pesquisa simplista, que usou dados concretos para chegar a conclusões improváveis, inclusive usando definições incorretas, prejudica a divulgação da ciência e desinforma o público. Proveniente de um grupo de pesquisa do Observatório Nacional, a informação correu mundo sob o nome “Rio Hamza”, em alusão a um dos envolvidos na pesquisa. Entretanto, trata-se de uma conclusão precipitada de uma tese de doutorado baseada em dados indiretos – medidas de temperaturas de poços para petróleo perfurados a partir dos anos 1970. Além disso, a conclusão não foi avaliada por pesquisadores independentes e contém uma série de imprecisões de interpretação e de linguagem, ferindo conceitos arraigados nas Geociências.

O rio Amazonas atravessa, de oeste para leste, sucessivamente cinco grandes bacias sedimentares, denominadas Acre, Solimões, Amazonas, Marajó e Foz do Amazonas. Em geologia, “bacia sedimentar” significa uma depressão que, ao longo do tempo, recebe diferentes materiais sedimentares (areia, lama, etc) de uma ou mais fontes. Essas bacias estão preenchidas por uma sucessão de camadas de rochas sedimentares com milhares de metros de espessura. Quando porosas, as rochas contêm água subterrânea, situação comum em bacias sedimentares. Se, além de porosas, as rochas forem permeáveis (os poros interconectados), em geral há fluxo de água subterrânea, normalmente com velocidades medidas em cm/ano. A situação também é normal em bacias sedimentares e os diversos aquíferos das bacias atravessadas pelo Rio Amazonas são conhecidos e vem sendo estudados há tempos pelos geólogos brasileiros.

Uma explicação aceita pela ciência geológica brasileira é de que o “Rio Hamza”, “descoberto” pelos geofísicos do Observatório Nacional, não é um rio, mas um possível fluxo muito lento no interior de um aquífero formado por rochas sedimentares porosas e permeáveis. Mesmo como figura de linguagem, o termo “rio subterrâneo” utilizado por aqueles pesquisadores está absolutamente incorreto para o caso em questão, visto que esse termo é usado, e apenas com cautela, nas situações em que águas fluem através de cavernas. A água não é doce – a essa profundidade trata-se de uma água supersaturada em sais solúveis, ou seja, uma salmoura. Não está comprovada a continuidade do aquífero profundo por 6.000 km, nem se faz ideia se há descarga de suas águas para outras bacias sedimentares próximas. É uma temeridade afirmar, como se fez na Tese em debate, que a água deste aquífero exerceria alguma influência na salinidade de águas marinhas próximo à foz do atual rio Amazonas. A existência de “bolsões de água doce” no oceano Atlântico próximo deve-se à tremenda descarga do Rio Amazonas, cujas águas invadem o mar por muitos quilômetros desde sua foz.

A forma equivocada de divulgação de resultados de pesquisa, ainda preliminares, abala a credibilidade da pesquisa brasileira, como neste caso, em que a “descoberta” de um falso “rio subterrâneo” foi alardeada de maneira precipitada e sensacionalista.

Os signatários desta carta aberta vêm, de forma responsável, contestar as conclusões tomadas como certas, mas que na verdade carecem de qualquer sentido técnico à luz da ciência geológica que se pratica no Brasil e no mundo.

Autores:
Prof. Dr. Celso Dal Ré Carneiro (UNICAMP)
Prof. Dr. Eduardo Salamuni (UFPR)
Prof. Dr. Luiz Ferreira Vaz (UNICAMP)
Prof. Dr. Heinrich Theodor Frank (UFRGS)

Apoio:
Federação Brasileira de Geólogos – FEBRAGEO

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2º CIMAS: de 4 a 6 de outubro de 2011

Ainda o Rio Subterrâneo- Resposta a entrevista do pesquisador Valyia Hamza

Por Everton de Oliveira

A visibilidade gerada pelo tema do rio subterrâneo foi aqui elogiada anteriormente, com as devidas salvaguardas em relação aos conceitos técnicos apresentados.

Entretanto, a discussão merece reparos em vista da discussão técnica apresentada pelos autores em nosso blog. O termo rio subterrâneo foi utilizado erroneamente pelos autores, apesar dos resultados de divulgação terem sido significativos. A comunidade científica que se posiciona contra o uso errôneo de conceitos não é uma minoria de pessoas menos esclarecidas, trata-se da comunidade de hidrogeólogos e demais profissionais afins. Rios subterrâneos em carbonatos, regiões cársticas, são decorrentes da dissolução da formação geológica e abertura de canais, que geram rios subterrâneos de verdade, coisa que os exploradores de cavernas e espeleólogos conhecem bem. E estes existem em quantidade no Brasil, não somente nos países mencionados. Não é o caso do “rio Hamza”. Caso a extensão e características previstas no trabalho dos autores se comprove, trata-se de fluxo em meios porosos (eventualmente fraturados).

Caso o trabalho seja comprovado futuramente, trata~se de um conjunto aquífero, que teria que ser composto por vários aquíferos. Em aquíferos a água encontra-se em estado estacionário? Indefensável.

A discussão técnica a respeito das impropriedades cometidas pelos autores na entrevista atesta que seu conhecimento em hidrogeologia não resiste a uma avaliação leve. Saliento que não estamos questionando a interpretação da modelagem de fluxo de calor. Entretanto, as conclusões foram muito estendidas e entraram por uma área do conhecimento na qual os autores não estão afeitos.

Que os próximos trabalhos de pesquisa sobre a comprovação ou não deste reservatório subterrâneo sejam amparados por profissionais competentes, para que não se mantenha em questionamento o trabalho dos autores.

Para conferir a íntegra da entrevista do pesquisador Valyia Hamza para o Blog Era da Água, CLIQUE AQUI

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2º CIMAS: de 4 a 6 de outubro de 2011

Pesquisador Valyia Hamza esclarece dúvidas sobre descoberta do Rio Hamza

A descoberta do “rio subterrâneo” Hamza, localizado a 4 mil metros de profundidade do Rio Amazonas alastrou-se rapidamente na mídia nacional e mundial e trouxe à tona o rico meio ambiente subterrâneo brasileiro. O Blog Era da Água entrevistou Valyia Hamza, coordenador do trabalho de doutoramento de Elizabeth Pimentel, pesquisadora do Observatório Nacional que conduziu o estudo, para esclarecer algumas dúvidas quanto ao termo utilizado “rio subterrâneo”, que está dividindo a comunidade científica no Brasil e no exterior. Acompanhe a entrevista:

Era da Água- A descoberta do Rio Hamza considera um rio subterrâneo (água fluindo por rochas porosas) abaixo do fluxo do Rio Amazonas. O que difere este rio subterrâneo de um aquífero?

Valyia Hamza- O termo “aquífero” implica em uma região onde a água subterrânea permanece em estado estacionário. Em nosso trabalho não encontramos um aquífero, mas regiões onde há fluxos verticais e por inferência fluxos laterais. Utilizamos o termo “rio” no sentido genérico, pois na região Amazônica há três modos de transporte de umidade, referidos aqui como:
- rios atmosféricos (que depende das condições meteorológicas e padrões climáticas locais);
- rios superficiais (determinada pela precipitação e drenagem pluvial);
- rios subterrâneos (determinada pelas taxas de infiltração no solo e fluxo laterais em meios permeáveis).

Era da Água- Como foi calculada a dimensão aproximada do Hamza (6 mil quilômetros)? Como chegaram a esta afirmação?

Valyia Hamza- A metodologia utilizada depende da disponibilidade de dados de temperaturas de poços profundos. As áreas de bacias sedimentares foram consideradas como indicadores aproximados das áreas afetadas por fluxos subterrâneos.

Era da Água- Como se concluiu sobre a conexão entre todos os estratos permeáveis que ele percorre, afinal, a geologia muda dos Andes até a foz do Amazonas?

Valyia Hamza- Os métodos geofísicos potenciais (gravimétrico, magnéticos, elétricos) são insensíveis às variações litológicas que ocorrem em pequenas escalas. Os métodos sísmicos também apresentam dificuldades em identificar camadas com espessuras muito finas. Isso também é válido para métodos geotérmicos. Contudo, mudanças que ocorrem em escalas maiores podem ser identificadas nos resultados. No nosso trabalho os fluxos observados são insensíveis às alterações litológicas em microescala. Como o meio geológico é altamente heterogêneo, isso não apresenta dificuldades nas avaliações dos resultados em escalas regionais. Observamos vestígios térmicos de movimentos descendentes de águas em toda extensão do pacote sedimentar, alcançadas pelos poços.

Era da Água- Qual o fator que determina que a água, nesta profundidade seja doce e não salinizada?

Valyia Hamza- A salinidade (de modo geral a dissolução de minerais) das águas depende do tempo disponível para interações entre o fluido nos poros e a matriz rochosa. Águas dos aquíferos que permanecem relativamente imóveis facilitam atuação de reações químicas, contribuindo para a dissolução de minerais.
Águas em movimento inibe a dissolução química. Tem ainda, outro fator que contribui para baixa salinidade (mineralização): a infiltração quase contínua de águas superficiais ao longo do todo percurso – desde a bacia de Acre até a bacia de Marajó. Essas infiltrações intermediárias atenuam ocorrências de graus elevados de salinidade.

Era da Água- Como chegaram à conclusão que o rio descoberto além de desaguar no oceano, diminui os níveis de salinidade no mar?

Valyia Hamza- A salinidade de águas do rio e de fluxo subterrâneo tende a ser baixa em relação aquelas do mar (que gira em torno de 35000ppm). A mistura desses dois tipos de águas contribui para alteração de salinidade do mar, nas adjacências da zona de descarga. Ocorrências de baixa salinidade na região de Foz de Amazonas é muito conhecida. Contudo, a contribuição (ou seja efeito de diluição) do fluxo subterrâneo se manifesta em zonas mais distantes da área costeira.

Era da Água- Em sua opinião, porque a comunidade científica brasileira está renegando o termo utilizado “rio subterrâneo”?

Valyia Hamza- Não é toda comunidade, apenas alguns setores / grupos menos esclarecidos. As ocorrências de rios subterrâneos já foram constatadas, (geralmente em terrenos cársticos) em Filipinas, México e Itália. Geralmente, a palavra “rio” é usada para indicar fluxos de águas de descargas pluviais. Contudo a palavra “rio” é definida como fluxo de material (sólido ou liquido). Temos rios de dinheiro, sangue, lavas, etc. Justifica-se, portanto uso do termo “rio” para o fluxo em ambientes subterrâneos.

Era da Água- Se comprovada a dimensão exata do Rio Hamza, pode-se dizer que sua quantidade de água subterrânea é maior do que a superficial, por meio do Rio Amazonas?

Valyia Hamza- Sim. O volume de água presente no meio subterrâneo é maior que o volume de água do Rio Amazonas. No entanto, a vazão do Rio Amazonas é maior que a do fluxo subterrâneo.

O Blog Era da Água agradece Valyia Hamza pelos esclarecimentos aos leitores e à Elizabeth Pimentel pela colaboração.

Larissa Stracci/ ArtCom Assessoria de Comunicação, para o Blog Era da Água.

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2º CIMAS: de 4 a 6 de outubro de 2011

Subterranean Amazon river ‘is not a river’

By Richard Black
Environment correspondent, BBC News

A subterranean river said to be flowing beneath the Amazon region of Brazil is not a river in the conventional sense, even if its existence is confirmed.

The “river” has been widely reported, after a study on it was presented to a Brazilian science meeting last week.

But the researchers involved told BBC News that water was moving through porous rock at speeds measured in cm, or inches, per year – not flowing.

The underground flow is nothing like those sometimes found in caves

Another Brazilian expert said the groundwater was known to be very salty.

Valiya Hamza and Elizabeth Tavares Pimentel, from the Brazilian National Observatory, deduced the existence of the “river” by using temperature data from boreholes across the Amazon region.

The holes were dug by the Brazilian oil company Petrobras in the search for new oil and gas fields, and Petrobras has since released its data to the scientific community.

Using mathematical models relating temperature differences to water movement, the scientists inferred that water must be moving downwards through the ground around the holes, and then flowing horizontally at a depth of several km.

They concluded that this movement had to be from West to East, mimicking the mighty Amazon itself.

A true underground river on this scale – 6,000km (4,000 miles) long – would be the longest of its kind in the world by far.

But Professor Hamza told BBC News that it was not a river in the conventional sense.

“We have used the term ‘river’ in a more generic sense than the popular notion,” he said.

In the Amazon, he said, water was transported by three kinds of “river” – the Amazon itself, as water vapour in atmospheric circulation, and as moving groundwater.

“According to the lithologic sequences representative of Amazon [underground sedimentary] basins, the medium is permeable and the flow is through pores… we assume that the medium has enough permeability to allow for significant subsurface flows.”

Glacial progress

The total calculated volume of the flow – about 4,000 cubic metres per second – is significant, although just a few percent of the amount of water transported by the Amazon proper.

But the speed of movement is even slower than glaciers usually display, never mind rivers.

And whether water really is transported right across the region in this way is disputed by Jorge Figueiredo, a geologist with Petrobras.

“First of all, the word ‘river’ should be burned from the work – it’s not a river whatsoever,” he told BBC News.

The underground flow could be confirmed with coastal measurements, scientists suggest

Water and other fluids could indeed flow through the porous sedimentary rock, he said, but would be unlikely to reach the Atlantic Ocean because the sedimentary basins containing the porous rock were separated by older rock deposits that would form an impermeable barrier.

“But the main problem is that at depths of 4,000m, there is no possibility that we have fresh water – we have direct data that this water is saline,” said Dr Figueiredo.

“My colleagues and I think this work is very arguable – we have a high level of criticism.”

End of the affair?

Press reports suggested Professor Hamza was optimistic about confirming his results over the next few years using more direct methods.

But, he said, this was not the case.

“It is well known that geothermal methods are better suited for determining flows with [such small] velocities,” he said.

“At lower velocities, experimental techniques may pose considerable difficulties.”

It may be possible to examine directly sediments transported into the Atlantic by the subterranean flow, he said, noting that a zone of relatively fresh water extends into the ocean near the mouth of the Amazon.

The research – Indications of an Underground “River” beneath the Amazon River: Inferences from Results of Geothermal Studies – was presented at the 12th International Congress of the Brazilian Geophysical Society in Rio de Janeiro, and has not been published in a peer-reviewed scientific journal.

The team has named the underground flow the “Hamza River”.

BBC News

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2º CIMAS: de 4 a 6 de outubro de 2011

Rio subterrâneo na Amazônia divide comunidade científica

Cientistas brasileiros afirmam ter descoberto rio subterrâneo de 6 mil quilômetros, mas afirmação é contestada por geólogo da Petrobras

Cientistas no Brasil afirmam ter descoberto um enorme rio de 600 km correndo sob a Bacia Amazônica, mas outros cientistas acreditam que se trate apenas de água correndo entre as rochas subterrâneas. Desde a “descoberta” do Rio Hamza, apresentada por cientistas brasileiros no Observatório nacional na semana passada, pesquisadores ao redor do mundo agora se perguntam se viram apenas parte da Amazônia, uma região conhecida por sua rica biodiversidade e sua beleza.

Elizabeth Tavares Pimentel e Valiya Hamza encontraram o rio coletando amostras de variações de temperatura em 241 poços abandonados perfurados na Amazônia pela Petrobras nos anos 1970 e 1980. Se o rio, localizado entre dois ou quatro quilômetros abaixo da superfície, for tão grande quanto os cientistas acreditam, o Hamza pode ser revelar o maior rio subterrâneo do mundo.

“É fascinante do ponto de vista científico”, diz Michael Coe, líder do Programa da Amazônia no centro de pesquisa Woods Hole nos Estados Unidos, que estudou a região por 12 anos. “Há mais coisa acontecendo do que vemos sobre a superfície”.

Embora enorme em tamanho, o rio subterrâneo provavelmente concentra menos de 3% da água que corre pelo Rio Amazonas, diz Coe. “Não se trata de um rio nos sentido de água correndo por um tubo, mas sim de água fluindo por rochas porosas. A maior parte da água ainda está na superfície”.

Jorge Figueiredo, um geólogo da Petrobras com longa experiência na Amazônia desdenha das afirmações de que a concentração subterrânea de água poderia ser considerada um rio. “Os autores do estudo chegaram a essa conclusão com base na temperatura das rochas, mas temos dados que apontam contra essa possibilidade”. Ele não acredita que a descoberta tenha bases científicas. O estudo surgiu de uma apresentação em uma conferência, e não foi analisado por outros cientistas em publicações da área. “Parece bobagem”, diz Figueiredo. A variação da temperatura, uma importante parte da teoria dos pesquisadores “pode ser fruto de vários diferentes fatores”, afirma.

O Rio Hamza pode ser enorme, mas a água que corre por ele se move devagar. Cerca de 133 mil m³ de água correm pela Amazônia a cada segundo, enquanto o fluxo do rio subterrâneo foi estimado em 3900 m³/s. Já em largura, o Amazonas pode chegar a 100 km, enquanto o Hamza tem uma largura entre 200 e 400 km. Mas o tamanho do rio indica que ele dificilmente mantém um fluxo contínuo, diz Figueiredo.

Seis mil quilômetros (o aparente tamanho do rio) é quase a largura completa da América do Sul”, disse Figueiredo à Al Jazeera. As formações rochosas subterrâneas não são inteiramente conectadas, o que diminui as possibilidades de um rio contínuo. O geólogo não acredita que a água subterrânea deva ser considerada um rio.

Cientistas ainda não sabem precisar o que a descoberta significa para questões ecológicas mais amplas. “Essa descoberta poderia contribuir para desacelerar a salinização dos ambientes próximos ao litoral”, diz Coe. Se a água é fresca, como afirmam alguns cientistas, isso poderia afetar os ecossistemas litorâneos como manguezais e marismas.
Figueiredo não acredita que é impossível que água fresca estivesse a uma profundidade tão grande. Provavelmente, bactérias e outros pequenos organismos seriam as únicas formas de vida capazes de sobreviver na águas a essa profundidade, diz Coe.

Na pior das hipóteses, a descoberta ressalta a existência de vários recursos naturais desconhecidos na Amazônia, diz Rafael Cruz, um ativista do Greenpeace no Brasil. “A comunidade científica irá se pronunciar a respeito dessa nova descoberta, e isso será importante nas discussões sobre preservação”.

*Texto traduzido e adaptado pelo Opinião e Notícia

Fontes: Al Jazeera – “‘Huge underground river’ found below Amazon”

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2º CIMAS: de 4 a 6 de outubro de 2011

Novo rio subterrâneo na Amazônia pode ser o maior do mundo

Indícios da existência de um rio subterrâneo, com a mesma extensão do Rio Amazonas, que estaria a 4 mil metros abaixo da maior bacia hidrográfica do mundo, foram divulgados neste mês em um estudo realizado por pesquisadores da Coordenação de Geofísica do Observatório Nacional (ON), no Rio de Janeiro.

O Rio Hamza nasce no Peru, na Cordilheira dos Andes, mesma região que o Rio Amazonas. “Essa linha de água permanece subterrânea desde sua nascente, só que não tão distante da superfície. Tanto que temos relatos de povoados daquele país, instalados na região de Cuzco, que utilizam este rio para agricultura. Eles sabem desse fluxo debaixo de terrenos áridos e por isso fazem escavações para poços ou mesmo plantações”, afirmou o pesquisador do pesquisador indiano Valiya Hamza do Observatório Nacional.

Lagoa McIntyre, no alto da Cordilheira dos Andes no Peru: principal nascente do Rio Amazonas (Foto: Reprodução/TV Globo)

O fluxo da água deste rio segue na vertical, sendo drenado da superfície até dois mil metros de profundidade. Depois, próximo à região do Acre, o curso fica na horizontal e segue o percurso do Rio Amazonas, no sentido oeste para o leste, passando pelas bacias de Solimões, Amazonas e Marajó, até adentrar no Oceano.

“A água do Hamza segue até 150 km dentro do Atlântico e diminui os níveis de salinidade do mar. É possível identificar este fenômeno devido aos sedimentos que são encontrados na água, característicos de água doce, além da vida marinha existente, com peixes que não sobreviveriam em ambiente de água salgada”, disse.

Características

A descoberta é fruto do trabalho de doutorado de Elizabeth Pimentel, coordenado por Hamza. Ela indica que o rio teria 6 mil km de comprimento e entraria no Oceano Atlântico pela mesma foz, que vai do Amapá até o Pará. A descoberta foi feita a partir da análise de temperatura de 241 poços profundos perfurados pela Petrobras nas décadas de 1970 e 1980.

“A temperatura no solo é de 24 graus Celsius constantes. Entretanto, quando ocorre a entrada da água, há uma queda de até 5 graus Celsius. Foi a partir deste ponto que começamos a desenvolver nosso estudo. Este pode ser o maior rio subterrâneo do mundo”, afirma Hamza.

“Não é um aquífero, que é uma reserva de água sem movimentação. Nós percebemos movimentação de água, ainda que lenta, pelos sedimentos”, disse o pesquisador cujo sobrenome batizou o novo rio.

Rio Hamza, descoberto por pesquisadores brasileiros, fica bem abaixo do Rio Amazonas, que corta a região Norte do país, a quatro mil metros de profundidade (Foto: Rede Globo

De uma ponta a outra

Apesar de ser um rio subterrâneo, sua vazão (quantidade de água jorrada por segundo) é maior que a do Rio São Francisco, que corta o Nordeste brasileiro. Enquanto o Hamza tem vazão de 3,1 mil m³/s, a do Rio São Francisco é 2,7 mil m³/s. Mas nenhuma das duas se compara a do rio Amazonas, com 133 mil m³/s.

“A velocidade de curso do Hamza é menor também, porque o fluxo de água tem que vencer as rochas existentes há quatro mil metros de profundidade. Enquanto o Amazonas corre a 2 metros por segundo, a velocidade do fluxo subterrâneo é de 100 metros por ano.

Outro número que chama atenção é a distância entre as margens do Hamza, que alcançam até 400 km de uma borda a outra, uma distância semelhante entre as cidades de São Paulo e o Rio de Janeiro.

“Vamos continuar nossa pesquisa, porque nossa base de dados precisa ser melhorada. A partir de setembro vamos buscar informações sobre a temperatura no interior terrestre em Manaus (AM) e em Rondônia. Assim vamos determinar a velocidade exata do curso da água”, complementa o pesquisador do Observatório Nacional.

Fonte: Globo Natureza

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