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Daerp tenta reduzir desperdício de 42% da água potável

Mais 68 poços serão monitorados com sistema eletrônico até o fim deste ano; hoje, 30 já têm supervisão

Na tentativa de reduzir a perda de água potável durante o processo de distribuição, que supera a casa dos 40%, o Daerp (Departamento de Água e Esgotos de Ribeirão Preto) prevê monitorar mais 68 poços de abastecimento até o fim deste ano. Tudo para que água limpa deixe de ser desperdiçada.

Atualmente, cerca de 30 unidades são controladas a distância pela chamada Central de Controle de Operacional (CCO).

Mesmo assim, a própria autarquia reconhece que muito do que é captado e tratado acaba sendo desperdiçado. O índice estimado é de 42% de perda de água captada do Aquífero Guarani na cidade por ano.

O último levantamento divulgado pelo Instituto Trata Brasil apontava que a perda chegava a 46%, baseado em números de 2009 do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, feito pelo Ministério das Cidades.

O superintendente do Daerp, Joaquim Ignácio Costa Neto, explica que o projeto de monitoramento de mais poços marcará investimento na ordem de R$ 4 milhões. “Com o monitoramento os técnicos conseguem acompanhar o nível dos reservatórios, a vazão da água bombeada e até desligar o equipamento da central, sem precisar se deslocar até os poços”, diz.

O último poço que passou a ser monitorado pelo Daerp fica na sede do Sesc, no Centro.

Como funciona

Pelo sistema em funcionamento, os dados são emitidos para a CCO por meio de uma antena instalada no alto do poço.

Os técnicos conseguem acompanhar o que ocorre no abastecimento em uma tela de computador. Segundo Costa Neto, antes do início do monitoramento, a autarquia registrava perda de água ainda maior devido à falha humana.

“O funcionário não passava no poço para averiguar se a bomba estava ligada ou não. Se ele não fosse, por algum motivo, a água ficava vazando do reservatório”, afirma.

A central funciona durante as 24h, com a supervisão de três funcionários, que se revezam em turnos.

Vazamentos ‘invisíveis’

Outra estratégia para fechar as torneiras foi adotada em 2010, quando uma empresa foi contratada para averiguar vazamentos “invisíveis” em 150 quilômetros de rede de distribuição.

“Estamos contratando para este ano uma pesquisa para auxiliar na correção dos vazamentos em mais de 1,5 mil quilômetros, totalizando assim 100% da rede pública”, diz Joaquim Ignácio da Costa Neto, superintendente do Daerp.

Segundo ele, a empresa tem impermeabilizado desde 2010 oito reservatórios públicos de concreto que apresentavam problemas com vazamento em suas paredes.

Costa Neto afirma que outra forma de perda de água envolve as adulterações nos hidrômetros residenciais. “Consumidores furam a cúpula do hidrômetro e bloqueiam o medidor. Eles também deformam o aparelho ao danificar a relojoaria interna”, explica. Ao menos 100 casos de fraudes são registrados por mês em Ribeirão. Fiscalizações foram intensificadas para combater a prática.

Desperdício em números

O Daerp capta 89 milhões de metros cúbicos de água por ano em Ribeirão Preto. A captação ocorre em 103 poços espalhados pela cidade.

Entretanto, apenas 51 milhões de metros cúbicos são faturados pelo Daerp. Esse volume todo é distribuído para 200 mil ligações, incluindo os consumidores residenciais, comerciais e industriais.

“70% das casas dos consumidores pagam até 30 metros cúbicos de água por mês”, diz o superintendente da autarquia, Joaquim Ignácio Costa Neto.

O grande desperdício de água faz Ribeirão ser prejudicado no ranking de saneamento básico que é feito levando em conta os dados coletados em 81 cidades do país.

No último ranking, referente ao ano de 2009, Ribeirão foi a sexta melhor do país, mas poderia ser ainda melhor se não despediçasse 46% da água captada à época. Franca, por exemplo, perdia apenas 17% da captação, sendo a terceira melhor. Santos, que foi a primeira, perdia 14%.

Fonte: Jornal A Cidade

Suíça ajuda China a administrar água

A indústria suíça está tentando mexer seus peões para ajudar a China a gerenciar seus recursos hídricos. Escassez e poluição são os maiores desafios ambientais para o gigante asiático

Pequim promete regular o acesso à água potável para 300 milhões de habitantes rurais (swissinfo).

Ma Jianguo ostenta um sorriso desdentado, mas radiante. O agricultor de 71 anos sempre viveu com sua esposa em um vilarejo na província de Hebei, a cerca de uma centena de quilômetros ao norte de Pequim.

Aposentadoria não faz parte do vocabulário do velho chinês, que não recebe nenhuma pensão e diz viver com um salário anual de um pouco menos de 900 dólares. No entanto, Ma Jianguo está feliz. “A vida é muito melhor do que na época das comunas populares ou da revolução cultural”. Mas ainda há um grande problema: “nunca chove!”

Falta água no vilarejo de Ma Jianguo. Para irrigar, é preciso cavar o poço cada vez mais fundo, mais de 100 metros. Cada ano, as bombas d’água funcionam sem parar, inchando a conta de energia elétrica.

Ironicamente, o povoado está situado nas margens do açude Guanting, um enorme lago artificial cujas ondas azuis são um insulto para os agricultores. “Foi proibido tirar água do açude”, dizem os moradores. É que essa água é destinada apenas para a cidade de Pequim, apesar do açude ficar no território de Hebei.

Diversos problemas

O problema de Ma Jianguo é a falta de água (swissinfo).

No sul do povoado fica o deserto. O vento empurra para lá a areia da Mongólia, que se acumula, formando dunas enormes a poucos quilômetros da capital. O local ilustra os problemas enfrentados pela China na gestão da água: seca, desertificação, distribuição injusta, poluição (a água do açude é de má qualidade). Com mais de 21% da população mundial, mas menos de 7% dos recursos hídricos do planeta, a empreitada promete ser imensa.

A Suíça pretende se impor com seu know-how na questão. Algumas empresas do país já estão bem presentes, outras começam a partir à conquista deste enorme mercado. Por iniciativa da Câmara de Comércio Suíça-China, um fórum foi realizado em abril, em Pequim, para promover as empresas suíças. Cinco delas puderam assim expor seus produtos na China.

“É um começo”, disse Lars Willi, diretor da Trunz Waters System AG, uma empresa nova de St. Gallen (leste) especializada em instalações solares destinadas ao tratamento da água de pequenos povoados. “É o nosso primeiro contato com a China. Pudemos nos encontrar com o vice-ministro dos recursos hídricos, e dois ou três participantes do fórum pareciam interessados”, diz o empresário, que gostaria de ver seus produtos equipando os remotos vilarejos do Tibet, da Mongólia, “nas montanhas ou em ilhas”.

Dianteira suíça

A empresa de Zurique Angst + Pfister – na China desde 2006 – distribui no país tubos e conexões de fabricação europeia. A responsável da empresa na China, Jenny Jin, reconhece que a concorrência nativa é feroz. “A qualidade chinesa está melhorando muito, eles estão fazendo tudo para poder cumprir as normas europeias”. Mas do lado custos de produção, “os produtos chineses de alta qualidade não são muito mais baratos. A desvantagem para nós são os impostos de importação. Espero que o acordo de livre comércio (entre a China e a Suíça) entre logo em vigor. Aí então, poderemos trabalhar em um clima de concorrência leal.”

“Nossos concorrentes estão melhorando ano após ano, nada a ver com o que eles faziam há 10 anos. Mas ainda conseguimos nos manter na dianteira pela qualidade do nosso serviço”, disse David Chua, diretor da Hilti Chine. O grupo do Liechtenstein propõe soluções para a manutenção e ampliação de estações de tratamento de água.

Quanto à ABB, que tem uma forte presença na China, seu diretor para o mercado internacional de água, Surendra Muppana, acredita que os produtos suíços, tais como motores elétricos, são mais eficientes que os modelos chineses. “Eles são, talvez, um pouco mais caros para comprar, mas durante um período de dez anos você ganha muito, porque os custos operacionais são muito menores.”

Outra empresa suíça a apresentar seus produtos no fórum, a start-up do Ticino (sul) Hydroswiss oferece pequenas estações de tratamento de água para comunidades de 2000 a 20.000 habitantes. Novamente, o comentário é o mesmo: “somos caros, sim”, admite Roberto Colosio, presidente da Hydroswiss. Segundo o empresário, apesar das comunidades rurais ainda não disporem de recursos suficientes para adquirir seus produtos, as cidades se mostram promissoras. E com a nova lei chinesa de proteção da água, os vilarejos acabarão também cobiçando essas instalações.

Fonte: Swissinfo.ch / Adaptação: Fernando Hirschy

Aquífero baixa dez metros no campus da USP de Ribeirão

Recarga não supre a demanda e bomba de água terá que ser rebaixada em 24 metros

A bomba do poço do campus da USP de Ribeirão Preto terá que ser rebaixada em 24 metros por causa do baixo nível do aquífero Guarani. A reforma é uma prevenção para evitar problema de falta d’água como a que ocorreu na semana passada, quando a universidade ficou dois dias sem abastecimento.

No dia 1º de março a bomba queimou devido ao desgaste natural do equipamento, prejudicando o abastecimento. “As casas mais antigas não têm caixas d’água próprias”, explica o coordenador do campus, José Moacir Marin.

O engenheiro da divisão de manutenção e operação da prefeitura do campus, Eder Roberto Zuchi, afirma que o problema ocorrido na semana passada não tem relação direta com o rebaixamento do aquífero. Porém, o nível estático do poço é preocupante. “Em 2006, quando essa bomba foi instalada, o nível era de 104 metros. Hoje, está em 114. Foram 10 metros em seis anos”, explica. O nível estático do poço é a marca onde se encontra a água quando a bomba está desligada. “A recarga do aquífero não é suficiente em relação à demanda. No campus, a população dobrou nos últimos cinco anos.

O consumo mensal na USP é de 50 mil m³. Para evitar problemas de falta d’água, o campus está investindo no aumento da capacidade dos reservatórios, que passará de 2.500 m³ para 3.000 m³. Além disso, um poço, que está desativado, será recuperado. A previsão é de que seja concluído em 60 dias. “O rebaixamento da bomba demorará um pouco mais por causa da compra do material”, explica o engenheiro.

Fonte: A Cidade (Ribeirão Preto)

Recursos hídricos do semiárido: o imperativo de integrar as políticas regionais

“Apesar dos inequívocos avanços que a nova política de recursos hídricos traz ao país, há um imenso trabalho a ser realizado para a concretização de boas práticas, principalmente de gestão hídrica. Também é necessário promover a integração das políticas regionais, tanto dos recursos hídricos como de outros campos, como o de transportes, da agricultura irrigada, do uso e ocupação de solos”. A afirmação é da engenheira civil Margarida Regueira da Costa, na entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line. De acordo com a pesquisadora, “em complemento aos processos usuais de tratamento de água clássicos, utilizados principalmente pelas companhias de saneamento, diversas técnicas como a utilização de dessalinizadores, a filtração domiciliar, a moringa e a utilização de Aguapé (Eichornia crassipes) são utilizadas no Nordeste principalmente para suprimento de populações rurais difusas”.

Margarida Regueira da Costa é graduada, mestre e doutora em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, com a tese Sustentabilidade hídrica e qualidade das águas: avaliação das estratégias de convivência com o semiárido. É também especialista em saúde pública pela Universidade de Ribeirão Preto – Unaerp. Atualmente trabalha na Superintendência Regional de Recife do Serviço Geológico do Brasil.

Confira a entrevista:

IHU On-Line – Quais são os maiores desafios quanto ao acesso e à gestão da água no semiárido?

Margarida Regueira da Costa – A região semiárida brasileira tem sido caracterizada, desde o início de sua história, pelos problemas relacionados à seca, onde sua fragilidade tornou-se explícita de forma dramática com a grande estiagem de 1877-1879, resultando na mortalidade de quase metade da população dos sertões (a maior do século XIX, a qual causou a morte de aproximadamente 5 % da população brasileira), transformando o Nordeste do Brasil numa região problemática quanto à disponibilidade hídrica.

A partir de então houve um acréscimo significativo da infraestrutura hidráulica e ainda do conhecimento do regime climático e hidrológico do semiárido brasileiro. Todavia, a região ainda apresenta muitas vulnerabilidades caracterizadas pela variabilidade do clima e agravada pelas características geológicas locais, compostas geralmente por solos pouco espessos e rochas do embasamento cristalino, que diminuem o potencial armazenador para formarem reservas subterrâneas, por dificultarem parcial ou totalmente a infiltração das águas, restringirem as descargas subterrâneas e limitarem o desenvolvimento da vegetação.

Área vulnerável

Os solos pouco espessos com pouca ou nenhuma vegetação (caatinga e cerrado) e com o uso inadequado agravam os picos de cheias por causa da sua incapacidade de reter a água da chuva, fazendo com que ela escoe rapidamente para os rios e outros corpos d’água. Essa junção de elementos climáticos adversos produz uma improdutividade quase generalizada. Ademais, a evaporação potencial é muito intensa durante todo ano, particularmente durante a estação úmida. Os componentes de evaporação após as chuvas são maiores do que aqueles provenientes do escoamento superficial e infiltração subterrânea, configurando taxas negativas no balanço hídrico da região. Trata-se, portanto, de uma área vulnerável, em que a sazonalidade interanual das chuvas pode acarretar condições extremas, caracterizando períodos críticos de seca responsáveis pelo êxodo de parte da população.

Outro fator a se considerar é que, além da existência de um cenário climático difícil, persiste ainda o elevado contingente populacional disperso na região semiárida brasileira que se estende pelos Estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe e as regiões norte e nordeste de Minas Gerais.

Como último fator apresentado, tem-se que no meio rural ou em pequenos núcleos da região habitam, atualmente, cerca de 30 % dos seus quase 48 milhões de habitantes, com amplo predomínio dos estratos inferiores com renda per capita baixa. Cabe ressaltar que esse contingente rural situa-se bem acima da média nacional, hoje com taxa de urbanização de 81%, e, principalmente, dos números da região Sudeste, na qual a população rural não chega a 10 % (Banco Mundial, 2003).

IHU On-Line – É possível falar em sustentabilidade hídrica no semiárido?

Margarida Regueira da Costa – A estratégia de desenvolvimento sustentável da região semiárida do Brasil está estruturada a partir das evidências de que, diante da heterogeneidade no que se referem aos recursos naturais, humanos e materiais, bem como das atividades econômicas, as ações têm que ser distintas.

Assim sendo, para vencer os desafios, a estratégia tem que atender a dois tipos de exigências: progredir para o desenvolvimento e as melhores maneiras da convivência com a semiaridez, onde a base dos recursos naturais e do meio ambiente possam ser usados de tal maneira que a produtividade seja capaz de atender às necessidades, preferencialmente crescendo ao logo do tempo. Portanto, as diversas formas de uso da terra e da água devem obedecer ao princípio de que a utilização desses recursos não deve exceder a capacidade de renovação.

A estratégia de desenvolvimento deve também prever iniciativas capazes de contribuir para a transformação e o fortalecimento da economia.

Convivência

A estratégia de convivência deve envolver iniciativas de atendimento imediato às populações mais pobres, apresentando como características fundamentais o sentido e a oportunidade compatíveis com as possibilidades do local. Na prática, significa articular a participação dos setores governamental, privado e não governamental na execução dos Programas de Gestão. Reforça-se ainda que as soluções para os problemas do semiárido precisam ser concebidas, programadas e executadas na perspectiva do desenvolvimento para a “convivência com as secas e a semiaridez”.

Um ponto importante é que as transformações requeridas para o desenvolvimento não podem ser implementadas com rapidez. Sua concretização depende da adequação e da continuidade no tempo e no espaço. Exige, além disso, participação e negociação entre os diferentes agentes do desenvolvimento. A contribuição do setor público é fundamental, mas é necessário considerar que já se conta com um setor privado dotado de capacidade para investir, através de organizações sociais estruturadas em função dos problemas e possibilidades dessa região.

Em relação à sustentabilidade hídrica, é possível sim haver e também fixar o homem ao campo, inclusive nos pequenos núcleos populacionais, porém ainda existe deficiência na gestão da infraestrutura para abastecer as populações das cidades (perdas elevadas nos sistemas de distribuição) e das comunidades dispersas tanto nos sistemas coletivos como poços e dessalinizadores, como nos sistemas unifamiliares como cisternas (grande parte dos mais de dois mil dessalinizadores instalados no semiárido que se encontram parados e diversos poços abandonados).

Integração de esforços

Portanto, apesar dos inequívocos avanços que a nova política de recursos hídricos traz ao país, há um imenso trabalho a ser realizado para a concretização de boas práticas, principalmente de gestão hídrica. Também é necessário promover a integração das políticas regionais, tanto dos recursos hídricos como de outros campos, como o de transportes, da agricultura irrigada, do uso e ocupação de solos. Ações como a transposição das águas do rio São Francisco dependem fundamentalmente do amadurecimento e da integração das políticas públicas.

No que se refere à implantação de soluções apropriadas para o semiárido, é essencial que os investimentos sejam feitos com a participação das comunidades para haver a apropriação por parte dos usuários. O trabalho de esclarecimento e capacitação para o manejo adequado é condição essencial para o sucesso dos empreendimentos. O P1MC (Programa um milhão de cisternas) é um bom exemplo dessa articulação. Ainda assim nota-se que os cuidados recomendados para o manejo das cisternas não são seguidos pela maioria das famílias.

IHU On-Line – Qual é a qualidade da água do semiárido brasileiro?

Margarida Regueira da Costa – Em se tratando da captação da água superficial, a questão de sua qualidade na maioria dos reservatórios é um problema sério, embora os indicadores globais pareçam razoáveis. A presença das cianobactérias em grande parte dos reservatórios analisados é o maior problema para seu uso no abastecimento de água.

Com relação à captação de água subterrânea, verifica-se que parcela expressiva da região semiárida está sobre o embasamento rochoso (rochas cristalinas), condicionando os poços a limitações tais como: baixas vazões de produção e teores significativos de sais dissolvidos que limitam a forma de uso dessas águas, além do alto índice de poços secos (CPRM, 2005). As formações sedimentares encontram-se na forma de manchas difusas, mas têm sido crescentemente aproveitadas para abastecimento de cidades devido à maior capacidade de produção de água e com boa qualidade, embora se encontrem sob os pacotes sedimentares em profundidades mais elevadas.

Nos sistemas convencionais (captação superficial ou subterrânea), após a captação é feito o tratamento, a reservação da água tratada e a distribuição. Esses sistemas atingem prioritariamente as cidades: o atendimento aos distritos e povoados é condicionado à proximidade dos sistemas de reservatórios e estações de tratamento que atendem aos núcleos mais povoados. Por razões técnicas e econômicas procura-se atender às pequenas comunidades na zona rural com os sistemas simplificados. A diferença em relação aos sistemas convencionais reside basicamente no tratamento de água mais simples, normalmente cloração na distribuição, que geralmente se restringe à entrega da água em chafarizes e na operação, usualmente a cargo dos próprios beneficiários.

Em complemento aos processos usuais de tratamento de água clássicos, utilizados principalmente pelas companhias de saneamento, diversas técnicas como a utilização de dessalinizadores, a filtração domiciliar, a moringa e a utilização de Aguapé (Eichornia crassipes) são utilizadas no Nordeste principalmente para suprimento de populações rurais difusas.

IHU On-Line – Quais são as tecnologias apropriadas para garantir o acesso à água aos moradores do semiárido?

Margarida Regueira da Costa – Em relação às tecnologias apropriadas para garantir o acesso à água aos moradores do semiárido, dois fatores devem ser levados em conta:

• o primeiro está relacionado ao tamanho da região, que alcança quase um milhão de quilômetros quadrados, superior ao território de muitos países do mundo;

• e o segundo está associado à presença de uma expressiva população, onde no meio rural ou em pequenos núcleos da região habitam, atualmente, cerca de 30 % da população, possuindo uma renda per capita baixa.

Uma outra questão a se considerar é a definição do tipo de sistema a ser implantado em cada localidade ou da tecnologia apropriada, que depende de fatores tais como: condições locais; aspectos sociais das populações beneficiadas; a existência de fontes hídricas; e de parâmetros como qualidade das águas, topografia, distribuição geográfica dos consumidores e alcance do atendimento pretendido.

Assim, em relação aos sistemas convencionais, existem os de captação de água superficial e os de captação de água subterrânea, descritos a seguir.

– Sistemas convencionais: captação de água superficial

A acumulação da água em açudes para posterior utilização em exploração agrícola nas regiões áridas e semiáridas é uma técnica que tem sido usada há muitos séculos, desde o ano 950 a.C. Na região Nordeste os primeiros açudes foram construídos na implantação dos engenhos na Zona da Mata para desviar as águas dos riachos que forneciam energia hidráulica aos moinhos. Posteriormente foram adotados em toda a região, em virtude da presença do escudo cristalino (rochas cristalinas) que aflora em grande parte da superfície, proporcionando escoamentos superficiais maiores do que a porção da água que se infiltra. Porém, apesar da técnica ter sido difundida com a colonização do sertão, foi nas secas de 1925, 1922 e 1940 que ocorreu o momento da expansão desse tipo de estrutura hídrica, onde foram construídos pequenos e grandes reservatórios.

Os pequenos reservatórios sem nenhuma função de regularização, os chamados barreiros, foram espalhados aos milhares em toda a região, onde apresentam uma evaporação média de 18% do volume médio afluente anual. Os grandes açudes foram construídos pelo poder público, nos diversos estados do Nordeste, em bacias hidrográficas de maior porte, porém em pequeno número com capacidade de regularização plurianual da ordem de milhões de m³.

Os reservatórios com capacidade entre 10.000 e 20.000 m³ representam hoje 80% dos corpos d’água, tendo como fator importante a ser considerado a evaporação elevada, que pode chegar a 40% da água acumulada.

Em 1995, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente do Estado de Pernambuco – SECTMA/PE, com o suporte de imagens de satélite, realizou um trabalho visando levantar o número de açudes por bacia do estado de Pernambuco, estimando seus respectivos volumes, cujo trabalho registrou a presença de quase 13 mil açudes de diferentes portes.

– Sistemas convencionais: captação de água subterrânea

Em relação à perfuração de poços, trata-se um dos processos mais utilizados para suprimento de água, estimando-se que várias dezenas de milhares tenham sido construídas no Nordeste, sendo uma parcela expressiva na região semiárida, onde a maior parte da região possui rochas cristalinas, condicionando os poços às limitações como baixas vazões de produção e teores significativos de sais dissolvidos, dificultando o fornecimento para uso humano, além do alto índice de poços secos. Onde ocorrem as porções sedimentares, os poços são muito mais bem aproveitados para abastecimento de cidades no semiárido, devido à maior capacidade de produção de água tanto com relação às vazões produtivas como pelo fato de possuírem os padrões de potabilidade determinados pelos órgãos responsáveis.

Os sistemas convencionais de abastecimento são aqueles destinados ao suprimento de água a partir de captações em mananciais subterrâneos, reservatórios de acumulação, arranjos mistos – águas subterrâneas e superficiais, ou ainda diretamente no curso de água, fornecendo água tratada e destinada ao consumo humano. Após a captação é feito o tratamento, a reservação da água tratada e a distribuição.

No Nordeste os sistemas convencionais atingem prioritariamente as cidades: o atendimento aos distritos e povoados é condicionado à proximidade dos sistemas de reservatórios e estações de tratamento que atendem aos núcleos mais povoados. Por razões técnicas e econômicas procura-se atender às comunidades rurais por meio de formas mais simplificadas de abastecimento.

IHU On-Line – Como a senhora avalia a utilização de cisternas nas residências?

Margarida Regueira da Costa – Fazendo uma avaliação antropológica da utilização de cisternas nas residências do estado de Pernambuco, observei uma melhoria da qualidade de vida da população, em especial das mulheres em função do número de horas que eram desperdiçadas diariamente na coleta de água (com uma qualidade em geral bastante inferior). Em relação à satisfação com a alternativa, verifiquei o que já demonstravam os números do programa P1MC (um milhão de cisternas), em que a cada dia mais famílias solicitam a construção de cisternas em toda a região semiárida do Brasil.

No estudo de avaliação técnica sobre o uso de cisternas, no qual utilizei subcritérios como o correto dimensionamento e a avaliação da qualidade das águas, pôde-se verificar que, em algumas localidades da região rural do estado de Pernambuco, as cisternas não supriam as necessidades de uma família com 5 pessoas, com um consumo de 20 l/hab.dia e uma área de telhado de 40 m2 durante todo o ano. Já em outros locais mostravam capacidade de suprir uma família por um ano.

Um fato importante observado foi que todas as cisternas monitoradas eram de placa de cimento de forma cilíndrica, coberta e semienterrada. O telhado de todas as casas era de material cerâmico (telha canal).

Quanto à origem da água armazenada nas cisternas, verificou-se que tinham as mais variadas procedências: chuva, carro-pipa, chafariz público ou uma mistura (carro-pipa, chafariz, chuva e rede pública). Essa prática de não armazenar somente água da chuva em cisterna vem sendo comum nas comunidades do semiárido nordestino.

No levantamento efetuado, apesar das famílias afirmarem realizar o tratamento da água com cloro, a maioria das águas analisadas apresentou-se fora dos padrões de potabilidade para consumo humano. Os resultados apontaram para a necessidade de se efetuar o tratamento da água de beber de forma adequada, que pode ser realizado por meio de capacitação dos agentes atuantes e das famílias beneficiadas em cada comunidade.

Para o estado de Pernambuco, os estudos mostraram falhas de até 83,9% no tempo para retirada de 100 litros diários, o que comprovou a incapacidade de manutenção do padrão de consumo recomendado pela ONU. Apenas para 6 municípios, possivelmente pelas condições de microclima, seria viável a implantação de 3 ou 4 cisternas por domicílio. Foi feita também uma análise similar para padrão de consumo diário de 50 litros diários. Nessa análise, observou-se melhor funcionamento das cisternas, onde apenas 34 municípios apresentaram falhas em mais de 30% do tempo.

IHU On-Line – Como vê a proposta do governo federal de substituir as cisternas de placa por cisternas de plástico?

Margarida Regueira da Costa – As cisternas de plástico foram muito divulgadas anos atrás, porém não aprovadas na prática, pois consistiam em forrar um buraco de paredes inclinadas com uma lona de plástico forte, às vezes protegida por uma fina camada de tijolos e reboco para prevenir danos mecânicos. Apesar disso, costumavam apresentar vazamentos causados por cupim ou tatus, razão pela qual foram praticamente abandonadas. As do Ministério da Integração são muito boas, fechadas, sem vazamentos, com menos riscos de contaminação. O problema é que não geram o emprego da população do local. Mas seguindo o ritmo de cisternas de placa não chegaremos nunca a um número expressivo. Sou a favor, mas não é qualquer cisterna de plástico.

Fonte: IHU Online/ Mercado Ético

Marília: Em oito anos prefeitura perfura só um poço e não entrega à população

Obra deveria beneficiar 40 mil moradores da região leste

Poço perfurado desde o ano passado aguarda ligação - Foto: Paulo Cansini

A construção do poço profundo da represa Cascata iniciada em junho do ano passado, com previsão de conclusão no início desse ano está paralisada. Este é o único poço perfurado pela prefeitura em oito anos.

Com isso a falta d´água na região leste prossegue causando transtornos aos moradores. Conforme apurou ontem a reportagem do Diário o poço está com a perfuração concluída desde o final do ano passado, porém não possui ligação para abastecimento de água. Nenhum funcionário trabalha no local. Enquanto isso não há previsão para término da obra que depois de concluída deveria beneficiar cerca de 40 mil moradores.

A professora Cristiane Pandolfi, 37, está desapontada com a paralisação da obra, pois a falta d´água na região é frequente prejudicando a limpeza da casa, lavagem de roupas e higiene básica. “Hoje (ontem) faltou água em casa, já reclamei, os funcionários do Daem vieram até a minha casa, mas eles alegam que não podem fazer nada. É complicado à população ficar sem água nesse calor”, relata Cristiane.

A dona de casa, Miranda Alves, 62, também mostra indignação com o abandono. Miranda afirma que no último ano o problema do desabastecimento na região se intensificou e no verão a situação está insustentável. “Já teve dia que ficamos muitas horas sem água. A conclusão do poço era nossa esperança. Pelo visto vai ficar para outra gestão tentar solucionar este caos”.

A reportagem entrou em contato com o secretário de Obras, Antonio Carlos Nasraui para falar sobre o assunto, mas não obteve retorno.

A obra tem custo aproximado de R$ 4,3 milhões. Pelo projeto, a água que será obtida através do aquífero será suficiente para realizar o abastecimento de aproximadamente 7.500 residências por dia, o que equivale a retirada de até 300 metros cúbicos de água por hora. O poço tem estimativa de profundidade de aproximadamente 1.200 metros.

Vazamentos irritam e causam desperdício

A rua Belizário Bonifácio de Almeida, no Jardim São Francisco, zona norte da cidade, possui três vazamentos de água e um deles persiste há pelo menos seis meses. Os moradores dizem que nada adianta entrar em contato com o Daem (Departamento de Água e Esgoto de Marília) já que a solicitação não é atendida.

Segundo o estudante Roberto Tamura, 27, os vazamentos demonstram o quanto não há investimento na solução destes problemas. Ele também cita as frases sobre racionamento e economia de água que são divulgadas na cidade e não condizem em nada com o desperdício perceptível nas ruas da cidade.

“Eles incentivam a economia do líquido, mas tenho amigos que moram em bairros mais afastados e que sofrem com falta d’água. Sabemos que em vários pontos da cidade as pessoas têm dificuldade até para tomar banho e aqui os vazamentos se multiplicam”.

No último mês, outros dois canos de água romperam acrescentando mais desperdício na mesma rua a poucos metros um do outro. A dona de casa Cecília Moraes, 38, não se conforma com a situação. “Acho um tremendo descaso esse desperdício que com certeza vem para as nossas contas de água”, disse.

Prefeitura ainda não licenciou barragem  

A prefeitura ainda não providenciou a conclusão da licença ambiental necessária para dar prosseguimento às obras da barragem do Ribeirão dos Índios.

A medida é uma das exigências do TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) firmado entre prefeitura e MPF (Ministério Público Federal).

Reunião para falar sobre o assunto está agendada para próxima segunda-feira (13) às 14h na Procuradoria da República.

Os documentos que regularizam as desapropriações da área da barragem foram entregues. Mas segundo a procuradoria faltam as licenças ambientais para regularização do local.

O secretário municipal do Meio Ambiente, Mário César Vieira Marques, não confirma e diz que a obra já possui licença ambiental e ao contrário explica que somente estavam pendentes os documentos de desapropriação.

Antes com cronograma final previsto para 2014, agora com abertura de nova licitação a conclusão da obra está estimada somente para 2015.

Falta d’água também atinge zonas norte e sul  

A falta d’água dos bairros da zona norte tem prejudicado os moradores já que o abastecimento vem sendo cortado no início da manhã e só é normalizado durante a madrugada.

A auxiliar de serviços gerais, Joice dos Santos Barbosa, 31, moradora do Jardim Renata relata que todos os dias após o trabalho precisa passar pela fonte para conseguir água para lavar a louça, cozinhar e para família toda tomar banho. “Mesmo cansada depois de um dia de trabalho, passo por aqui para garantir a água que todo mundo em casa vai usar até amanhã”.

No mesmo bairro, a dona de casa Maria Alves, 54, relata que a água é cortada por volta das 12h e os moradores que não possuem caixas d’água têm que armazenar o líquido em baldes. “Eu costumo encher o tanque para alguma eventualidade”.

Na zona sul não é diferente e a dona de casa Aparecida Moreira, 59, acorda cedo para lavar roupa e armazenar água para cozinhar e lavar a louça do almoço. “Antes do meio dia já não tem mais e o jeito é guardar nos baldes para não faltar no restante do dia”.

Fonte: Diário de Marília

Diretor da Coppe/UFRJ defende criação de centro de prevenção de vazamento de óleo no mar

O diretor de Tecnologia e Inovação da Coordenação de Programas de Pós-Graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), Segen Estefen, disse, no dia 1/2, à Agência Brasil que o primeiro vazamento na área do pré-sal, ocorrido em 31/1 em um poço operado pela Petrobras na Bacia de Santos, reforça a necessidade de criação, no país, de um centro de monitoramento e prevenção de acidentes no mar. A sugestão da academia já foi encaminhada ao Ministério de Minas e Energia.

A Petrobras dispõe de nove Centros de Defesa Ambiental (CDA) que atuam no combate a vazamentos de óleo e outras emergências no mar. São os CDAs do Rio de Janeiro, de Macaé, São Paulo, da Bahia, do Sul, Centro-Oeste, Rio Grande do Norte, Maranhão e da Amazônia. Segundo informou a assessoria de imprensa da estatal, “os centros estão à disposição também para atender a outros acidentes com outras empresas, não só de petróleo”.

A Petrobras informou ainda que, embora não disponha de uma unidade específica de prevenção de acidentes no mar, essa preocupação está presente em todos os órgãos operacionais. “Não tem um centro específico para isso, mas o próprio Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes) tem áreas que estudam isso”, esclareceu a estatal.

Segen Estefen avaliou, porém, que é preciso ter procedimentos bem definidos de prevenção que possam ser usados ao longo dos próximos anos. “A produção de petróleo vai se intensificar, a probabilidade de vazamentos vai aumentar e nós temos que ter um grupo de especialistas focados nesse assunto”, defendeu ele. Embora o volume de óleo vazado na Bacia de Campos tenha sido pequeno, estimado em 25,5 mil litros, e tenha ocorrido longe da costa (a 250 quilômetros de Ilhabela, em São Paulo), “isso não deve servir de consolo para que nós não façamos nada”.

Reforçou que o Brasil tem de desenvolver procedimentos adequados para minimizar os impactos dos vazamentos e, também, para estancá-los. Para isso, precisa ter profissionais trabalhando de forma contínua, que priorizem a proteção ambiental.

O centro deverá ser coordenado pela Coppe, mas estará aberto à participação de pesquisadores e especialistas de outras instituições. E vai se articular com programas de pesquisa e desenvolvimento dedicados às questões ligadas ao meio ambiente marítimo. “Além da vigilância que devemos ter do mar, através de imagens de satélite, que hoje já estão disponíveis na Coppe, nós temos que dar ênfase à maior confiabilidade dos equipamentos e das operações ligadas à exploração e produção de petróleo no mar”.

Fonte: Reportagem de Alana Gandra, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate

Povo culpa falta de água por morte

Moradores da Comunidade Santa Clara, em Marituba, organizaram um protesto na manhã de sexta-feira (9) pela morte de Luís Antônio da Silva, soterrado na terça-feira (6), enquanto cavava um poço com cerca de 20 metros de profundidade. O corpo do homem de 24 anos foi resgatado na madrugada de quinta, após 40 horas de trabalho do Corpo de Bombeiros.

Os manifestantes atribuem à falta de água a causa do acidente. A passagem não conta com sistema de abastecimento. Uma das soluções encontradas era um poço comunitário, construído em uma área cedida pela prefeitura. Entretanto, o poço já estava sem uso há duas semanas devido à queima da bomba hidráulica. Luís Antônio da Silva havia sido contratado por um vizinho para fazer as escavações de um poço particular.

“Cerca de 70 famílias dependiam daquele poço. Se a prefeitura tivesse consertado a bomba, nada disso teria acontecido. Enquanto não for resolvida essa situação, mais acidentes como esses podem acontecer”, diz Márcio Roberto Manaços, presidente da Associação de Moradores da Comunidade Santa Clara.

Pressionado pela população, que ameaçava fechar a BR-316, o secretário de Obras do município, Pedro Paulo Bezerra, foi ao encontro dos manifestantes. Após muito bate-boca e gritaria, foi prometida a construção de um novo poço e o conserto da bomba hidráulica pela prefeitura. “O problema de abastecimento no bairro é antigo. Mas a culpa não é só da prefeitura, já que o abastecimento de água é uma concessão da Cosanpa”, afirma. As obras estão previstas para começar daqui há dez dias.

OUTRO LADO

Em nota, a Cosanpa afirmou que a Passagem Bom Jardim (comunidade Santa Clara), próximo à Estrada da Pirelli, assim como 22 duas passagens adjacentes, não fazem parte da sua área de cobertura.

Entretanto, diz a nota, o Sistema Beija-Flor/Cosanpa, que abrange aquele perímetro, “está contemplado com melhorias e expansão de rede de distribuição de água no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), e as obras de expansão da rede chegarão à passagem Bom Jardim”. A nota não divulga uma data para as reformas.

De acordo com a Outorga de Direito de Uso e Cobrança pelo Uso da Água, Lei 9.433 de 08 de janeiro de 1997, o uso das águas subterrâneas é de domínio estadual. Para quem pretende fazer extração de água subterrânea, é obrigatório solicitar à Secretaria do Estado de Meio Ambiente (Sema) uma autorização prévia para perfuração. Mas existem exceções, como o uso de água subterrânea para pequenos núcleos populacionais (até 4  subterrâneas, perfuração 00 pessoas, em meio rural).

No caso da Comunidade Santa Clara, o hidrogeólogo Manfredo Ximenes Ponte, superintendente regional de Belém do Serviço Geológico do Brasil (CCRM/SGB), confirma a hipótese de negligência. “A escavação desse poço poderia ter sido muito mais segura se houvesse o uso de manilhas, para escorar as paredes do poço. Isso é barato e facilmente adquirido. Por falta de recursos ou instrução esse rapaz não as utilizou”.

Fonte: Diário do Pará

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