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Barão de Mauá: um terço deve ser evacuado

Por Nicole Briones

A Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) deve pedir a evacuação de 524 apartamentos do Condomínio Residencial Barão de Mauá. O número corresponde a quase um terço dos moradores do condomínio construído sobre solo contaminado, onde havia um antigo lixão industrial até os anos 1980. Das 54 torres que compõem o conjunto habitacional, a recomendação da companhia será a remoção de todos os moradores na parte térrea de 43 torres, além da evacuação integral de 11 torres ocupadas. O residencial tem 1.728 apartamentos.

A previsão é de que dentro de duas semanas a Cetesb e o Ministério Público emitam o parecer oficial sobre o laudo para recuperação do terreno, apresentado pela Cofap (Companhia Fabricadora de Peças). Responsável pela contaminação da área, a empresa foi comprada pela Magneti Marelli, do Grupo Fiat. A Cofap responde a processo juntamente com as empresas Administradora e Construtora Soma, SQG Empreendimentos Construções e Paulicoop Empreendimentos Imobiliários.

De acordo com o gerente do Setor de Gestão de Recursos para Investigação e Remediação de Áreas Contaminadas da Cetesb, Rodrigo César de Araújo, a remoção dos moradores dos térreos é necessária para a execução das intervenções no local. “A área precisa passar por um processo de remediação e, enquanto não é recuperada, a Cetesb recomenda o afastamento também dos moradores desses 11 prédios”, afirmou. Para Araújo, há risco para as famílias que vivem no condomínio. “O principal é a possibilidade de o metano se confinar em algum lugar. Apesar de não ser tóxico, pode ocasionar uma explosão, já que é inflamável.”

O metano é o poluente de maior concentração no terreno.  No entanto, outros gases também contaminam o solo do Barão de Mauá. “A pessoa pode ficar exposta a um contaminante a vida inteira e não manifestar nenhuma enfermidade. Por outro lado, algumas pessoas podem sofrer algum mal mesmo com baixa exposição. O risco é potencial”, alertou Araújo. Em 2004, a Cofap instalou um sistema de drenagem no solo para liberação dos gases. Porém, o sistema é insuficiente, de acordo com a Cetesb.

Para a coordenadora da comissão de moradores do Barão de Mauá, Wanessa Bomfim, a remoção de famílias dos apartamentos deve gerar polêmica. “Os moradores entendem que precisam colaborar, mas o que vai acontecer com essas pessoas? Nós não sabemos o que fazer”, ponderou.  A partir da manifestação oficial da Cetesb e do Ministério Público, as empresas devem executar o projeto de recuperação.  Caso não cumpram o acordo, poderão ser multadas novamente pela companhia de saneamento.

Ação civil está emperrada na Justiça

A ação civil pública movida pelo Ministério Público pedindo a penalização das empresas envolvidas na construção do Barão de Mauá continua emperrada na Justiça. No início do ano, a comissão que representa os moradores foi a Brasília para buscar auxílio do Conselho Nacional de Justiça.

O caso deve ser incluído no programa Justiça Plena, que visa acelerar a resolução de processos. O Ministério do Meio Ambiente também se comprometeu a acompanhar o caso. Além disso, uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o caso foi aprovada na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Indenização – A reivindicação dos moradores é de que as empresas paguem o ressarcimento no valor do imóvel, além de indenização por danos morais. “Ninguém quer ficar no condomínio, as pessoas só querem ter o dinheiro de volta para comprar outro imóvel”, ressaltou o advogado das famílias, José Luiz Corazza.

Cresce inadimplência e condomínio vai aumentar

Além dos riscos que a contaminação do solo no condomínio Barão de Mauá oferece, os moradores agora têm outra preocupação. Isso porque o valor do condomínio vai sofrer aumento novamente, de R$ 200 para R$ 240. O motivo é o crescimento do número de moradores inadimplentes.

Moradora há seis anos do residencial, a dona de casa Sonia Tartarini reclamou do aumento. “Aumentam a taxa, a gente paga pelos inadimplentes e os prédios não recebem nenhuma benfeitoria”, argumentou. A multa para quem pagar após o vencimento, que é no dia 30, será de R$ 40.  Calcula-se que o condomínio abrigue 1.700 famílias, ou cerca de 7 mil pessoas.

Outra reclamação crescente é a insegurança no Barão de Mauá. “Como ninguém consegue vender os apartamentos, os proprietários começaram a alugar os imóveis, o que faz aumentar nossa insegurança. Nunca sabemos quem é morador mesmo”, afirmou Sonia.

A atendente Maria de Lurdes Queiroz afirmou que já cogita vender seu apartamento, mas teme a desvalorização que afeta o imóvel. “Hoje, um apartamento aqui de 70 metros quadrados é vendido por R$ 100 mil. E como fazemos para vender se até hoje não temos a escritura das nossas casas?”, questionou.

Fonte: Site ABCD Maior

Aumenta a contaminação em áreas da bacia PCJ

Região é a segunda em pior situação no Estado, segundo a Cetesb

Tambores com resíduos colhidos para sondagem em terreno do bairro Mansões Santo Antônio (Foto: Leandro Ferreira/AAN)

O número de áreas contaminadas na Bacia Hidrográfica dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) cresceu 26,8% em 2010 na comparação com o ano anterior e passou a ter 552 locais que precisam de ações de remediação. A região do PCJ é a segunda mais crítica do Estado de São Paulo, atrás apenas dos municípios das Bacias do Alto Tietê, que têm 1.778 locais. Entre as dez áreas de contaminação mais graves do Estado, duas estão na Bacia PCJ: Mansões Santo Antonio, em Campinas, e o Aterro Mantovani e Cetrin, em Santo Antonio de Posse. Os vilões da contaminação em todo o Estado são os postos de combustíveis.

O relatório mostra que os locais que concentram o maior número de registros de contaminação de solo e água coincidem com os polos de desenvolvimento econômico do Estado. No total, os municípios paulistas somam 3.675 áreas contaminadas. Apenas 24,6% delas foram reabilitadas. Na Bacia PCJ, só 19 locais passaram por recuperação para poderem ser utilizados.

De acordo com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), essas áreas se caracterizam por ter, comprovadamente, poluição ou contaminação causadas por qualquer substância ou resíduos que nelas tenham sido depositados, acumulados, armazenados, enterrados ou infiltrados de forma planejada, acidental ou mesmo natural.

Nessa área, os poluentes ou contaminantes podem concentrar-se em subsuperfícies nos diferentes compartimentos do ambiente, como no solo, nos sedimentos, nas rochas, nas águas subterrâneas ou até nas paredes, nos pisos e nas estruturas de construções. Os poluentes ou contaminantes podem ser transportados a partir desses meios, propagando-se por diferentes vias — ar, solo ou águas subterrâneas e superficiais —, alterando suas características naturais ou qualidades e com impactos negativos ou riscos para a saúde humana e para os bens a proteger, localizados na própria área ou em seus arredores.

A predominância de áreas contaminadas relacionadas a postos de combustíveis, segundo a Cetesb, deve-se à resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) que estabeleceu a obrigatoriedade de licenciamento para essa atividade, o que permitiu, a partir da avaliação do passivo ambiental, identificar locais com problemas de vazamento de combustíveis e desencadeou uma série de procedimentos de adequação. Os vazamentos contaminam solo, subsolo e águas subterrâneas com combustíveis líquidos, solventes aromáticos, metais e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAHS), como são chamados os contaminantes tóxicos gerados por derramamento de petróleo e que têm potencial cancerígeno.

Fonte: Rac.com

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Região de Mogi das Cruzes tem 16 acidentes químicos

A Região respondeu por 8,8% das 184 emergências químicas atendidas pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) no ano passado nas 34 cidades que pertencem à Unidade de Gerenciamento de Recursos Hídricos (UGRHI) do Alto Tietê, a qual engloba a Região Metropolitana de São Paulo. O dado integra o Relatório de Emergências Químicas de 2010, divulgado pela Cetesb e que aponta um total de 461 ocorrências registradas em todo o Estado de São Paulo. Os 16 acidentes ambientais identificados nos municípios de Arujá, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá e Suzano equivalem a 3,5% da soma geral do ano passado e fizeram 115 vítimas, o segundo maior percentual entre as cidades atendidas.

Na Região, Itaquaquecetuba e Suzano contabilizam o maior número de emergências químicas, com seis e cinco ocorrências, respectivamente, que exigiram intervenção da Cetesb. Arujá e Mogi das Cruzes tiveram dois casos e, Poá, um registro. Os problemas decorreram, principalmente, do transporte de produtos químicos e de vazamentos de produtos inflamáveis, os quais geraram contaminações na água, ar, flora e solo.

O relatório da Cetesb dá destaque especial, inclusive com fotos, para a emergência decorrente do rompimento de um duto transportando gasolina no Bairro do Rio Abaixo, em Mogi das Cruzes, região próxima da Volta Fria. A ocorrência foi em setembro de 2010 e causou o vazamento de 180 mil litros de combustível, atingindo o solo, flora, fauna e água. Segundo a publicação, diversas famílias precisaram ser evacuadas, num total de 31 pessoas, em razão do risco de inflamabilidade e do intenso odor que se propagou pela Região. O acidente exigiu a mobilização de técnicos da Cetesb e da Transpetro, responsável pelo duto, além do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Prefeitura, Polícia Ambiental e Delegacia de Polícia.

Apesar da gravidade e da necessidade de remoção de famílias, o acidente não causou nenhuma vítima. No entanto, até hoje as famílias que moram nas proximidades do local do vazamento do duto enfrentam dificuldades e estão impedidas de utilizar a água dos poços, por exemplo.

A Transpetro, subsidiária da Petrobrás, foi multada em cerca de R$ 130 mil e está obrigada a fazer uma investigação detalhada do solo e das águas para mapeamento da pluma subterrânea contaminada, que vai indicar a profundidade do subsolo atingida.

Os dados do primeiro relatório apresentado pela Transpetro após o acidente indicaram que o vazamento de combustível atingiu de três a quatro hectares da várzea do Rio Tietê na região da Volta Fria. Isso significa que a contaminação do solo e da água subterrânea pode ter comprometido uma área de até 40 mil metros quadrados, o equivalente a quatro campos de futebol.

Vítimas

As 115 vítimas contabilizadas no Alto Tietê foram todas em uma única ocorrência, registrada em abril na cidade de Suzano. Um vazamento de gás num condomínio do Bairro Jardim Fernandes gerou a contaminação do solo e do ar, causando problemas para a população que vive na localidade.

Os dados de 2009 mostram quem o Alto Tietê também registrou 16 emergências químicas, com a diferença de que nesse ano foram apenas duas vítimas e um total de 177 ocorrências na Região Metropolitana.

Região

As ocorrências registradas no Alto Tietê em 2010 envolveram transporte rodoviário, indústria e postos de combustíveis. Os principais produtos que geraram emergências foram resíduo oleoso, borra de alumínio, tinta, óleo diesel, ácido, hidrogênio, gás e gasolina.

A Região também aparece na classificação de ocorrências registradas nas principais vias terrestres do Estado nos últimos três anos. O destaque, no caso, ficou com a Rodovia Índio Tibiriçá, que liga Suzano ao ABC, e que contabilizou três ocorrências entre 2008 e 2010, sendo duas delas no último ano.

De acordo com a Cetesb, a Região Metropolitana, da qual o Alto Tietê faz parte, registra o maior número de emergências químicas, o que se justifica pelo fato de ser muito populosa e industrializada. O objetivo do levantamento é subsidiar ações para identificação,m prevenção, mitigação e redução dos problemas à saúde da população e ao meio ambiente.

Fonte: O Diário de Mogi

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Shopping em SP entrega relatório sobre contaminação

A empresa Center Norte entregou à Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) o relatório sobre a presença de gás metano em outras propriedades localizadas na região do Shopping Center Norte, na Vila Guilherme, zona norte de São Paulo, e solicitou a prorrogação do prazo para a entrega da investigação confirmatória.

Vários estabelecimentos comerciais construídos na região estão sobre um lixão e o gás metano do material em decomposição poderia causar explosão. Em outubro, o Center Norte foi interditado por 2 dias por causa do risco de explosão e foi reaberto após colocação de drenos.

Esses estudos foram solicitados pela Cetesb no dia 11 de outubro, por conta das suspeitas de contaminação gerada pela disposição de resíduos. O objetivo principal dos estudos é confirmar ou não a existência de contaminação e verificar a necessidade da realização de uma investigação mais detalhada nas áreas. A confirmação da contaminação se dá basicamente pela coleta de amostras e análises de solo ou água subterrânea nas áreas suspeitas.

Segundo a Cetesb, os estudos entregues pela empresa se referem às áreas do hotel Novotel e a loja de produtos esportivos Decathlon. Sobre o terreno do Expo Center Norte, até o momento foi entregue somente o estudo de avaliação da presença de gás.

A empresa Lenços Presidente, também localizada próximo ao antigo complexo do Carandiru, onde no passado recebia resíduos da cidade de São Paulo, atendeu parcialmente à exigência feita pela agência ambiental, entregando um relatório de investigação preliminar (e não confirmatória, como foi solicitado) e estudo de avaliação de gases.

Fonte: Agência Estado

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