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Governo quer pacto nacional para gestão de águas

O governo federal trabalha pela construção de um pacto nacional para gestão das águas, conforme informou Paulo Lopes Varella Neto, diretor da Área de Gestão da Agência Nacional de Águas (ANA). Ele participou nesta quarta-feira (16) de audiência pública na Subcomissão Permanente da Água, ligada à Comissão de Meio Ambiente (CMA).

No pacto, será definida uma agenda conjunta para estados e União, com metas e compromissos para o gerenciamento dos recursos hídricos no país, fortalecendo um modelo de governança descentralizado, participativo e integrado.

– Isso vai demandar muito esforço, mas já existe uma carta [de apoio ao pacto] assinada por todos os secretários estaduais e órgãos gestores – informou.

A necessidade de compartilhamento de responsabilidades na gestão das águas também foi abordada por Oscar de Moraes Cordeiro Neto, professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Faculdade de Tecnologia, da Universidade de Brasília (UnB).

Para ele, o desafio está na harmonização do poder decisório de estados, municípios e União, com o envolvimento da sociedade, na proteção do patrimônio natural do país. O professor fez referência a experiências bem sucedidas de gestão compartilhada, como os 160 comitês estaduais de bacias hidrográficas que foram criados nos últimos 20 anos.

Conforme observou, os recursos hídricos permeiam tanto a agenda econômica, como a ambiental e a social, sendo necessário coordenar as demandas nessas três esferas, em favor do desenvolvimento sustentável.

– A água é uma só, um mesmo rio tem que cumprir essas três agendas – disse, ao classificar como “falsa disputa” a tentativa de sobrepor uma agenda às demais.

No debate, o presidente da subcomissão, Sérgio Souza (PMDB-PR), concordou com a importância de combinar a preservação de recursos com o crescimento da produção, citando a demanda por alimentos e os avanços da agricultura irrigada.

Águas subterrâneas

A integração de políticas e programas também foi considerada relevante para a proteção de aquíferos, cujo uso está sob regulação estadual. De acordo com Humberto de Albuquerque, presidente da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (Abas), as reservas nos aquíferos seriam ainda mais importantes que as águas superficiais, em volume, em qualidade e em distribuição no território.

– Por ser um recurso invisível, é muito mal tratado, ainda hoje – frisou, ao se referir a perfurações clandestinas e contaminações pela falta de saneamento ou uso desordenado de agrotóxicos.

Como são os estados que legislam sobre a exploração de águas subterrâneas, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) apontou possíveis dificuldades de gestão no caso de aquíferos que ultrapassam fronteiras estaduais. Albuquerque observou que, independentemente do tamanho do reservatório, os problemas de mau uso são locais, exigindo soluções que muitas vezes esbarram na falta de profissionais nos municípios.

Ao se referir à seca no Nordeste, Humberto de Albuquerque se disse “estarrecido” com a recorrência de situações de emergência pela falta de água, em especial no Piauí, “um dos estados mais ricos em água subterrânea”.

– A Abas tem proposto a criação de campos de produção de água, como existem campos de produção de petróleo, para disponibilizar água dos aquíferos para abastecimento, principalmente para populações difusas e de baixa renda – disse.

 Fonte: Agência Senado

Artigo – Gestão das Águas: ‘Enxugando’ gelo

Por Jetro Menezes*

São Paulo, a maior cidade da América Latina, deveria servir de modelo de gestão pública para todas as outras cidades brasileiras. Mas, ao menos em relação à forma como preserva e trata sua água, vem mostrando mau desempenho. Talvez tenha se esquecido de, nas últimas décadas, levantar questões como: de que maneira a dinâmica urbana interfere no meio ambiente local, especificamente na gestão das águas? Quem consome mais água no Município? Como essa água é tratada? De onde vem o controle do uso, o tratamento do esgoto e a preservação e minimização dos mananciais na Cidade?

Para responder a essas perguntas, que um dia todos os moradores se fazem, fui atrás de pesquisas sobre a questão e resolvi expor aqui o material impresso produzido pela Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, em conjunto com o Instituto de Pesquisa Tecnológica (IPT) e o PNUMA[1], denominado GEO Cidade de São Paulo: Panorama do Meio Ambiente Urbano, do ano de 2004.

A grande maioria dos bairros da Cidade de São Paulo e mais 10 municípios da Região Metropolitana (RMSP) são abastecidos pelo Sistema Cantareira, mas a captação das águas deste sistema é feita em outra Unidade de Gerenciamento de Recursos Hídricos (Piracicaba/Capivari/Jundiaí), numa distância de mais de 100 km da capital. Os fatores que levam a essa condição são: a escassez de novas fontes, a queda na qualidade das águas dos mananciais e o aumento da população – cerca de 11 milhões de habitantes, somente no município. Ainda existe o fator perda. Muita água se perde pelo caminho, seja por meio de vazamentos e procedimentos operacionais dos órgãos do serviço público; água utilizada, mas não medida (ex.: Bombeiros); erros na medição nos hidrômetros; água entregue às edificações ou áreas ocupadas sem hidrômetros; água furtada e as crescentes formas alternativas de abastecimentos sem controle sanitário e outorga para o uso. Esses elementos, agindo em uma cultura vigente de desperdício, geram ainda mais pressão sobre o abastecimento de água potável. Outro ponto importante do levantamento é a deficiência de informações oficiais e confiáveis sobre o sistema de abastecimento.

Quanto à produção de esgoto, o Plano Municipal de Habitação (SP, 2004), a partir de dados do IBGE de 2000, indica que 87,23% dos domicílios contam com a coleta de esgoto. Já nas favelas e loteamentos irregulares, a realidade é outra. Na Represa Guarapiranga, a coleta de esgoto nas favelas é da ordem de 58,24% e nos loteamentos irregulares, de 63,53%. Na Represa Billings, a situação assusta. A coleta é feita em 26,96% das favelas e, no caso dos loteamentos irregulares, em 30,42%. Essas comunidades encontraram sua “solução” para o esgoto, o lançamento direto nos córregos, lagos e rios. Os dados revelam ainda que todos os córregos e rios da RMSP estão poluídos. Para saber se a situação melhorou desde a época das pesquisas, basta andar por São Paulo e atestar, a olho nu – ou se preferir, apenas respirando -, que a situação dos rios e córregos em trechos de área urbana continua ruim e lembra a de um paciente terminal. São esgotos a céu aberto. Olhe para o Rio Tietê e o Rio Pinheiros e diga o que sente. Alguns pontos do rio carecem de… água! E se tiverem água, falta oxigênio. Pelo menos na capital paulistana.

Mas o que me surpreendeu na pesquisa foi descobrir que as tubulações que transportam o esgoto coletado se cruzam com as galerias de águas pluviais e ambos são lançados juntos nos córregos. Estamos “enxugando gelo”. Por que nunca se ouviu falar sobre este problema de cruzamento de tubulações que levam esgoto e água de chuva, com tudo o que ela encontra pela frente, para os principais rios da Cidade? Trata-se do principal problema de poluição dos rios em São Paulo! Aliás, constatei também que não existe um contrato formal entre a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) e a Prefeitura de São Paulo para sanar este problema. A Sabesp realiza o abastecimento público de água no município sob regime de concessão informal. Quem fiscaliza o serviço?

Em São Paulo, a água de torneira é tratada pela Sabesp. Não traz problemas para a saúde, salvo nos casos onde a caixa d’água não tem manutenção periódica. Já aquelas captadas em poços profundos e poços cacimba (rasos) e diretamente nos rios, sem outorga dos órgãos responsáveis e sem tratamento, podem trazer doenças. A OMS (Organização Mundial de Saúde) relata que cerca de 80% de todas as doenças que se alastram pelos países em desenvolvimento são provenientes de água de má qualidade. Bebê-la em condições inadequadas gera febre tifóide, salmonelose, disenteria bacilar e amebiana, cólera, diarreia, hepatite infeccional e giardíase. Ingerir água fora dos padrões de qualidade, sem tratamento adequado, pode gerar doenças graves que podem levar a óbito, sendo a diarreia aguda a mais comum. Em 2003, a Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), que analisa e monitora as águas subterrâneas, relatava que, dos 14 pontos monitorados existentes na Cidade, 8 estavam em péssimas condições.

O que fazer para minimizar os impactos negativos na água? Recuperar as áreas degradadas e ampliar a cobertura vegetal em trechos de mananciais é ação básica e obrigatória. Porém, o enfoque central, realizar a desconexão cruzada do sistema coletor de esgoto com o sistema de águas pluviais, depende de uma ação conjunta, necessária e inevitável. É urgente impedir o lançamento de esgoto in natura nos córregos, rios e lagos na Cidade de São Paulo. O futuro acena para nós cobrando um alto custo por não cuidarmos da água de que tanto necessitamos. Ou pensamos nele ou vamos beber esgoto…

Referência bibliográfica:

GEO Cidade de São Paulo: panorama do meio ambiente urbano/SVMA, IPT. São Paulo : Prefeitura do Município de São Paulo, Secretaria do Verde e do Meio Ambiente. Brasília : PNUMA, 2004.

(*) Jetro Menezes, 43 anos, é gestor e auditor ambiental, especialista (Latu Sensu) em Saneamento Ambiental, responsável pela JetroAmbiental Consultoria (www.jetroambiental.com.br). Foi coordenador do Programa de Coleta Seletiva da Prefeitura de São Paulo e atualmente é diretor de Meio Ambiente da Prefeitura de Franco da Rocha e colunista de revista Plurale.

Fonte: Portal Ecodebate

ANA participa da instalação da Subcomissão da Água no Senado

Por Cláudia Dianni

A Comissão de Meio Ambiente do Senado instalou a Subcomissão Permanente de Água em 4 de abril, que foi seguida por audiência pública sobre os resultados do 6º Fórum Mundial da Água, realizado em Marselha, na França, entre 12 e 17 de março. A convocação da audiência foi feita pelo presidente da Subcomissão, senador Sérgio Souza, que participou do Fórum.

Durante a audiência, para a qual foram convocados o diretor-presidente da ANA, Vicente Andreu, e a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, os temas de maior destaque durante o Fórum Mundial da Água foram discutidos com os senadores, entre os quais: a necessidade de aumentar a reservação de água para fazer frente às incertezas das mudanças climáticas, o reforço e aprofundamento dos desafios relativos a água na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) e as possibilidades de governança global do tema água no âmbito da ONU.

Andreu chamou a atenção para o fato de a Agência direcionar esforços e recursos financeiros para diagnosticar e propor ações para planejar o setor de recursos hídricos (e seus múltiplos usos) e citou como exemplo o Atlas Brasil de Abastecimento Urbano de Água, que apontou gargalos e soluções para o abastecimento até 2025. No entanto, ele lamentou o fato de as ações relacionadas ao setor, em todas as esferas de governo, serem adotadas sem consultas ao estudo da ANA, o que reforça a prática de ações sem planejamento, apesar dos esforços da Agência no sentido contrário.

Outro forte tema durante a audiência foi a necessidade de melhorar os números do saneamento básico no Brasil, onde, segundo o IBGE, 61% do esgoto doméstico urbano são coletados e cerca de 30% do que é coletado seguem para tratamento. Também foi discutida a preocupação internacional em valorizar programas de pagamento por serviços ambientais (PSA), como o Programa Produtor de Água, apresentado pela ANA em Marselha. Os senadores mostraram interesse pelo Programa Despoluição de Bacias Hidrográficas (Prodes), que financia o tratamento de esgotos, também apresentado pela Agência em Marselha.

Os senadores presentes discutiram a necessidade de a Comissão de Meio Ambiente e a Subcomissão Permanente de Água acompanharem de perto a evolução e tratamento do tema na sociedade. Para o senador Rodrigo Rollemberg, a participação parlamentar no Fórum Mundial da Água foi uma das mais qualificadas. Ao final do evento, parlamentares de vários países divulgaram a Declaração Parlamentar sobre o Fórum, que, entre outras coisas, se compromete a aumentar e qualificar o tema água nas agendas políticas de seus países.

 Fonte: Boletim Água/ANA

Interáguas investe US$ 143 milhões em ações de desenvolvimento do setor de recursos hídricos

Na tarde da terça-feira (24) a Agência Nacional de Águas (ANA) recebeu em seu auditório representantes dos Ministérios do Meio Ambiente, das Cidades, de Minas e Energia, dos Transportes, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e da Integração Nacional, além de servidores da Controladoria-Geral da União para cerimônia de instalação do Comitê Gestor do Programa de Desenvolvimento do Setor Água, o Interáguas, que prevê investimentos da ordem de US$ 143 milhões.

Durante a abertura, Paulo Varella, diretor da ANA, destacou a importância da articulação entre os entes de governo envolvidos no arranjo institucional do Programa. “É a grande chance que temos de dar um passo a mais no gerenciamento de recursos hídricos, já que ele [o programa] traz em si a força da sinergia”, frisou Varella.

O Interáguas é o sucessor do Programa Nacional de Desenvolvimento dos Recursos Hídricos (Proágua Nacional) e do Programa de Modernização do Setor de Saneamento (PMSS) e tem o objetivo de contribuir para o fortalecimento da capacidade de planejamento e gestão no setor. O Programa terá sua atuação focada em três componentes setoriais: i) Gestão de Recursos Hídricos; ii) Água, Irrigação e Defesa Civil; e iii) Saneamento Básico. Há, ainda, um componente intersetorial, que atuará, prioritariamente, nas bacias hidrográficas dos rios São Francisco e Tocantins-Araguaia.

Com financiamento do Banco Mundial, o Interáguas conta com a atuação direta de três Ministérios para execução, a saber: do Meio Ambiente, por meio da Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano e da Agência Nacional de Águas; das Cidades, por intermédio de sua Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental; e da Integração Nacional, por meio das Secretarias de Infraestrutura Hídrica, Nacional de Defesa Civil e Nacional de Irrigação. Cabe à Agência Nacional de Águas o papel de Secretaria Técnica do Programa e Executiva do Comitê Gestor, empossado ontem.

No rol das ações planejadas encontram assento: a elaboração de um plano de convivência com as cheias na Bacia Hidrográfica do Rio Doce; a implementação do Plano de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica dos Rios Tocantins-Araguaia; metodologias para mapeamento da qualidade da água e dos fatores intervenientes na qualidade e vulnerabilidade dos recursos hídricos; estudos hidrológicos e avaliação ambiental na Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco; o desenvolvimento de instrumentos econômicos para a indústria e irrigação, entre outras.

O Interáguas conta com investimento total da ordem de US$ 143 milhões a serem aplicados no prazo máximo de cinco anos. A próxima etapa do Programa é o envolvimento dos Estados para a identificação de ações passíveis de financiamento via Interáguas.

Mais informações em http://interaguas.ana.gov.br/

Fonte: ANA

Plano de Exploração do Aquífero Rio Branco será continuado pela Cia de Pesquisa de Recursos Minerais

Presidente do Depasa Rio Branco, Felismar Mesquita, e membros do Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (Foto: Assessoria CPRM)

O governo do Estado, por meio do Departamento de Saneamento (Depasa Rio Branco), firmará um termo de convênio com a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) para exploração do Aquífero Rio Branco. A partir desse convênio, uma estrutura operacional menor da companhia poderá ser instalada no Acre.

O superintendente do Depasa Rio Branco, Felismar Mesquita, esteve na superintendência regional da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), em Manaus (AM), para debater sobre o plano de exploração das águas subterrâneas do Acre, que deverá ser apresentado no dia 8 de maio ao governador Tião Viana.

A CPRM já desenvolveu um primeiro plano de gestão para o aquífero, que serviu para identificar o total da área com água subterrânea e sua importância para a população de Rio Branco. O próximo passo será a construção do plano de manejo de exploração do aquífero, com a criação do mapa hidrogeológico, identificação da capacidade e quantidade de poços que serão instalados e monitoramento das áreas de risco.

Para a regulamentação do plano será discutida a base legal, considerando a quantidade de água subterrânea que poderá ser explorada. “A regulamentação servirá tanto para o Estado quanto para as empresas privadas. A realização, os critérios e as condições para exploração, serão analisados e debatidos”, afirmou Mesquita.

Com sede localizada em Brasília, a Companhia de Pesquisas de Recursos Minerais é uma empresa que tem as atribuições de Serviço Geológico do Brasil e tem infraestrutura operacional por todo o país. Atualmente existem três residências da empresa fixadas em Porto Velho (RO), Teresina (PI) e Fortaleza (CE).

As discussões para a elaboração do termo de convênio impulsionaram a possibilidade de uma residência – estrutura operacional menor da CPRM – no Acre. “Podemos aproveitar esse momento para ter pesquisadores e geólogos mais próximos da nossa realidade. Vamos efetivamente ter um posto de atendimento com relação à exploração de recursos minerais no Estado. Isso será colocado em pauta durante a assinatura do convênio”, declarou Mesquita.

Uma pesquisa da CPRM de Manaus destacou que o Acre possui o mineral bauxita. A instalação da companhia no Acre permite que novos estudos sejam realizados. “A CPRM pode contribuir no nosso plano de desenvolvimento. O monitoramento das áreas de risco em relação à alagação, de Rio Branco a Assis Brasil, vales do Juruá e Envira, pode ser analisado, bem como a descoberta de jazidas e o mineral bauxita”, frisou o superintendente do Depasa Rio Branco.

Fonte: Agência Acre

Brasil amplia cooperação internacional na área de recursos hídricos

Por  Cecy Oliveira – direto de Montevideu.

A preocupação comum com a preservação de recursos transfronteiriços tem impulsionado encontros e ações multilaterais entre o Brasil e os países latino-americanos, mesmo que não existam fronteiras diretas compartilhadas, como é o caso do Equador. “Embora não seja país limítrofe, o Equador compartilha recursos hídricos com o Brasil” ressalta o assessor internacional da Agência Nacional de Águas (ANA), Luiz Amore, ao explicar que o avanço que o país atingiu no planejamento, monitoramento e gestão de suas águas está sendo e ainda pode ser melhor aproveitado pelos países vizinhos que ainda não estão totalmente estruturados nesta área.

Um dos grandes projetos conjuntos executados foi o Programa Aquífero Guarani que resultou em um acordo quadripartite de proteção e ao mesmo tempo aprofundou o conhecimento sobre este aquífero que se estende pelo território dos quatro países da região sul do continente: Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai. Outros programas conjuntos beneficiam bacias como a Amazônica e a do Rio da Prata.

“Este know-how brasileiro também está chegando aos países de língua portuguesa e ao BRICS (Brasil, Rússia, China e África do Sul) informa Amore. Também o México vem trocando experiências no que se refere a estatísticas (indicadores) e codificação de bacias.

O assessor da ANA informa, também, que atualmente todas as bacias hidrográficas brasileiras integram a rede de monitoramento e um sistema de alerta para eventos extremos ligados aos recursos hídricos, sejam secas ou enchentes.

Rede latino-americana

Dispondo já de uma rede de monitoramento hídrico com mais de 5.000 estações conectadas em todo o território nacional o Brasil criou na ANA a chamada “sala de situação” de onde pode ser acompanhada a situação dos principais mananciais e gerar alertas para prevenir os efeitos perversos de eventos extremos. Segundo Luiz Amore ali são modelados os dados recebidos, seja por meio de satélite, celular ou planilhas, e em caso de necessidade repassados à Defesa Civil dos Estados. “A cooperação também acontece com os Estados que estão aperfeiçoando sua estrutura de coleta de dados” explica.

Um dos objetivos é que uma rede hidrometeorológica possa futuramente cobrir toda a América Latina uma vez que, como ressalta o assessor, “as águas e o clima não respeitam fronteiras políticas”.

Fonte: Boletim Água Online

Especialistas buscam rumos para a água subterrânea

Por Cecy Oliveira, cobertura Especial direto de Montevideu.

Um país como o Uruguai, cujas bacias hidrográficas são compartilhadas com outros países, é o cenário propício para abrigar, durante três dias, especialistas na área de recursos hídricos de 18 países na busca de soluções que ajudem a formatar propostas e modelos para tornar mais efetiva a governança, especialmente sobre a água subterrânea.

Como deixaram claro vários dos palestrantes do primeiro dia de atividades da consulta regional para a América Latina e Caribe do projeto Governança das Águas Subterrâneas: Um Marco Global para Ações Locais, que se realiza em Montevidéu (Uruguai) com promoção do Fundo da ONU para o Meio Ambiente (GEF), Unesco, por meio do Programa Hidrológico Internacional, FAO, AIH e Banco Mundial com apoio do Governo do Uruguai, há necessidade de tornar visível este recurso que permanece escondido no subsolo. “Se já é difícil a preservação e valorização das águas superficiais imagine-se o quanto é preciso trabalhar para mostrar a importância das águas subterrâneas” reconhecem os especialistas. Mas é preciso atentar que é sob a terra que estão mananciais que compõem 97% das águas doces do planeta.

Neste etapa do trabalho mais de uma centena de autoridades governamentais, técnicos renomados, representantes de ONGs e outras entidades da sociedade civil, e inclusive dos meios de Comunicação, vão avaliar e oferecer sugestões de ações direcionadas a achar caminhos para prevenir, melhorar e restaurar aquíferos ao redor do mundo permitindo que os usos se tornem sustentáveis.”Precisamos mostrar que em lugar de serem um problema as águas subterrâneas podem ser a solução para muitas cidades que hoje já enfrentam problemas de abastecimento” destacou o geólogo Ricardo Hirata, da USP (SP).

Ao abrir o evento a ministra de Habitação, Ordenamento Regional e Meio Ambiente do Uruguai, Graciela Muslera, lembrou a característica do seu país para a articulação e os acordos, também devido a que tem compartilhado com os países vizinhos como Brasil e Argentina seus recursos hídricos, ao longo de sua história. Recomendou que se busquem fórmulas de dar uma dimensão mais visível à água subterrânea e fazer uso sustentável sob pena de um sério comprometimento do futuro dos países latino-americanos. “Precisamos atuar tendo em vista as fragilidades e ameaças e contar sempre com a participação da comunidade que deve também ser responsável pelos nossos recursos hídricos” assinalou.

O ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Luis Almagro, citou as secas cíclicas que o país e a região sul do continente tem enfrentado lembrando que embora cada problema exija uma solução individualizada há caminhos comuns que podem ser buscados. Encerrando a abertura a diretora adjunta para Ciências Naturais da Unesco, Gretchen Kalonji, disse esperar que a resenha destes dias de trabalho possam incentivar as tomadas de decisão que garantam o uso sustentável das águas subterrâneas.

A esta primeira consulta devem se seguir as demais, abarcando Estados Unidos e Canadá, Europa, Ásia e África. O objetivo é coletar contribuições para o aperfeiçoamento que se encontra agora na fase de diagnóstico.

Previamente a essa reunião os participantes preencheram um questionário que possibilitou levantar os principais problemas e carências de informações, legislação e institucionalização. Enquanto alguns países da América Latina e Caribe já têm arcabouço legal e institucional outros ainda buscam dar os primeiros passos no estabelecimento de uma governança eficiente.

O projeto, no valor de US$ 4,5 milhões e prazo de três anos prevê o levatamento do estado atual – cujo resultado está agora sendo analisado nas consultas regionais – o diagnóstico, ou seja, a complementação da primeira etapa com as contribuições das consultas e a soluções politicamente viáveis para as carências e problemas detectados.

Bons exemplos animam

Um dos exemplos exitosos de gestão da água subterrânea apresentados é o da cidade de Ribeirão Preto onde existe uma regulamentação local para a perfuração de poços e zonas de exclusão.

Outro projeto que obteve boa repercussão foi o do Aquífero Guarani que possibilitou um acordo quadripartite para a proteção das fontes subterrâneas deste aquífero compartilhado pelo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

O diretor da Agência Nacional de Água (ANA), Paulo Varella, revelou que a agência vai dar continuidade aos trabalhos iniciados pelo Projeto Aquífero Guarani, desta vez voltado para as zonas de afloramento em território brasileiro. Um contrato no valor de R$ 5 milhões acaba de ser assinado pela ANA com a empresa Engecorps para o desenvolvimento do projeto de avaliação da vulnerabilidade natural do Aquífero Guarani em suas áreas de afloramento. Serão levantadas as vulnerabilidades, fontes potenciais de contaminação e gerado um mapa do perigo de contaminação. Além do detalhamento serão desenvolvidas duas áreas piloto, uma no Rio Grande do Sul e outra no Mato Grosso do Sul. O prazo do projeto é de 24 meses e envolve os oito estados brasileiros.

Segundo o diretor de Águas Subterrâneas da ANA, Fernando Oliveira, o projeto será desenvolvido em parceria com os Estados. Para objetivar este apoio mútuo está sendo criada uma comissão técnica com representação estadual.

Fonte: Boletim Água Online

Ministra defende agenda integrada para discutir questão dos recursos hídricos no mundo

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse na quarta-feira (4) que é preciso haver uma agenda integrada para discutir as questões dos recursos hídricos no mundo. Ao fazer um balanço do 6º Fórum Mundial das Águas, que ocorreu no mês passado em Marselha, na França, ela defendeu um modelo de gestão estratégico-regional sobre a água.

“A questão do clima veio para ficar. Portanto, é preciso haver convergência e mobilização em torno do papel que o Brasil desenvolve, cada vez mais, nessa agenda”, disse ao participar de audiência pública no Senado.

Izabella Teixeira acrescentou que a expectativa é que o Brasil sedie o Fórum Mundial das Águas em 2018. “Seria uma oportunidade ímpar de termos uma discussão dessa envergadura, de lidarmos com os recursos hídricos no século 21”, comentou.

Para o presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu, o 6º Fórum Mundial das Águas produziu resultados positivos para o país. “Consolidamos algumas alianças estratégicas – a busca de outro patamar na relação com os países da América do Sul e da América Latina e a possibilidade de fortalecimento na cooperação entre os integrantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)”, informou.

Andreu voltou a defender a criação do Conselho de Desenvolvimento Sustentável para que a água tenha um órgão próprio de discussão dentro das Nações Unidas. “Atualmente, 26 entidades da Organização das Nações Unidas tratam da água, mas nenhuma é a casa da água, são casas de outros temas”, disse.

O Fórum Mundial das Águas ocorre a cada três anos, sob a organização do Conselho Mundial da Água, entidade internacional não governamental. A edição deste ano foi coordenada pelo governo da França, pela prefeitura de Marselha e pelo Conselho Mundial da Água, formado por cerca de 400 integrantes de 70 países.

Fonte: Priscilla Mazenotti/ Agência Brasil

Inovação na governança da água

Artigo de Pedro Roberto Jacobi*

Enquanto o mundo faz as malas para debater economia verde na Conferência Rio+20, uma parte importante da pauta recebe pouca atenção, a governança para essa nova economia.

Ao enfatizar o conceito de governança ambiental, abre-se um espaço para pensar formas inovadoras de gestão, balanceando os vários interesses e realidades políticas; o fator credibilidade, instrumentos que apoiem as políticas, fazendo com que as pessoas acreditem nelas; e a dimensão ambiental. O processo de governança envolve múltiplas categorias de atores, instituições, interrelações e temas, cada um dos quais suscetível de expressar arranjos específicos entre interesses em jogo e possibilidades de negociação, expressando aspectos de utilidade de coletividades, com ênfase na prevalência do bem comum.

O conceito de governança associa-se à implementação socialmente aceitável de políticas públicas, um termo mais inclusivo que governar, por abranger a relação sociedade, Estado, mercado, Direito, instituições, políticas e ações governamentais. A ampliação na difusão do conceito de governança se fortalece a partir do enfraquecimento do Estado e da necessidade de envolver outros setores na formulação e implantação de políticas públicas como forma de legitimar as decisões tomadas. Ao falar de governança, e relacionando-a ao espaço e aos recursos naturais, podemos caracterizá-la como essencialmente centrada numa visão mais democrática, com participação direta dos atores interessados, maior transparência, com forte abertura para as novas tecnologias da informação e comunicação, e soluções organizacionais para assegurar a interatividade entre governo e cidadania.

A governança da água, por exemplo, representa um enfoque conceitual que propõe caminhos teóricos e práticos alternativos que façam uma real ligação entre as demandas sociais e sua interlocução em nível governamental. Geralmente a utilização do conceito inclui leis, regulação e instituições, mas também se refere a políticas e ações de governo, a iniciativas locais, e a redes de influência, incluindo mercados internacionais, o setor privado e a sociedade civil, que são influenciados pelos sistemas políticos nos quais se inserem.

Os três principais fatores que colocam a questão da governança sustentável da água como questão global são: a mudança climática, a liberalização do comércio e a privatização do setor água. Para avançar em direção a arranjos que permitam enfrentar os problemas locais, os desafios estão na promoção da eficiência no uso da água, na garantia de seu uso sustentável, no estímulo ao compartilhamento equitativo da disponibilidade hídrica e na necessidade de promover corresponsabilização face à escassez.

Um dos instrumentos que vem adquirindo destaque no cenário científico é a “pegada hídrica”, desdobramento do conceito de “água virtual”, que diz respeito ao comércio indireto da água que está embutida em certos produtos, especialmente as commodities agrícolas, enquanto matéria-prima intrínseca desses produtos. A inovação do conceito de pegada hídrica, em relação a outros indicadores, é que este mede a utilização de água na produção de bens e serviços, considerando o uso da água e a sua contaminação na cadeia produtiva. Trata-se de um indicador de utilização da água, que observa os usos diretos e indiretos do recurso de um consumidor ou produtor.

A utilização de indicadores de consumo como a pegada hídrica começa a se tornar mais difundida, tanto nos organismos multilaterais, como nas universidades, nas organizações da sociedade civil, e no setor empresarial. Esta nova abordagem reflete uma mudança de estratégia na forma de conceber e manejar o recurso água, enfatizando a valoração da produção baseada no uso eficiente dos recursos naturais como principal instrumento de governança do uso da água.

*Pedro Roberto Jacobi é professor e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental (Procam-USP).

Fonte: Envolverde

Seminário sobre qualidade da água reúne especialistas do setor em SP

Foto: Helcio Nagamine/FIESP

Para marcar a comemoração do Dia Mundial da Água, celebrado ontem, a Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP) realizou um seminário sobre Água e Saúde, com destaque para o alcance da nova portaria do Ministério da Saúde (nº 2.914, de 12/12/11) que adotou novos padrões de qualidade da água fornecida para o consumo humano e seus reflexos na saúde pública.

A programação contou com quatro painéis temáticos, que reuniram empresários, especialistas e autoridades de meio ambiente para debater os seguintes assuntos:

1º Painel: Novos Padrões de Potabilidade da Água: Portaria nº 2.914, de 12 de Dez. de 2011 do Ministério da Saúde.

2º Painel: Condições de atendimento aos novos padrões de potabilidade.

3º Painel: A qualidade da água e a saúde pública: presença de contaminantes emergentes na água e as inúmeras doenças que podem ser transmitidas pelo consumo de água não potável.

4º Painel: A gestão da qualidade da água: o papel das instituições na fiscalização, na gestão da qualidade e proteção dos mananciais.

Everton de Oliveira (Foto: Everton Amaro/FIESP)

O debate sobre os desafios do setor público e privado para atender às exigências da nova Portaria contou com a participação de Everton de Oliveira, autor do Blog Era da Água, que representou a Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (ABAS), da qual é secretário Executivo.

Acesse o link a seguir e confira os dispositivos legais que embasam esta Portaria: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt2914_12_12_2011.html

Fonte: ArtCom Assessoria de Comunicação