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DAEE e DPNM definem competência sobre águas subterrâneas

O DAEE e o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) firmaram dia 2 de maio um Termo de Cooperação Técnica definindo áreas de competência para concessão de outorga para uso das águas do aquífero Guarani e outros aquíferos do Estado de São Paulo. Ligado ao Ministério das Minas e Energia, o DNPM é o responsável pela gestão das águas minerais, termais, potáveis de mesa e destinadas a fins balneários. O DAEE é o órgão gestor dos recursos hídricos de domínio do Estado e tem a responsabilidade de emitir autorização para uso da água subterrânea para outras finalidades, como abastecimento público, uso industrial, irrigação, recreação etc.

O acordo define procedimentos que devem ser implementados pelas duas instituições para aplicação da Resolução 76 do CNRH – Conselho Nacional de Recursos Hídricos (que instituiu diretrizes gerais para a integração da gestão de recursos hídricos e a gestão das águas minerais, potáveis de mesa ou termais). O documento estabelece o compartilhamento de informações entre os dois órgãos e deixa claro a quem o usuário deve se dirigir para solicitar outorga para uso da água subterrânea em função do uso pretendido.

Como pedir

A outorga deve ser solicitada por todo usuário interessado em explorar as águas subterrâneas. A legislação que regula a questão a a documentação necessária para ter acesso à outorga estão disponíveis no site do DAEE (www.daee.sp.gov.br) no item “Outorga e Fiscalização”.

A íntegra do Termo de Cooperação Técnica foi publicada dia 3 de maio no Diário Oficial do Estado – Caderno Executivo 1 – página 53.

Fonte: DAEE

Seminário debate gestão da água no fim de maio

Schroeder – Os principais problemas relacionados à gestão da água serão debatidos sobre seminário regional do Fórum Parlamentar do Aquífero Guarani e das Águas Superficiais, da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, no dia 31 de maio, em Schroeder. O Fórum coordenado pelo deputado Padre Pedro Baldissera está iniciando debates em todo o Estado sobre ações e políticas efetivas para a gestão hídrica.

No dia 9 de abril, na Câmara de Vereadores de Schroeder, um encontro com engenheiros agrônomos e ambientais, técnicos, vereadores, representantes do Comitê Gestor da Bacia Hidrográfica do Rio Itapocu e da Secretaria de Desenvolvimento Regional decidiu pela realização do seminário no dia 31 de maio.

Ele acontecerá no auditório a Associação Empresarial de Schroeder, entre 13h30 e 17h, realização da Câmara de Vereadores e Fórum do Aquífero Guarani/Alesc, organizado pela Avevi, Secretaria Regional, Fujama, Fumdag, Amvali e Comitê Itapocu.

A coordenadora é a bióloga Janete Pedrotti, da SDR.

Fonte: Jornal do Vale do Itapocu

Daerp tenta reduzir desperdício de 42% da água potável

Mais 68 poços serão monitorados com sistema eletrônico até o fim deste ano; hoje, 30 já têm supervisão

Na tentativa de reduzir a perda de água potável durante o processo de distribuição, que supera a casa dos 40%, o Daerp (Departamento de Água e Esgotos de Ribeirão Preto) prevê monitorar mais 68 poços de abastecimento até o fim deste ano. Tudo para que água limpa deixe de ser desperdiçada.

Atualmente, cerca de 30 unidades são controladas a distância pela chamada Central de Controle de Operacional (CCO).

Mesmo assim, a própria autarquia reconhece que muito do que é captado e tratado acaba sendo desperdiçado. O índice estimado é de 42% de perda de água captada do Aquífero Guarani na cidade por ano.

O último levantamento divulgado pelo Instituto Trata Brasil apontava que a perda chegava a 46%, baseado em números de 2009 do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, feito pelo Ministério das Cidades.

O superintendente do Daerp, Joaquim Ignácio Costa Neto, explica que o projeto de monitoramento de mais poços marcará investimento na ordem de R$ 4 milhões. “Com o monitoramento os técnicos conseguem acompanhar o nível dos reservatórios, a vazão da água bombeada e até desligar o equipamento da central, sem precisar se deslocar até os poços”, diz.

O último poço que passou a ser monitorado pelo Daerp fica na sede do Sesc, no Centro.

Como funciona

Pelo sistema em funcionamento, os dados são emitidos para a CCO por meio de uma antena instalada no alto do poço.

Os técnicos conseguem acompanhar o que ocorre no abastecimento em uma tela de computador. Segundo Costa Neto, antes do início do monitoramento, a autarquia registrava perda de água ainda maior devido à falha humana.

“O funcionário não passava no poço para averiguar se a bomba estava ligada ou não. Se ele não fosse, por algum motivo, a água ficava vazando do reservatório”, afirma.

A central funciona durante as 24h, com a supervisão de três funcionários, que se revezam em turnos.

Vazamentos ‘invisíveis’

Outra estratégia para fechar as torneiras foi adotada em 2010, quando uma empresa foi contratada para averiguar vazamentos “invisíveis” em 150 quilômetros de rede de distribuição.

“Estamos contratando para este ano uma pesquisa para auxiliar na correção dos vazamentos em mais de 1,5 mil quilômetros, totalizando assim 100% da rede pública”, diz Joaquim Ignácio da Costa Neto, superintendente do Daerp.

Segundo ele, a empresa tem impermeabilizado desde 2010 oito reservatórios públicos de concreto que apresentavam problemas com vazamento em suas paredes.

Costa Neto afirma que outra forma de perda de água envolve as adulterações nos hidrômetros residenciais. “Consumidores furam a cúpula do hidrômetro e bloqueiam o medidor. Eles também deformam o aparelho ao danificar a relojoaria interna”, explica. Ao menos 100 casos de fraudes são registrados por mês em Ribeirão. Fiscalizações foram intensificadas para combater a prática.

Desperdício em números

O Daerp capta 89 milhões de metros cúbicos de água por ano em Ribeirão Preto. A captação ocorre em 103 poços espalhados pela cidade.

Entretanto, apenas 51 milhões de metros cúbicos são faturados pelo Daerp. Esse volume todo é distribuído para 200 mil ligações, incluindo os consumidores residenciais, comerciais e industriais.

“70% das casas dos consumidores pagam até 30 metros cúbicos de água por mês”, diz o superintendente da autarquia, Joaquim Ignácio Costa Neto.

O grande desperdício de água faz Ribeirão ser prejudicado no ranking de saneamento básico que é feito levando em conta os dados coletados em 81 cidades do país.

No último ranking, referente ao ano de 2009, Ribeirão foi a sexta melhor do país, mas poderia ser ainda melhor se não despediçasse 46% da água captada à época. Franca, por exemplo, perdia apenas 17% da captação, sendo a terceira melhor. Santos, que foi a primeira, perdia 14%.

Fonte: Jornal A Cidade

A centralidade da água na disputa global por recursos estratégicos

As grandes reservas hídricas como a bacia do Congo, Amazonas, o aquífero Guarani ou os grandes lagos de África central coincidem com a existência de grandes populações em expansão e fortes conflitos étnicos e religiosos. Além disso, grande parte dos países desta região se encontram fortemente pressionados pelo sistema financeiro internacional que tenta implantar uma gestão neoliberal dos recursos hídricos.

Por Monica Bruckman

ALAI AMLATINA – Duas visões contrapostas estão em choque na disputa global pela água. A primeira, baseada na lógica da mercantilização deste recurso, que pretende convertê-lo em uma commodity, sujeita a uma política de preços cada vez mais dominada pelo processo de financeirização e o chamado “mercado de futuro”. Esta visão encontra no Conselho Mundial da Água, composto por representantes das principais empresas privadas de água que dominam 75% do mercado mundial, seu espaço de articulação mais dinâmico.

O Segundo Fórum Mundial da Água, realizado em 2000 declarou, no documento final da reunião, que a água não é mais um “direito inalienável”, mas uma “necessidade humana”. Esta declaração pretende justificar, do ponto de vista ético, o processo em curso de desregulamentação e privatização deste recurso natural. A última reunião realizada com o nome de IV Fórum Mundial da Água, em março de 2009, em Istambul, ratifica esta caracterização da água. Um aliado importante do Conselho Mundial da Água foi o Banco Mundial, principal impulsor das empresas mistas, público-privadas, para a gestão local da água.

A outra visão se reafirma na consideração da água como direito humano inalienável. Esta perspectiva é defendida por um amplo conjunto de movimentos sociais, ativistas e intelectuais articulados em um movimento global pela defesa da água, que propõe a criação de espaços democráticos e transparentes para a discussão desta problemática a nível planetário. Este movimento, que não reconhece a legitimidade do Fórum Mundial da Água, elaborou uma declaração alternativa à reunião de Istambul, reivindicando a criação de um espaço de debate global da água nos marcos da ONU, reafirmando a necessidade da gestão pública deste recurso e sua condição de direito humano inalienável [1].

A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, em julho de 2010, a proposta apresentada pela Bolívia, e apoiada por outros 33 Estados, de declarar o acesso à água potável como um direito humano. Como previsto, os governos dos Estados Unidos, Canadá, Austrália e o Reino Unido se opuseram a esta resolução, fazendo que perdesse peso político e viabilidade prática, na opinião de Maude Barlow, ex-assessora sobre água do presidente da Assembleia Geral da ONU [2]. Estes quatro países, e suas forças políticas mais conservadoras, aparecem como o grande obstáculo. O perigo para os operadores da água é grande, certamente, um reconhecimento da água e do saneamento como direito humano limitaria os direitos das grandes corporações sobre os recursos hídricos, direitos consagrados pelos acordos multilaterais de comércio e investimento.

Os governos da América Latina estão avançando no reconhecimento da água como direito inalienável e na afirmação da soberania e gestão pública destes recursos. A Constituição Política do Estado Plurinacional da Bolívia reconhece, em seu artigo 371, que o “a água constitui um direito fundamentalíssimo para a vida, no marco da soberania do povo”, estabelece também que “o Estado promoverá o uso e aceso à água sobre a base de princípios de solidariedade, complementaridade, reciprocidade, equidade, diversidade e sustentabilidade”.

Certamente, a disputa pela apropriação e o controle da água no planeta adquire dimensões que extrapolam unicamente os interesses mercantilistas das empresas transnacionais, colocando-se como um elemento fundamental na geopolítica mundial. Está claro que o planeta necessita urgentemente de uma política global para reverter a tendência do complexo processo de desordem ecológico que, ao mesmo tempo em que acelera a dinâmica de desertificação em algumas regiões, incrementa os fenômenos de inundação produto de chuvas torrenciais em outras. As consequências devastadoras que a degradação do meio ambiente está provocando e a gravidade da situação global que tende a se aprofundar colocam em discussão a própria noção de desenvolvimento e de civilização.

Os aquíferos e a preservação de ecossistemas

Há muito tempo as investigações hidrológicas dos ciclos globais da água vem demonstrando que 99% da água doce acessível do planeta se encontram nos aquíferos de água doce, visíveis nos rios, lagos e capas congeladas de gelo. Estas águas constituem sistemas hídricos dinâmicos e desenvolvem seus próprios mecanismos de reposição que dependem, fundamentalmente, das chuvas. Parte deste caudal se infiltra nas rochas subjacentes e se deposita debaixo da superfície, no que se conhece como aquíferos. Os aquíferos recebem reposição das chuvas, portanto são, em sua maioria, renováveis.

Dependendo do tamanho e as condições climáticas da localização dos aquíferos, o período de renovação oscila entre dias e semanas (nas rochas cársticas), ou entre anos e milhares de anos tratando-se de grandes bacias sedimentares. Em regiões onde a reposição é muito limitada (como nas regiões áridas e hiperáridas) o recurso da água subterrânea pode ser considerado como “não renovável” [3].

Os aquíferos e as águas subterrâneas que os conformam, fazem parte de um ciclo hidrológico cujo funcionamento determina uma complexa inter-relação com o meio ambiente. As águas subterrâneas são um elemento chave para muitos processos geológicos e hidroquímicos, e tem também uma função relevante na reserva ecológica, já que mantém o caudal dos rios e são a base dos lagos e dos pântanos, impactando definitivamente nos habitat aquáticos que se encontram neles. Portanto, os sistemas aquíferos além de serem reservas importantes de água doce, são fundamentais para a preservação dos ecossistemas.

A identificação dos sistemas aquíferos é um requisito básico para qualquer política de sustentabilidade e gestão de recursos hídricos que permitam que o sistema continue funcionando e, do ponto de vista de nossas investigações, é imprescindível para uma análise geopolítica que procure pôr em evidência elementos estratégicos na disputa pelo controle e apropriação da água.

As grandes reservas hídricas como a bacia do Congo, Amazonas, o aquífero Guarani ou os grandes lagos de África central coincidem com a existência de grandes populações em expansão e fortes conflitos étnicos e religiosos. Além disso, grande parte dos países desta região se encontram fortemente pressionados pelo sistema financeiro internacional que tenta implantar uma gestão neoliberal dos recursos hídricos através de seu pessoal técnico para os quais as estações de tratamento de água, reciclagem e construção de mecanismos que evitem a contaminação dos aquíferos são gastos supérfluos [4].

Trata-se de um processo violento de expropriação e privatização do recurso natural mais importante para a vida. Apesar da centralidade da água potável para consumo humano, é necessário assinalar também a importância vital deste recurso para a agricultura, que afeta diretamente a soberania alimentar e para o processo industrial em seu conjunto.

Os maiores aquíferos da Europa se encontram na região euro-asiática, destacando-se, por sua dimensão, a bacia Russa, mais próxima à região polar. A Europa ocidental se vê reduzida a um único aquífero de médio porte, na bacia de Paris. Em quase todos os casos, as reservas de água da Europa padecem de problemas que afetam sua qualidade, o que ampliou drasticamente o consumo de água engarrafada, que se converteu em um item obrigatório na cesta de consumo familiar [5]. A Europa registra, proporcionalmente, a maior taxa mundial de extração de água para consumo humano: do total de água que se extrai, mais de 50% é utilizada pelos municípios, aproximadamente 40% se destina à agricultura e o resto é consumido pelo setor industrial.

A Ásia depende dos grandes aquíferos do norte de China e a Sibéria, mais próxima da região polar. Um dos casos mais graves é o da Índia, que junto com os Estados Unidos, tem uma das taxas mais altas de extração de água subterrânea do mundo.

A América do Sul possui três grandes aquíferos: a Bacia do Amazonas, a Bacia do Maranhão e o sistema aquífero Guarani, que mais parece um “mar subterrâneo” de água doce que se estende por quatro países do cone sul: Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai. Pelo volume das reservas destes aquíferos e pela capacidade de reposição de água destes sistemas, a América do Sul representa a principal reserva de água doce do planeta.

As regiões mais críticas, por ter uma reposição limitada de água (menos de 5 milímetros de chuva por ano), são: o norte de África, na região desértica do Saara; a Índia; a Ásia central; grande parte da Austrália; a estreita faixa desértica que vai da costa peruana até o deserto de Atacama no Chile e a região norte do México e grande parte da região centro-oeste dos Estados Unidos. Nestas regiões, pode-se considerar a água como recurso não renovável. A África sub-saariana, o sudeste asiático, a Europa, os Bálcãs, a região norte da Ásia e a região nor-ocidental da América do Norte registram níveis moderados de reposição de água, entre 50 e 100 mm por ano.

A região de maior reposição de água do mundo é a América do Sul onde, em quase todo o território subcontinental, registram-se níveis de reposição de água maiores de 500 mm/ano, o que constitui o principal fator de abastecimento dos sistemas aquíferos da região. Esta altíssima capacidade de reposição de águas superficiais e subterrâneas é fundamental, não só para o abastecimento de água doce, mas também para a manutenção e reprodução dos sistemas ecológicos e da biodiversidade na região.

Notas

1) Ver: Mabel Faria de Melo. “Água não é mercadoria”. Em: ALAI, 3 de abril de 2009.

2) Ver: Roberto Bissio. El derecho humano al agua. Disponível em

http://alainet.org/active/39769

3) Atlas of Transboundary Aquifers. Global maps, regional cooperation and local inventories. Paris: UNESCO, p. 16.

4) TEIXEIRA, Francisco Carlos. Por uma geopolítica da água. 23 de janeiro de 2011. Disponível em http://www.tempopresente.org/index2.php?option=com_content&do_pdf=1&id=77 ,

5) Ibid.

(*) Ver texto completo em: http://alainet.org/publica/473.phtml da revista “América Latina en Movimiento”, No 473, correspondente a março de 2012 e que tem como tema “Extractivismo: contradicciones y conflictividad”.

(**) Monica Bruckmann é socióloga, doutora em ciência política, professora do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Brasil) e investigadora da Cátedra e Rede UNESCO/Universidade das Nações Unidas sobre Economia Global e Desenvolvimento Sustentável – REGGEN.

Fonte: Carta Maior

Livro mostra importância dos mananciais subterrâneos

As 275 páginas do livro “A Integração das Águas – revelando o verdadeiro Aquífero Guarani”  – oferecem uma excelente oportunidade para que os leitores em geral possam mergulhar nos mistérios e fascínios da água subterrânea. Ele revela a importância do Aquífero Guarani e dos mananciais como fonte de vida e desenvolvimento sem deixar quem folheia suas páginas se sentir intimidado pelo “geoloques” ou aborrecido de, a cada página, ter que ir ao dicionário buscar o significado de palavras que fazem o raciocínio e entendimento tropeçarem.

Com rara maestria os autores Nadia Rita Boscardin Borghetti, José Roberto Borghetti e Ernani Francisco da Rosa Filho aliam a informação precisa e científica com aquela educativa, didática, que vai guiando os leitores não iniciados pelos meandros do mundo encantado da água subterrânea.

O objetivo, expresso na introdução, de além de informações sobre o Guarani para a sociedade em geral oferecer dados sobre a disponibilidade e uso dos recursos do planeta e contribuir para o reconhecimento dessas águas como reserva estratégica e a necessidade do uso racional e da preservação dos recursos hídricos, parece ter sido plenamente atingido.

O sumário executivo, em inglês, amplia o alcance das informações para além fronteiras e oferece um robusto “trailer” do que aguarda o leitor à medida em que as páginas se sucedem.

O primeiro capítulo – Disponibilidade e uso da água – traz aqueles dados básicos e importantes, sempre buscados por estudantes, professores, jornalistas e pela população em geral e que oferecem a base para a compreensão da importância das águas em geral e dão o substrato para que se crie e fortaleça a consciência ambiental de que o planeta tanto precisa. São o be-a-ba de que toda a ONG ambientalista precisa para planejar suas ações de mobilização. Destaque para o link essencial entre os recursos hídricos e o saneamento básico aspecto importante e muitas vezes ausente dos compêndios sobre água subterrânea.

O capítulo 2 – Águas subterrâneas e Aquíferos – oferece noções básicas sobre ocorrência e volume, qualidade e usos das águas subterrâneas, tipos de aquíferos, áreas e reabastecimento e descarga, funções e ocorrências no Brasil e países do Mercosul além de discorrer a respeito dos impactos ambientais sobre os aquíferos.

Os capítulos 3 e 4 – Aquífero Guarani e Aquífero Guarani e o Dsenvolvimento Regional – detalham tecnicamente as características do manancial e destacam aspectos relevantes de aplicações como climatização de ambientes, atividades agroindustriais, industriais e do turismo hidrotermal.

Nas conclusões os autores lembram que “a escolha de uma dieta mais saudável e menos intensiva no uso da água, uma paisagem adequada ao clima e um estilo de vida com menos bens materiais poderão transformar os consumidores de água em gestores de água. Esta conscientização necessita do respaldo da educação ambiental básica com a inserção do tema “água” em todas as disciplinas da grade currícular das redes públicas e privadas de ensino infantil, fundamental e médio. A capacitação de jornalistas e gestores de recursos hídricos certamente contribuiria numa ampla divulgação e informação sobre os problemas hídricos, alertando e esclarecendo sobre a real necessidade dessas mudanças de atitudes”.

A grande contribuição que esta publicação pode dar a uma melhor compreensão do mundo das águas é o fato de poder estar em cada biblioteca escolar, em cada redação de jornal, rádio e tv e nas mãos dos que fazem os fatos se tornarem notícia.

Esta edição do livro A Integração das Águas teve o apoio institucional da Itaipu e da Fundação Roberto Marinho. Informações e pedidos podem ser solicitados pelo e-mail: nrboscardin@yahoo.com.br.

Fonte: Boletim Água Online

Especialistas buscam rumos para a água subterrânea

Por Cecy Oliveira, cobertura Especial direto de Montevideu.

Um país como o Uruguai, cujas bacias hidrográficas são compartilhadas com outros países, é o cenário propício para abrigar, durante três dias, especialistas na área de recursos hídricos de 18 países na busca de soluções que ajudem a formatar propostas e modelos para tornar mais efetiva a governança, especialmente sobre a água subterrânea.

Como deixaram claro vários dos palestrantes do primeiro dia de atividades da consulta regional para a América Latina e Caribe do projeto Governança das Águas Subterrâneas: Um Marco Global para Ações Locais, que se realiza em Montevidéu (Uruguai) com promoção do Fundo da ONU para o Meio Ambiente (GEF), Unesco, por meio do Programa Hidrológico Internacional, FAO, AIH e Banco Mundial com apoio do Governo do Uruguai, há necessidade de tornar visível este recurso que permanece escondido no subsolo. “Se já é difícil a preservação e valorização das águas superficiais imagine-se o quanto é preciso trabalhar para mostrar a importância das águas subterrâneas” reconhecem os especialistas. Mas é preciso atentar que é sob a terra que estão mananciais que compõem 97% das águas doces do planeta.

Neste etapa do trabalho mais de uma centena de autoridades governamentais, técnicos renomados, representantes de ONGs e outras entidades da sociedade civil, e inclusive dos meios de Comunicação, vão avaliar e oferecer sugestões de ações direcionadas a achar caminhos para prevenir, melhorar e restaurar aquíferos ao redor do mundo permitindo que os usos se tornem sustentáveis.”Precisamos mostrar que em lugar de serem um problema as águas subterrâneas podem ser a solução para muitas cidades que hoje já enfrentam problemas de abastecimento” destacou o geólogo Ricardo Hirata, da USP (SP).

Ao abrir o evento a ministra de Habitação, Ordenamento Regional e Meio Ambiente do Uruguai, Graciela Muslera, lembrou a característica do seu país para a articulação e os acordos, também devido a que tem compartilhado com os países vizinhos como Brasil e Argentina seus recursos hídricos, ao longo de sua história. Recomendou que se busquem fórmulas de dar uma dimensão mais visível à água subterrânea e fazer uso sustentável sob pena de um sério comprometimento do futuro dos países latino-americanos. “Precisamos atuar tendo em vista as fragilidades e ameaças e contar sempre com a participação da comunidade que deve também ser responsável pelos nossos recursos hídricos” assinalou.

O ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Luis Almagro, citou as secas cíclicas que o país e a região sul do continente tem enfrentado lembrando que embora cada problema exija uma solução individualizada há caminhos comuns que podem ser buscados. Encerrando a abertura a diretora adjunta para Ciências Naturais da Unesco, Gretchen Kalonji, disse esperar que a resenha destes dias de trabalho possam incentivar as tomadas de decisão que garantam o uso sustentável das águas subterrâneas.

A esta primeira consulta devem se seguir as demais, abarcando Estados Unidos e Canadá, Europa, Ásia e África. O objetivo é coletar contribuições para o aperfeiçoamento que se encontra agora na fase de diagnóstico.

Previamente a essa reunião os participantes preencheram um questionário que possibilitou levantar os principais problemas e carências de informações, legislação e institucionalização. Enquanto alguns países da América Latina e Caribe já têm arcabouço legal e institucional outros ainda buscam dar os primeiros passos no estabelecimento de uma governança eficiente.

O projeto, no valor de US$ 4,5 milhões e prazo de três anos prevê o levatamento do estado atual – cujo resultado está agora sendo analisado nas consultas regionais – o diagnóstico, ou seja, a complementação da primeira etapa com as contribuições das consultas e a soluções politicamente viáveis para as carências e problemas detectados.

Bons exemplos animam

Um dos exemplos exitosos de gestão da água subterrânea apresentados é o da cidade de Ribeirão Preto onde existe uma regulamentação local para a perfuração de poços e zonas de exclusão.

Outro projeto que obteve boa repercussão foi o do Aquífero Guarani que possibilitou um acordo quadripartite para a proteção das fontes subterrâneas deste aquífero compartilhado pelo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

O diretor da Agência Nacional de Água (ANA), Paulo Varella, revelou que a agência vai dar continuidade aos trabalhos iniciados pelo Projeto Aquífero Guarani, desta vez voltado para as zonas de afloramento em território brasileiro. Um contrato no valor de R$ 5 milhões acaba de ser assinado pela ANA com a empresa Engecorps para o desenvolvimento do projeto de avaliação da vulnerabilidade natural do Aquífero Guarani em suas áreas de afloramento. Serão levantadas as vulnerabilidades, fontes potenciais de contaminação e gerado um mapa do perigo de contaminação. Além do detalhamento serão desenvolvidas duas áreas piloto, uma no Rio Grande do Sul e outra no Mato Grosso do Sul. O prazo do projeto é de 24 meses e envolve os oito estados brasileiros.

Segundo o diretor de Águas Subterrâneas da ANA, Fernando Oliveira, o projeto será desenvolvido em parceria com os Estados. Para objetivar este apoio mútuo está sendo criada uma comissão técnica com representação estadual.

Fonte: Boletim Água Online

Abastecimento – Prefeitura retoma obra do poço profundo do Cascata

O poço profundo terá cerca de 1.200 metros de profundidade e extrairá água do aquífero Guarani. A produção será de 250 mil a 300 mil litros de água por hora, sendo que o investimento é de R$ 4,3 milhões na execução da obra, que deverá estar pronta em cerca de mais 150 dias.

A Prefeitura de Marília retomou mais uma obra considerada prioritária para a população: a perfuração do poço profundo do Cascata, localizado ao lada da represa Cascata, e que será responsável pelo abastecimento de toda zona leste da cidade.

A perfuração do poço teve início em junho, mas a obra estava paralisada por falta de pagamento à empresa Constroleo, vencedora da licitação. Após contato com a administração do prefeito Ticiano Toffoli, a obra foi retomada e está na fase final.

O prefeito Ticiano Toffoli e o secretário municipal de Assuntos Estratégicos, José Carlos de Souza Bastos, o Beca, estiveram visitando a obra na tarde de sexta-feira (13), quando foram recepcionados pelo diretor da Constroleo, José David de Oliveira.

O poço do Cascata tem 1.070 metros de profundidade e capacidade de produção que pode chegar a 350 mil litros de água por hora. “A gente se orgulha de ter participado da perfuração do maior poço de água hoje em conclusão no Brasil. A Prefeitura de Marília está de parabéns por estar terminando esse poço, que irá beneficiar muito os marilienses. Para a gente é uma felicidade enorme entregar uma obra desse porte. É a maior obra de perfuração do Brasil em termos de diâmetro de perfuração, capacidade de exploração que pode chegar a 350 mil litros de água por hora. Perfuramos poços em vários lugares com o mesmo arenito e não conseguimos essa vazão. Então, Marília tem esse privilégio”, disse José David de Oliveira.

José David revelou que a profundidade chegou a 1.170 metros. “Inicialmente atingimos essa profundidade, mas concluímos o poço com 1.070 metros. Utilizamos em torno de 20 pessoas na perfuração desse poço, que trabalharam 24 horas por dia em três turnos durante cinco meses. Houve uma paralisação, que se não tivesse acontecido, a obra já estaria concluída há algum tempo.”

Ticiano Toffoli destacou a importância do poço profundo do Cascata. “Esta obra do poço do Cascata é uma das maiores do Brasil porque são 1.070 metros de perfuração. Obra estava parada, mas determinei a retomada porque água é primordial para a cidade. A represa Cascata do final do ano para cá não voltou aos 6,5m que é o nível que precisa ter e logo teremos um período de seca. Se esse poço não tiver em funcionamento, teríamos grande problema de água em toda essa zona leste. Porém, com determinação, fazendo aquilo que tem que ser feito pelo administrador público, cortamos despesas que não têm finalidade de atendimento à população e colocamos esses recursos para a continuidade dessa obra.”

O prefeito acredita que no mês de julho o poço já estará funcionando. “Agora está sendo feito o teste de vazão, que por enquanto está dando 210 mil litros de água por hora. Através desse teste saberemos a potência da bomba que terá que ser colocada aqui, o tipo de painel elétrico a ser instalado e a própria adutora. Em dez dias teremos essa vazão e o procedimento de licitação para a colocação da bomba definitiva, do painel elétrico e da adutora que interligará ao sistema de bombeamento do Cascata. A finalidade será levar essa água ao reservatório ao lado do Yara Clube. Daqui para a frente pode vir a seca que vier que conseguiremos manter a produção da represa Cascata com esse poço. Não dependeremos mais da represa, que será preservada para quando houver necessidade de alguma manutenção. O mais importante é que a obra foi reiniciada e terá continuidade até a sua conclusão para atender a população de Marília. Acredito que em julho já teremos condições de jogar toda essa água no sistema Cascata”, afirmou Toffoli.

Beca disse que a obra é orgulho para Marília. “É um dia de muita alegria. Quando vi essa água jorrando com essa quantidade e qualidade, como mariliense me senti muito orgulhoso e feliz. Todos sabem que a represa Cascata hoje depende da água da chuva e com 15 dias de estiagem praticamente seca. Esse poço vem resolver definitivamente todo o problema de abastecimento da zona leste de Marília, beneficiando até os futuros empreendimentos nessa região. É um poço muito importante e o prefeito Ticiano Toffoli está de parabéns, pois a obra estava parada por falta de recursos, mas através do esforço da atual administração, os pagamentos da Constroleo foram colocados em dia e hoje a água já está jorrando. Com esse poço em funcionamento, não será mais necessária a captação de água da represa Cascata.”

Fonte: Correio do Brasil

DAEE investe no monitoramento do Aquífero Guarani

Projeto com aporte financeiro do Fehidro é desenvolvido em parceria com a Fundag visando a utilização sustentável do Aquífero Guarani  

O DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica), por meio da sua Diretoria Regional em Ribeirão Preto, está investindo R$ 400 mil no monitoramento eletrônico do Aquífero Guarani. O trabalho é realizado em parceria com a Fundag (Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola) – voltada à inovação e implementação do agronegócio nacional – e com financiamento do Fehidro (Fundo Estadual de Recursos Hídricos).

A pesquisa atual terá dois anos de duração, utiliza softwares de gerenciamento de informação geográfica e equipamentos medidores de nível de água, pH, temperatura, condutividade elétrica e outros dados de 12 poços na região de Ribeirão Preto. As informações serão armazenadas pelo Sistema de Informação do Sistema do Aquífero Guarani e utilizadas no controle de perfuração de poços destinados à exploração das águas subterrâneas para abastecimento público.

Seu objetivo principal: dar continuidade às pesquisas, já realizadas, voltadas à obtenção de conhecimento técnico e científico para proteção e exploração sustentável do Aquífero Guarani. O trabalho é precedido do chamado Projeto Piloto Ribeirão Preto, desenvolvido em cinco anos, este, por sua vez inserido no PSAG (Projeto para Proteção Ambiental e o Desenvolvimento Sustentável do Sistema Aquífero Guarani).

O Aquífero Guarani

Com mais de 1 milhão de quilômetros quadrados, o Aquífero Guarani é considerado a maior reserva hídrica subterrânea transfronteiriça do mundo, com reserva permanente estimada em 37 mil quilômetros cúbicos de água e potencial explorável sem risco para o sistema da ordem de 40 quilômetros cúbicos por ano. Esse imenso manancial abrange parte dos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul; além de Argentina, Paraguai e Uruguai.

O Estado de São Paulo conta com mais de mil poços, alguns com até 2 mil metros de profundidade, que captam água do Aquífero Guarani para abastecimento público e outros usos. Os poços chegam a apresentar vazão de até 700 mil litros de água por hora.

Área em azul representa o Aquífero Guarani

A proteção do aquífero e sua exploração é um tema que preocupa os governos do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, que criaram em 2003 o Projeto para a Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Sistema Aquífero Guarani, com o objetivo de aumentar o conhecimento sobre o recurso e propor um marco técnico, legal e institucional para sua gestão coordenada.

O DAEE participa e apoia todas as iniciativas que vem sendo implementadas pelos governos dos quatro países e abriga em Ribeirão Preto, na área da regional do DAEE, o Centro de Referência do Aquífero Guarani Engenheiro Celso Antônio Perticarrari, inaugurado em 31 de maio de 2007. O Centro é a sede do projeto para reuniões e apresentações de trabalhos desenvolvidos por técnicos dos quatro países e a guarda de todo o acervo.

Fonte: DAEE

Aquífero Guarani: Temos proteção jurídica para ele?

Autor: Evandro Grili*

Em 1988, quando foi promulgada a Constituição Federal, os nossos deputados eleitos para compor a Assembleia Nacional Constituinte não tinham qualquer ideia acerca da existência do Aquífero Guarani. A Constituição promulgada até tratou das águas subterrâneas, mas os constituintes não tinham a menor ideia de que poderia haver um oceano de água doce sob os nossos pés, em extensão ininterrupta por vários Estados brasileiros e países da América do Sul.

Essa talvez seja, no futuro, a nossa maior e mais valiosa reserva mineral. A água é bem escasso no mundo, com algumas regiões absolutamente desprovidas do líquido precioso.

Mas, ainda assim, voltando à questão jurídica, a Constituição Federal classificou as águas subterrâneas como propriedade dos Estados brasileiros. Havia aquele apego à ideia do lençol freático, algo com limites bem definidos, que não ultrapassaria grandes extensões.

Ocorre que os estudos geológicos e hidrogeológicos já mostraram que o Aquífero se estende por quase todo o centro sul brasileiro, estando ainda sob o solo dos países do Mercosul. Ou seja, a Constituição Federal de 1988 nem mesmo consegue dar a devida proteção jurídica a esta reserva continental de água doce, considerada a maior do Planeta, já descoberta. Sendo assim, é necessário uma Emenda Constitucional para transferir a titularidade deste bem à União Federal.

De um modo geral, a legislação ambiental brasileira confere proteção a todo e qualquer dano ao ambiente, protegendo, portanto, a água. Mas ela não está preparada para estabelecer medidas de proteção ao Aquífero propriamente dito. E, nesse caso, emendada a Constituição, é necessário que as normas jurídicas sejam editadas pela União Federal. Não podemos deixar isso aos Estados e muito menos aos Municípios. O fato do Aquífero estar sob o solo de vários Estados e milhares de cidades brasileiras vai acabar ensejando inúmeras leis diferentes, com critérios diferentes, ora com proteções aquém do necessário, ora com exageros legislativos de toda ordem.

E enquanto esta legislação federal não surge, vão ficando pelo caminho uma série de remendos aqui e ali, a grande maioria deles sem muito respaldo legal e sujeitos a todo tipo de questionamento judicial.

A Câmara Especial de Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo, recentemente, afastou pleito do Ministério Público de proteção ao Aquífero Guarani em cidade do interior paulista, justamente pelo fato de que não existia lei prevendo a proteção pretendida pela Promotoria de Meio Ambiente. O Tribunal manteve a restrição de lei municipal que era inferior ao que pretendia o órgão ministerial e ainda atestou, taxativamente, que a proteção do Aquífero deve ser tomada por meios de leis federais e até mesmo tratados internacionais entre os países envolvidos.

Estes vazios legislativos deixam os órgãos ambientais sem respaldo para agir, criam insegurança jurídica para o setor privado, para as Prefeituras no que tange à ocupação urbana em áreas de recarga do Aquífero. Enfim, cria entraves de toda ordem.

É preciso que nossos Congressistas se ocupem deste tema, emendem a Constituição e estabeleçam legislação federal criando regras uniformes e únicas para todas as regiões brasileiras que tem essa fantástica fonte de água ao seu dispor, evitando uma colcha de retalhos legislativa.

Feita a lição de casa em território nacional, caberá ao Brasil, na qualidade de líder econômico e político no Mercosul, cobrar e influenciar os demais países banhados pelo Aquífero a seguir o mesmo caminho, com a celebração de tratados internacionais e, posteriormente, de legislação interna que conceda proteção a esta que é a maior reserva de água doce do planeta Terra.

É o nosso apelo, nesta semana em que se comemora o Dia Mundial da Água.

*Evandro Grili é Advogado especialista em Direito Ambiental e Tributário. Pós-graduado em Direito Tributário pelo IBET – Instituto Brasileiro de Direito Tributário – Foi coordenador da Comissão de Meio Ambiente da OAB/Ribeirão Preto. É sócio e diretor da área ambiental do Brasil Salomão e Matthes Advocacia.

Fonte: Instituto CarbonoBrasil

Rio de Janeiro bate recorde em desperdício de água

Por Fernanda Figueiredo

O Rio de Janeiro é a cidade que registra o maior consumo de água no país e um dos maiores índices de desperdício. Cada habitante gasta, em média, 236 litros por dia, o dobro dos 110 litros recomendados pela ONU.

Daniel Martins, morador da Zona Oeste do Rio, destaca um dos hábitos que fazem parte dessa prodigalidade: “Há 25 anos moro no Bairro Adriana, em Campo Grande, e observo a péssima prática de lavar calçadas e quintais com o uso da mangueira de água, esguichando litros e litros de água, muitas vezes até parando para fazer outras coisas enquanto a água se esvai. A esse enorme e desnecessário gasto soma-se outro, quando nos fins de semana muitos lavam seus carros.”

Segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), 54% da água que sai da estação de tratamento da CEDAE, (concessionária responsável pelo abastecimento de água da cidade), perdem-se em vazamentos, problemas de medição e ligações clandestinas. O índice nacional de perda é de aproximadamente 40%, enquanto o aceitável seria 25%, no máximo. Convertido em reais, o prejuízo do país é de 7 bilhões por ano.

A preocupação com o uso e a preservação da água não é recente, mas nunca se buscou tanto por soluções quanto atualmente. Na última semana, delegações de 140 países e mais de 80 ministros participaram do 6º Fórum Mundial da Água, organizado pelo Conselho Mundial da Água, em Marselha, na França. A idéia é trazer as resoluções lá estabelecidas para a Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, colocando a água como tema central nos debates da conferência.

Riqueza ameaçada

Esses dados contrastam com a posição do Brasil como primeiro país do mundo em recursos hídricos, com 12% da água doce disponível em seu território.  Águas provenientes do rio Amazonas, maior rio do planeta, do Aqüífero Guarani, maior manancial de água doce subterrânea do mundo, das Cataratas do Iguaçu, uma das sete maravilhas da natureza, e de muitos outros mananciais.

Da água que recobre 70% da superfície da Terra, apenas 2,5% é doce. Desse percentual, 68,9% está nas calotas polares e geleiras, 29,9% em águas subterrâneas e somente 0,2% em rios e lagos, sendo estes últimos, os mananciais mais acessíveis para o desenvolvimento das atividades humanas.

A América do Sul é o continente com maior volume de água doce provinda de rios, por conta do rio Amazonas, e sua descarga média é de 212 mil metros cúbicos por segundo.

Crise da água

Além das peculiaridades climáticas de cada região, a atual escassez mundial se deve aos impactos das ações humanas, tais como uso excessivo e contaminação das águas subterrâneas, crescimento populacional e urbanização acelerada, além dos desperdícios e perdas de água em sistemas de abastecimento.

Atualmente, cerca de 1,3 bilhões de pessoas não tem acesso à água potável e 2 bilhões não tem saneamento apropriado. A estimativa é de que até 2025 esse número dobre, o que afetaria drasticamente a economia desses locais. Portanto, soluções urgentes devem ser tomadas, saindo do âmbito de apenas conferências, para o de práticas, com algum resultado.

Fonte: Site O Estado RJ