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Caso Shell completa 10 anos

Uma das maiores tragédias ambientais da região com 61 mortes registradas ao longo de uma década

Considerada uma das maiores tragédias ambientais já registradas na história da Região de Campinas, caso Shell completa dez anos e com uma interminável batalha judicial. Ex-trabalhadores da Shell Química e antigos moradores do Recanto dos Pássaros (bairro rural onde se localizava a fábrica) esperam ser indenizados pela empresa que, assumidamente, contaminou o ar, o solo e as águas subterrâneas com os produtos químicos usados na fabricação de agrotóxicos. Neste período, 61 pessoas morreram, vítimas de doenças possivelmente provocadas pela contaminação.

O Ministério Público do Estado de São Paulo moveu ação judicial contra a Shell e a Basf (que na década anterior tinha adquirido a unidade fabril em Paulínia), exigindo que as empresas assumissem o custeio do tratamento das supostas vítimas, e que os cofres públicos fossem indenizados pelos danos ambientais. Os custos estipulados em 2010 passavam de R$ 620 milhões. Mas as empresas acionadas conseguem, projudicialmente, atenuar as decisões anteriores. Novas sentenças suspenderam o pagamento de multas e indenizações individuais.

Nada menos que 1.142 pessoas são relacionadas pelas lideranças sindicais do setor como prejudicadas durante os 25 anos em que a fábrica funcionou.  Enquanto aguardam uma decisão, essas pessoas enfrentam um cotidiano de sofrimento. Há no grupo quem convive com doenças sérias. Alguns nunca mais puderam trabalhar. Há denúncias até de filhos gerados com má-formação, por conta da exposição prolongada dos adultos aos produtos tóxicos.

A direção da Shell, no entanto, informa que a existência de contaminação ambiental não implica, necessariamente, em exposição e prejuízo à saúde de pessoas. Não é possível, segundo a empresa, afirmar que elas estão doentes porque trabalharam ou moraram nas imediações. Como não é possível associar as mortes registradas ao caso. A empresa diz que, em 2001, chamou ex-funcionários para avaliação de saúde, colocando uma clínica especializada em toxicologia à disposição. Informa também que, na época, “não se constatou um único caso de intoxicação”. Na ocasião, também passaram por exames os moradores do Recanto dos Pássaros.

Ruínas de uma antiga chácara no bairro Recanto dos Pássaros próximo à Shell

Risco prolongado

Apesar dos laudos técnicos da empresa, lideranças do setor consideram que o risco de se desenvolver uma doença se prolonga pela vida toda. Para André Henrique Alves, diretor em Paulínia do Sindicato Químico Unificado, tudo o que a sociedade espera é que todos os trabalhadores, moradores e descendentes tenham direito a um plano médico vitalício. Para justificar sua tese, ele relaciona apontamentos de especialistas.

Como o do médico do toxicologista paulistano Igor Vassilieff, que na última década atendeu diversos ex-funcionários da Shell e foi claro nos atestados. A intoxicação crônica, causada por produtos químicos como pesticidas e metais pesados, provoca danos diversos à saúde: cardiopatia, distúrbios comportamentais, dores nos músculos e nas articulações. Muitas vítimas, abaladas física ou psicologicamente, precisam deixar o trabalho.

A segunda Vara do Trabalho de Paulínia, em recente decisão favorável à indenização de um ex-funcionário da Shell, considerou que, mesmo que os trabalhadores não apresentem atualmente alterações de saúde significativas, o processo de evolução de um câncer até o tumor é lento e pode durar décadas, o que justifica acompanhamento médico por vários anos.

E é por conta disso que uma centena de cidadãos, impacientes com a lentidão do processo, movem ações individuais. A maioria, no entanto, não tem condições financeiras. “Eles pagam as consultas médicas e o tratamento esperando ser indenizados no futuro”, afirma o sindicalista Alves.

Personagem

O jovem Leonardo, de 22 anos, é sorridente e carinhoso. Mas só anda amparado e não diz uma palavra. Também precisa de ajuda para fazer as necessidades e se alimentar. Para a mãe dele, Mary, não há dúvida. O garoto é vítima de substâncias tóxicas que ela própria consumiu, quando bebia água ou se alimentava na fábrica da Shell. Ela diz que Léo teve má-formação do tubo neural, provocada pelas substâncias contaminantes. Benedita Mary Andrade, hoje com 55 anos, foi encarregada de serviços gerais na Shell de 1979 a 1988. Ela mesmo denunciou, à direção, que a água consumida pelo operários estava poluída. Levou ao gerente um copo com o líquido escuro. Ela lembra que alguns funcionários foram transferidos. Outros, como ela, perderam o emprego. “A empresa quis se livrar do problema. Não deu atenção à denúncia”.

Mary é professora estadual. Ela conta com a ajuda de uma irmã e um cunhado, que moram na mesma casa e também cuidam do menino. Nunca foi indenizada. Precisou recorrer à ajuda mensal fornecida pelo instituto de previdência dos servidores: quatro salários mínimos. Sua saga na Justiça começou em 2007. Para garantir as aulas de equoterapia que fizeram Léo andar, ela se ofereceu para dar aulas de educação artística a outras famílias inscritas no serviço.

Acesse o link a seguir e confira o vídeo sobre o caso Shell/Basf: http://www.youtube.com/watch?v=JfEcu1z3zvk&feature=player_embedded

Fonte: Portal de Paulínia

Água do Sergipe pode sofrer contaminação por agrotóxico

Departamento Estadual de Saneamento afirma que abastecimento não é afetado

A cana-de-açúcar em Saltinho, São Paulo: pesquisadores analisam impacto de agrotóxico em plantações do Sergipe/ Foto: Márcia Foletto/27-3-2005

O uso de herbicidas no Sergipe pode estar contaminando a água que abastece Aracaju. Pesquisadores da Universidade Federal do Sergipe (UFS), da USP e da Embrapa, em estudo publicado na revista “Ciência Agronômica”, revelam que o Rio Poxim, que contribui com 27% da captação da capital, pode carrear defensivos agrícolas.

O cultivo de cana-de-açúcar está se expandido na região. No trabalho, chamado “Herbicidas no alto rio Poxim, Sergipe e os riscos de contaminação dos recursos hídricos”, há o alerta de que tanto as águas superficiais como subterrâneas podem estar contaminadas.

Fábio Brandão Britto, do Programa de Pós-Graduação da UFS, e equipe fizeram monitoramento bimensal de julho de 2009 a julho de 2010 em dois pontos de amostragem. As amostras de água foram analisadas em laboratório e constatou-se a presença de Diuron e Ametrina.

O trabalho afirma que “ocorreu um aumento nas concentrações dos herbicidas na água superficial, durante o período chuvoso, provocado possivelmente pelo escoamento superficial”. E alerta: “a presença de qualquer componente químico em concentrações acima dos especificados nas normas padrão, pode provocar efeitos tóxicos, seja na saúde humana ou no ambiente”.

Os valores encontrados para Diuron nos meses de julho de 2009, maio e julho de 2010 (0,2; 0,9 e 0,2 µg L{+-}{+1}, respectivamente) foram considerados preocupantes. Os valores estão acima do admitido pela Comunidade Europeia (concentração máxima de 0,1 µg L{+-}{+1}, de acordo com os pesquisadores) para qualquer pesticida em águas destinadas ao consumo humano.

Para Silvio Múcio, Diretor de Operações do Departamento Estadual de Saneamento e Obras, não há motivo de preocupação da população:

- A água é usada é há mais de 40 anos. Este rio foi um dos primeiros que atenderam a população de Aracaju, mas, hoje, o abastecimento da Região Metropolitana provém sobretudo da água do Rio São Francisco.

Múcio disse, ainda, que ainda não tinha sido informado da pesquisa. E que as análises feitas pelo estado não detectaram qualquer problema na água.

- Não tomamos conhecimento deste estudo. Vou pedir que a UFS nos envie estes dados. Cerca de 25% de nossa água vem do Rio Poxim – disse Múcio.

A pesquisa está disponível na internet.

Fonte: O Globo

Ambientalistas lutam por criação de comitê para o rio Mampituba

Local é um dos poucos pontos monitorados no Litoral Norte que, constantemente, está impróprio para banho

Torres é conhecida e proclamada como a mais bela praia do Litoral do Rio Grande do Sul. O título não foi dado à toa. A cidade é privilegiada em sua geografia, com seus morros e paredões de pedra à beira-mar. Entretanto, o município sofre há anos com uma mancha que prejudica sua imagem: a poluição no rio Mampituba e a marca de ter um dos poucos locais no mar do Litoral Norte que, geralmente, está impróprio para banho.

O rio Mampituba delimita, ao Leste, a fronteira entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Os últimos relatórios de balneabilidade apresentados pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) apresentam variações nos pontos impróprios para os banhistas no Litoral Note gaúcho. A presença da região da foz do rio, porém, é uma constante.

Tramita na Justiça Federal um processo movido pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o prefeito de Torres, João Alberto Machado Cardoso. O prefeito é acusado de, em sua gestão, não ter implantado um sistema eficaz de tratamento de esgoto na cidade e de não ter eliminado ligações clandestinas que despejam dejetos na beira da praia. Segundo a denúncia, a contaminação da água por bactérias põe em risco a saúde da população, prejudica o bem-estar dos frequentadores de Torres e causa prejuízos econômicos à cidade, principalmente para o turismo.

Também tramita junto ao Judiciário de Santa Catarina uma ação movida pelo Instituto Eco&Ação contra o município de Passo de Torres, que tem sua fronteira com o Rio Grande do Sul demarcada pelo rio, em razão da existência de um lixão a céu aberto próximo das margens do Mampituba. No lado catarinense, resíduos oriundos da extração de carvão e da agricultura (agrotóxicos) somados ao despejo de esgoto sanitário são as causas principais da poluição do rio.

O secretário de Meio Ambiente de Torres, Alziro Ramos, afirma que o problema não é somente de responsabilidade do município. “É uma situação que preocupa bastante. Dezoito municípios estão ligados ao Mampituba, sendo dez em Santa Catarina e oito no Rio Grande do Sul. O único que trata mais de 60% do esgoto coletado é Torres”, enfatiza.

Ramos não concorda com o modo como os relatórios da Fepam são divulgados. Conforme ele, a amostra da água é coletada 200 metros para dentro do rio, em relação à sua foz. O secretário defende uma tese curiosa a respeito da situação. “O que está poluído é o rio, não a foz que deságua no mar. No rio ninguém toma banho, as pessoas se banham na praia”, diz. A prefeitura enviou uma equipe à Fepam para pedir que o modo como o relatório é divulgado seja modificado.

Um grupo de ambientalistas gaúchos e catarinenses luta há anos pela criação do Comitê da Bacia do Rio Mampituba. Atualmente, existe um pró-comitê que depende de tratativas entre os dois estados para a instalação definitiva do órgão. “Temos batalhado para a instalação definitiva. As maiores resistências governamentais para a criação do comitê partem da Agência Nacional das Águas (ANA). Olhando o mapa, eles não veem o Mampituba, ele não existe, pois é uma bacia muito pequena”, observa o ambientalista Tadeu Santos, secretário-executivo do pró-comitê.

Conforme Santos, em 2011 ocorreram avanços, como a publicação de uma portaria por parte da ANA designando os dois estados a criarem o comitê. Agora, depende da iniciativa dos governos gaúcho e catarinense para a efetiva instalação. “O comitê é importante, pois ordena o uso das águas, ele faz esse disciplinamento”, destaca ele, que também é conselheiro da ONG Sócios da Natureza, de Santa Catarina. Os comitês de bacia reúnem todas as partes que atuam no contexto de utilização das águas, sejam eles do setor empresarial, ambiental ou governamental.

O montador de móveis Clóvis Bencke, 46 anos, veraneia há 23 anos em Torres. Morador de Venâncio Aires, ele diz que nunca viu o rio, e consequentemente, a sua foz, limpos. “É uma tristeza. É muita sujeira. No ano passado passei três meses aqui e é sempre a mesma coisa”, afirma, destacando que, se fosse limpo, o rio poderia até ser usado como alternativa para as pessoas se banharem.
Por dividir dois estados, fiscalização ambiental é complexa

A fiscalização ambiental do Mampituba e as consequentes responsabilidades a respeito do mau uso e da poluição de suas águas envolvem diversos atores. Todos os municípios pelos quais o rio passa são responsáveis pelo cuidado na destinação de seus resíduos, sejam eles sólidos, de esgoto sanitário ou oriundos da agricultura. Além disso, como é uma formação natural que divide dois estados, órgãos federais também atuam, pois a Constituição define que as águas que fazem divisa entre estados são de domínio da União. No Estado, a fiscalização da qualidade da água é realizada pela Fepam. Em Santa Catarina, quem faz isso é a Fundação do Meio Ambiente (Fatma).

Para Flávio Augusto de Andrade Strapason, procurador regional da República responsável pelo processo contra o prefeito de Torres, o fato de o rio ser de domínio da União não exclui os órgãos estaduais e municipais de suas responsabilidades. “Eles têm de agir, depois se vê quem tem a competência. Têm de atuar, até porque não são eles que definem se o que está ocorrendo é um crime estadual ou federal. Não pode haver omissão. O meio ambiente é de todos”, afirma. Strapason se utiliza de uma metáfora para exemplificar o que diz. “Se soldados da polícia estadual flagrarem tráfico de drogas em uma rodovia federal, eles têm a obrigação de agir. Depois se encaminha o caso para a instância federal, se for o caso. O que não pode é um lado ficar jogando a responsabilidade para o outro.”

Fonte: Jornal do Comércio

Descaso com nascentes e rios ameaça o Pantanal

Por Aldem Bourscheit

Mapeamento das alterações da cobertura vegetal e uso do solo na Bacia do Alto Paraguai - Porção Brasileira. Período de Análise: 2002 a 2008. © WWF-Brasil
Mapeamento das alterações da cobertura vegetal e uso do solo na Bacia do Alto Paraguai – Porção Brasileira. Período de Análise: 2002 a 2008. © WWF-Brasil

Estudo inédito englobando Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina aponta áreas que precisam de mais atenção para garantir a sobrevivência da maior planície alagável do planeta, de populações e de economias

A conservação da Bacia do rio Paraguai1 e a sobrevivência do Pantanal estão ameaçadas, principalmente pela degradação de nascentes e barramento de rios que fluem de áreas de planalto (Cerrado) para a planície pantaneira.

Por isso, a inédita Análise de Risco Ecológico da Bacia do Rio Paraguai2 é lançada junto ao Dia Mundial das Áreas Úmidas (2 de fevereiro), evidenciando que metade dda bacia pantaneira está sob alto e médio risco ambiental, e que 14% dela necessitam ser protegidos com urgência, por sua grande capacidade de fornecer água e manter os ciclos de cheias e vazantes que dão vida ao Pantanal.

O estudo contou com mais de 30 especialistas dos quatro países e exigiu três anos de esforços, evidenciando também que essas áreas (em vermelho e amarelo no mapa) estão majoritariamente em porções elevadas nas bordas da bacia e são as maiores fornecedoras de água à planície, área que ainda apresenta boas condições ecológicas.

“Conhecendo a “saúde” do Pantanal podemos nos antecipar a problemas futuros, como o das mudanças climáticas, mas a saúde pantaneira está ameaçada por ações em curso, no presente”, ressaltou Glauco Kimura, coordenador interino do Programa Água para a Vida do WWF-Brasil.

As principais ameaças à Bacia do rio Paraguai são o desmatamento e o manejo inadequado de terras para agropecuária, causadores de erosões e sedimentação de rios, por exemplo. Barramentos hidrelétricos estão alterando o regime hídrico natural do Pantanal. O crescimento urbano e populacional é seguido por mais obras de infraestrutura, como rodovias, barragens, portos e hidrovias, colocando em risco o frágil equilíbrio ambiental pantaneiro.

Essas ameaças interagem em conjunto ou isoladamente em cada região mais crítica analisada: cabeceiras e tributários no Cerrado e Bosque Chiquitano brasileiros; Mata Atlântica da Bacia do rio Paraguai; Eixo de Desenvolvimento Salta/Jujuy; e Puerto Suarez e vale do Tucavaca (Bolívia).

Apenas 11% (ou 123.600 Km²) da bacia estão protegidos de alguma forma, e meros 5% (56.800 Km²) sob proteção integral, em parques nacionais ou estaduais e estações ecológicas. Além disso, as mais de 170 áreas protegidas não estão distribuídas de forma adequada para proteger as regiões que mais fornecem água, ou as mais ricas em biodiversidade.

O estudo, realizado em parceria pelo WWF, The Nature Conservancy e Centro de Pesquisas do Pantanal, com apoio do HSBC e Caterpillar, é um forte alerta para que países, estados e municípios adotem uma agenda de redução de riscos e revertam modelos insustentáveis de desenvolvimento. Não há mais espaço para uma cultura de abundância e de desperdício, como se houvesse um estoque infinito de florestas nativas para derrubar, de água onde lançar poluentes e de terras para minerar.

A Bacia do rio Paraguai e o Pantanal não devem ser protegidos apenas pelas incontáveis espécies de animais e plantas lá abrigados, pelas belezas e serviços ambientais3 que oferecem, mas também porque da saúde regional dependem mais de oito milhões de pessoas e economias hoje focadas em 30 milhões de cabeças de gado e quase 7 milhões de hectares plantados, área equivalente a um terço do estado de São Paulo.

Recomendações – O Pantanal, além de ser um abrigo natural de espécies e mantenedor de populações e economias, também é uma preciosa reserva estratégica de água doce, ainda mais importante frente ao futuro incerto das mudanças climáticas.

Logo, alterar modelos de desenvolvimento e criar mais áreas protegidas (públicas e privadas), especialmente em regiões de cabeceiras, são ações inteligentes e estratégicas para os quatro países responsáveis por sua manutenção, bem como desenvolver uma agenda de adaptação da bacia às alterações do clima.

A pecuária extensiva precisa de maior apoio técnico e econômico para que melhores práticas cheguem aos produtores, como conservação de água e solo, manejo e recuperação de pastagens e integração lavoura-pecuária. “O plantio direto na palha é uma boa alternativa, porque protege o solo da chuva e dos ventos, mantendo-o mais rico e produtivo. Mesmo assim, persiste o uso extensivo de agrotóxicos em culturas como a da soja, venenos que chegam aos rios que abastecem o Pantanal”, comentou Kimura.

Além da agropecuária, a bacia tem importantes áreas de mineração, destacando-se regiões andinas como a de Potosi (Bolívia), de extração de gás natural, na transição do Chaco para os Andes, de ouro e diamantes, no Mato Grosso, e ainda de ferro, manganês e calcário, no Mato Grosso do Sul.

No caso de hidrelétricas em operação, o caminho é implantar esquemas de operação que mantenham os ciclos de cheias e vazantes de modo semelhante ao natural. Para barragens em planejamento, é necessário avaliar seus impactos cumulativos nos rios e na bacia, apontando quais áreas poderão ou não arcar com esses custos ambientais sem prejudicar o Pantanal.

“Barramentos ameaçam a duração e a intensidade dos ciclos de cheias e vazantes, colocando em cheque a vida, economias e populações que dependem do equilíbrio ecológico do Pantanal. Reservatórios alteram a circulação de nutrientes as emissões de gases de efeito estufa, parâmetros que precisam ser mais bem dimensionados”, destacou Albano Araújo, coordenador da Estratégia de Água Doce do Programa de Conservação da Mata Atlântica e das Savanas Centrais da The Nature Conservancy.

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1) O rio Paraguai nasce na região de Diamantino (MT) e percorre 2,6 mil quilômetros até encontrar o Rio Paraná, já em Corrientes (Argentina). Sua bacia cobre 1,2 milhão de quilômetros quadrados em quatro países, área com quase o tamanho do estado do Pará e altamente diversificada em termos de ecossistemas e de realidades socioeconômicas.

2) A avaliação dos riscos ecológicos de uma bacia hidrográfica é essencial para se estimar sua capacidade de recuperação frente aos impactos esperados do aquecimento global, pois algumas ameaças poderão ganhar força em detrimento de outras. Além disso, ecossistemas naturais, atividades econômicas, cidades e pessoas, todos estão vulneráveis às mudanças climáticas eu maior ou menor grau. Esse estudo justamente visa compreender quais são os riscos atuais aos ecossistemas aquáticos da Bacia do Paraguai e como podemos nos preparar a um futuro de incertezas.

3) A Embrapa estimou (2008) em US$ 112 bilhões por ano os serviços ambientais prestados gratuitamente pelo Pantanal. Logo, vale muito mais manter a região preservada do que zoneá-la com agropecuária, cujo lucro estimado seria de apenas US$ 414 milhões anuais.

Índice de Risco Ecológico Composto para a Bacia do rio Paraguai
© WWF-Brasil / LEP
Fonte: WWF-Brasil

Aquífero Guarani poluído também na Macrorregião

Estudo em Ribeirão Preto  mostra Aquífero Guarani contaminado por agrotóxicos
“E os danos à saúde pública, incremento das neoplasias e traumas neurais por aqui na região?”, pergunta o jornalista ambiental Randáu Marques ao encaminhar ao Folha Verde News esta matéria sobre a situação do Aquífero Guarani, manancial subterrâneo, considerado uma das maiores reservas de água do planeta, de onde por exemplo sai 100% da água que abastece Ribeirão Preto, cidade onde foi feita a pesquisa, nordeste paulista, a 313 quilômetros de São Paulo: o laduo, o Aquífero Guarani está ameaçado especialmente por herbicidas.

 

A conclusão vem de um estudo realizado a partir de um monitoramento do Departamento de Água e Esgotos de Ribeirão Preto (Daerp) em parceria com um grupo de pesquisadores, que encontrou duas amostras de água de um poço artesiano na zona leste da cidade com traços de diurom e haxazinona, componentes de defensivo utilizado na cultura da cana-de-açúcar. No período, foram investigados cem poços do Daerp com amostras colhidas a cada 15 dias. As concentrações do produto encontradas no local foram de 0,2 picograma por litro – ou um trilionésimo de grama. O índice fica muito abaixo do considerado perigoso para o consumo humano na Europa, que é de 0,5 miligrama (milésimo de grama) por litro, mas, ainda assim, preocupa os pesquisadores, que analisam como possível uma contaminação ainda maior.

Este é o segundo alerta feito pelo nosso blog, há cerca de 50 dias postamos aqui outras informações sobre o mesmo problema: “Inclusive, na audiência pública via Internet preparatória para a Rio+20, com o Governo captando temas e pautas para esta Conferência Mundial da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável neste ano, em nome dos ecologistas daqui da macrorregião e também de outros pontos do interior do país, que também mostram preocupação com isso, a gente colocou a questão de agressões ambientais e falta de sustentabilidade em relação ao Aquífero Guarani”, comentou Antônio de Pádua, o ecologista Padinha, nosso editor, que esteve há 20 anos na Eco-92 e agora estará neste novo evento, em nome da Não-Violência e da Sociedade Ecológica do Nordeste Paulista. Ele informa ainda que recebeu mensagens de pesquisadores e técnicos ambientais de outras regiões abrangidas pelo Aquífero Guarani onde também há problemas de agressões ambientais no sul do país, no Uruguai e na Argentina.

No Brasil, não há níveis considerados inseguros para as substâncias. Ainda assim, a presença do herbicida na zona leste da cidade – onde o aquífero é menos profundo – acende a luz amarela para especialistas. Segundo Cristina Paschoalato, professora da Unaerp que coordenou a pesquisa, o resultado deve servir de alerta. “Não significa que toda a água está contaminada, mas é preciso evitar a aplicação de herbicidas e pesticidas em áreas de recarga do aquífero”, advertiu ela. O monitoramento também encontrou sinais dos mesmos produtos no Rio Pardo, considerado como alternativa para captação de água para a região no longo prazo. “Isso mostra que, se a situação não for resolvida e a prevenção feita de forma adequada, Ribeirão Preto pode sofrer perversamente, já que a opção de abastecimento também será inviável se houver a contaminação”.

Aquífero aumenta chances de vida da América do Sul

O Sistema Aquífero Guarani, que faz parte da Bacia Geológica Sedimentar do Paraná, cobre uma superfície de 1,2 milhão de quilômetros quadrados, sendo 839., 8 mil no Brasil, 225,5 mil quilômetros na Argentina, 71,7 mil no Paraguai e 58,5 mil no Uruguai. Com uma reserva de água estimada em 46 mil quilômetros quadrados, a população atual em sua área de ocorrência está em quase 30 milhões de habitantes, dos quais 600 mil em Ribeirão Preto.

A água do SAG é de excelente qualidade em diversos locais, principalmente nas áreas de afloramento e próximo a elas, onde é remota a possibilidade de enriquecimento da água em sais e em outros compostos químicos. É justamente o caso de Ribeirão, conhecida nacionalmente pela qualidade de sua água. Para o engenheiro químico Paulo Finotti, presidente da Sociedade de Defesa Regional do Meio Ambiente (Soderma), Ribeirão corre o risco de inviabilizar o uso da água do aquífero in natura. “A zona leste da cidade registra plantações de cana em áreas coladas com lagos de água do aquífero. É um processo de muitos anos, mas esses defensivos fatalmente chegarão ao aquífero, o que poderá inviabilizar o consumo se nada for feito”. Já para Marcos Massoli, especialista que integrou o grupo local de estudos sobre o aquífero, a construção de casas e condomínios na cidade, liberada através de um projeto de lei do ex-vereador Silvio Martins (PMDB) em 2005, é extremamente prejudicial à saúde do aquífero. “Prejudica muito a impermeabilidade, o que atinge em cheio o Aquífero por aqui na região”.

Outro problema que pode colocar em risco o abastecimento de água de Ribeirão no médio prazo é a extração exagerada de água do manancial subterrâneo. Se o mesmo ritmo de extração for mantido, o uso da água do Aquífero Guarani pode se tornar inviável nos próximos 50 anos em Ribeirão Preto. A alternativa, além de reduzir a captação, pode ser investir em estruturas de captação das águas de córregos e rios que, além de não terem a mesma qualidade, precisam de investimentos significativamente maiores para serem tratadas e tornadas potáveis. A perspectiva já é considerada pelos estudiosos do chamado Projeto Guarani, que envolveu quatro países com território sobre o reservatório subterrâneo.

O cálculo final foi entregue no fim do ano. O mapeamento mostrou que a velocidade do fluxo de água absorvida pela reserva é mais lenta do que se supunha. Pelas contas dos especialistas, a cidade extrai 4% mais do que poderia do manancial. A média de consumo diário de água em Ribeirão é de 400 litros por habitante, bem acima dos 250 litros da média nacional. Por hora, a cidade tira do aquífero 16 mil litros de água. Vale lembrar que a maior parcela de água doce do mundo, algo em torno de 70%, está localizada, em forma de gelo, nas calotas polares e em regiões montanhosas. Outros 29% estão em mananciais subterrâneos, como o Aquífero Guarani, a maior reserva de vida para o futuro da América do Sul, enquanto rios e lagos não concentram sequer 1% do total dos recursos hídricos.

Em se tratando da água potável, aproximadamente 98% se encontram no subsolo, sendo o Aquífero Guarani a maiordas reservas. A alternativa para não desperdiçar esses recursos é investir em reflorestamento para garantir a recarga do aquífero, diz o secretário-geral do projeto, Luiz Amore, que  adverte ser urgente uma ação em todas as regiões e países abrangidos por esta reserva extraordinária de água. Neste ponto é que está a importância desta questão do Aquífero Guarani participar da pauta das discussões da ONU em junho no Rio de Janeiro na conferência mundial que procurará diseminar a cultura e programas de ação de Desenvolvimento Sustentável em toda a Terra, já estando assegurada a participação de 120 países no evento.

Fontes: SOA Brasil / folhaverdenews