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Água achada no lençol freático vai ajudar no abastecimento de uma comunidade no Sertão do Pajeú

Um oásis no Sertão do Pajeú. Assim foi definido o poço com vazão de 24 mil litros de água por hora perfurado em São José do Egito, município distante 412 quilômetros do Recife. A água encontrada no lençol freático deve ajudar a solucionar a estiagem em um distrito da região, com situação de emergência decretada. Ontem, o secretário de Agricultura e Reforma Agrária do estado, Ranilson Ramos, foi até o local para verificar a informação do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) de que a perfuração tinha escoamento suficiente para abastecer o povoado de Riacho do Meio, zona rural de São José do Egito. A descoberta deve beneficiar 1,2 mil habitantes da área.

O poço foi perfurado na localidade da Baixa Ovelha, distante nove quilômetros do distrito que será beneficiado. Para que o abastecimento seja realizado, o secretário pretende construir um canal que vai transportar a água até Riacho do Meio. O próximo passo é pedir autorização ao governador Eduardo Campos para a implantação imediata de uma adutora no local. “Devo me reunir em breve com o governador para propor agilidade no processo. Esperamos terminar a construção em até 45 dias”, informou Ranilson Ramos. Segundo o secretário, a descoberta vai levar a uma economia nos cofres públicos de R$ 42 mil por mês. Esse é o valor investido atualmente na contratação de dez carros-pipa para o abastecimento do distrito. “Esperamos ajudar as famílias da região com essa nova opção de recursos”, completou Ramos.

A qualidade da água, encontrada a 30 metros de profundidade, também foi comprovada. “Fui até o local para testar a qualidade pessoalmente. Trata-se de água de boa qualidade e em abundância. É uma riqueza para o Sertão de Pernambuco”, frisou. De acordo com o secretário, a média de escoamento na região é de 1 mil litros por hora. “Encontrar uma vazão de 24 mil litros por hora foi uma surpresa”, pontuou. Esta foi a quarta perfuração de poço realizada pelo IPA na região. “Autorizamos perfurações na tentativa de encontrarmos uma solução para a estiagem no Sertão. Na quarta tentativa, encontramos essa vazão”, afirmou Ramos.

SECA NO ESTADO

O Sertão pernambucano sofre com uma das piores secas dos últimos anos. Muitos açudes estão com o nível bem abaixo do normal, o pasto não cresce como antes, e o gado está morrendo de fome. Até a última sexta-feira, 78 municípios haviam decretado estado de emergência, sendo 56 no Sertão, 22 no Agreste e um na Mata Sul do estado.

SAIBA MAIS

•    24 mil litros por hora é a vazão do poço encontrado
•    30 metros é a profundidade do reservatório
•    9 km é a distância entre o poço e a comunidade que será atendida
•    1,2 mil famílias da comunidade Riacho do Meio serão beneficiadas
•    800 moradores são do centro do distrito
•    400 moradores são dos arredores de Riacho do Meio
•    45 dias é o tempo previsto para a construção da adutora que vai ligar o poço à comunidade
•    10 carros-pipa atendiam aos moradores de Riacho do Meio antes do achado
•    R$ 42 mil é o valor que o governo do estado deve economizar

ENTREVISTA – RANILSON RAMOS, SECRETÁRIO DE AGRICULTURA

O que esse poço encontrado em São José do Egito representa para a população do município?
Esse achado representa esperança para o povo do Sertão. Pretendemos ajudar a resolver o problema da estiagem no local com o lençol freático. Foi encontrado um poço com 24 mil litros por hora de vazão. Vejo como um oásis, pois, normalmente, a vazão nessa região é de apenas 1 mil litros/hora. É uma riqueza para o Sertão pernambucano.

Como o governo pretende fazer a distribuição da água?
Devo me reunir em breve com o governador Eduardo Campos para pedir agilidade na construção de uma adutora que vai levar a água para o distrito de Riacho do Meio, em São José do Egito. São nove quilômetros de distância entre o lençol e o local que será atendido. Esperamos terminar as obras em até 45 dias. Atualmente, os moradores são atendidos por dez carros-pipa. Com a descoberta, o governo vai economizar R$ 42 mil da contratação dos veículos.

Fonte: Diário de Pernambuco

Piauí tem um oceano de águas subterrâneas

Barragem Poço de Marruá, no município de Patos, a 399 quilômetros de Teresina: Piauí tem mais água no subsolo que na superfície (Foto: CCom)

O chefe da Companhia de Pequisa de Recursos Minerais, Francisco Lages, explicou que 58,48% dos municípios do Piauí são abastecidos com águas subterrâneas.

O técnico fez um comparativo do Piauí com São Paulo e a Líbia no que se refere a perfuração de poços para a captação de águas subterrâneas. O Que o Parnaíba desemboca no Atlántico a cada três horas é o mesma quantidade de água captada na poços perfurados na Líbia em um dia.

Á água subterrânea existente no Piauí é muito maior que a água da superfície, afirmou Francisco Lages. “O governador Wilson Martins me pediu que elaborasse um projeto para abastecimento de água na região do semiárido. Temos uma proposta altamente viável, precisando apenas um projeto de engenharia, que deve ser apresentado para a Agespisa ainda nesta semana. Há uma água tratada naturalmente. Os poços estão contruídos. Enfim, o projeto está pronto e é viável, economica e socialmente. O governador gostou do projeto, levou para Aracaju e mostrou para a presidente Dilma. Ele determinou o levantamento da viabilidade técnica do projeto para mandar executá-lo”.

Fonte: Piauí Hoje

Governo da Bahia inaugura primeira etapa do projeto Águas do Sertão

Ao todo, 82.932 habitantes que antes dependiam da água de açudes e poços artesianos serão beneficiados

Bahia – Choveu no dia em que o governo do Estado inaugurou a primeira etapa do projeto Águas do Sertão, que distribuí os recursos hídricos do Aquífero Tucano para as sedes dos municípios de Cícero Dantas, Fátima, Heliópolis, Paripiranga e 22 povoados.Todas as cidades da região estão em estado de emergência devido aos efeitos da seca.

Ao todo, 82.932 habitantes que antes dependiam da água de açudes e poços artesianos serão beneficiados. Para ter acesso ao lençol freático, foram escavados três poços de até 400 metros de profundidade e construídas 142,8 km de redes de abastecimento e mais duas mil ligações residenciais.

Águas do Sertão: quatro municípios e 22 povoados beneficiados

Além do uso doméstico, a água será distribuída também na alimentação de rebanhos e na agroindústria. A obra, iniciada em agosto do ano passado, custou R$ 78,4 milhões, em uma parceria do Estado com o Ministério das Cidades.

Uma segunda etapa da exploração do Aqüífero Tucano está em fase de captação de recursos junto ao Governo Federal, irá custar R$ 110 milhões e deve beneficiar 170 mil pessoas dos municípios de Novo Triunfo, Antas, Coronel João Sá, Jeremoabo e Euclides da Cunha. À espera de um período constante de chuva e do início do fornecimento da água para irrigação, os produtores convivem com  vacas magras e plantações perdidas.

“Ano passado já não foi bom e agora não deu nem para plantar. A vaca que a gente tinha, vendemos, se não ia morrer”, resigna-se José Nilton Correia dos Santos, 49 anos. “Essa seca infelizmente á a mais dura dos últimos 50 anos. A economia vai se ressentir esse ano e ano que vem.”, lamentou o governador Jaques Wagner, presente na inauguração.

Fonte: Correio 24 horas

Países que reformaram setor de água, 20 anos atrás, registram sucesso

Por Mônica Villela Grayley

Uma pesquisa realizada para o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, revela que os países, que seguiram as recomendações da ONU para reformar o setor de abastecimento e tratamento de água, obtiveram progresso na área.

As recomendações foram feitas há 20 anos durante a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente, ECO 92, no Rio de Janeiro.

Mecanismo Internacional

A pesquisa foi realizada em mais de 130 governos sobre administração e uso da água, um mecanismo internacional conhecido como Gerenciamento Integrado dos Recursos Hídricos.

Cerca de 90% dos países pesquisados reportaram impactos positivos após as reformas nacionais no setor. Mas há ainda melhorias a fazer nas áreas de irrigação, captação da água da chuva e investimentos em ecossistemas de água.

Um bom exemplo é o da Estônia, onde o governo introduziu tarifas sobre o serviço de água e impostos em casos de poluição. Com isso, caíram os níveis de contaminação no Mar Báltico aumentando o fornecimento de água.

Já na Costa Rica, 50% das receitas geradas pelas taxas de água estão sendo reinvestidos no gerenciamento de recursos hídricos.

Fonte: Rádio ONU

Recarga artificial garante abastecimento

Por Leandro Cipriano

Recursos subterrâneos correm perigo com a exploração irregular. Ideia é garantir injeção extra.

Os recursos hídricos subterrâneos são responsáveis por, pelo menos, 20% do abastecimento de água do Distrito Federal. Contudo, a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico (Adasa) estima que atualmente cerca de 30 mil poços exploram esses recursos no DF – a maioria por condomínios irregulares. Para evitar que mais ações agridam os reservatórios subterrâneos, também chamados de aquíferos, a Adasa estuda revisar sua própria normativa, implementando métodos que prevejam uma recarga artificial nesses pontos. A intenção é garantir uma injeção extra de água nos locais, que são abastecidos apenas pelas chuvas.

A estimativa é que até este ano a resolução da Adasa já preveja o uso da recarga artificial dos aquíferos do DF. Além de colocar em prática um tema que ainda não está regularizado, a Adasa estuda em que pontos a aplicação das técnicas de recarga será mais viável.

Dependência

Cada vez mais o DF depende das águas subterrâneas. Os recursos hídricos superficiais são alimentados, em parte, pelos aquíferos, principalmente na estação da seca, que costuma se prolongar no DF. Isso porque a disponibilidade dos recursos hídricos superficiais tem suas limitações, justamente por estarem situados em uma região alta e de nascentes, com os rios de baixa vazão.

Vários métodos podem ser utilizados para a recarga artificial, a depender dos locais onde realizados. A ação se faz necessária não somente para evitar uma futura escassez do recurso, mas também com o intuito de garantir uma qualidade maior da água e melhorar a distribuição nos locais onde são mais necessários.

Entre os mecanismos de recarga artificial mais comuns está a caixa de infiltração, também conhecida como poço de injeção passiva. São escavações no solo que podem ser revestidas, ou não, com manilhas furadas, preenchidas com areia ou cascalho para facilitar a infiltração da água. Um sistema de capitação das chuvas por mecanismos colocados nos telhados, com escoamento direto para os aquíferos, também é uma das várias opções estudadas pela agência reguladora.

São Sebastião no limite

Segundo a técnica da Superintendência de Recursos Hídricos da Adasa Monica Caltabiano, apesar de atualmente o Distrito Federal manter uma condição estável quanto a seus recursos hídricos subterrâneos, a iniciativa vem justamente para prevenir que o cenário sofra uma degradação maior ao longo dos anos. “É uma ferramenta de gestão. Mas primeiro é preciso um estudo das áreas, para saber se comportam esse tipo de interferência. Locais diferentes do DF podem precisar de técnicas de recarga diferentes”, explicou Mônica Caltabiano.

Na avaliação do professor do Departamento de Geociência da Universidade de Brasília (UnB) José Eloi, o DF não apresenta hoje um problema generalizado, apenas situações agravantes em determinados pontos. “São áreas não abastecidas pela Caesb, e sim por aquíferos. Normalmente em condomínios irregulares, que constroem poços próximos uns dos outros e bombeiam água 24 horas por dia. A longo prazo, vai literalmente secando os aquíferos”, apontou.

O Distrito Federal já apresenta alguns locais considerados críticos. Dos mapeados pela Adasa até o momento, São Sebastião é o que se destaca mais. “Isso porque é uma área que praticamente 100% da população é abastecida por águas subterrâneas, pois é localizada em cima de uma região assim. Por isso, já foi proibido na cidade fazer novos poços. Eles estão no limite”, disse Monica Caltabiano.

Uma preocupação crescente dos órgãos competentes são as regiões mais elevadas do DF, consideradas áreas de recarga natural dos aquíferos, mas cada vez mais ocupadas por condomínios irregulares. As invasões provocam a impermeabilização do solo, reduzindo a infiltração da água da chuva e comprometendo o acesso aos recursos hídricos em locais onde há exploração das águas subterrâneas.

A proposta de ampliar a atuação da Adasa, prevendo a regulamentação da recarga artificial dos aquíferos, ainda está em fase de revisão técnica. De acordo com a agência reguladora, será disponibilizada futuramente para consulta pública, pela internet, antes de sua publicação.

Fonte: Agência da Universidade de Brasília

Daerp tenta reduzir desperdício de 42% da água potável

Mais 68 poços serão monitorados com sistema eletrônico até o fim deste ano; hoje, 30 já têm supervisão

Na tentativa de reduzir a perda de água potável durante o processo de distribuição, que supera a casa dos 40%, o Daerp (Departamento de Água e Esgotos de Ribeirão Preto) prevê monitorar mais 68 poços de abastecimento até o fim deste ano. Tudo para que água limpa deixe de ser desperdiçada.

Atualmente, cerca de 30 unidades são controladas a distância pela chamada Central de Controle de Operacional (CCO).

Mesmo assim, a própria autarquia reconhece que muito do que é captado e tratado acaba sendo desperdiçado. O índice estimado é de 42% de perda de água captada do Aquífero Guarani na cidade por ano.

O último levantamento divulgado pelo Instituto Trata Brasil apontava que a perda chegava a 46%, baseado em números de 2009 do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, feito pelo Ministério das Cidades.

O superintendente do Daerp, Joaquim Ignácio Costa Neto, explica que o projeto de monitoramento de mais poços marcará investimento na ordem de R$ 4 milhões. “Com o monitoramento os técnicos conseguem acompanhar o nível dos reservatórios, a vazão da água bombeada e até desligar o equipamento da central, sem precisar se deslocar até os poços”, diz.

O último poço que passou a ser monitorado pelo Daerp fica na sede do Sesc, no Centro.

Como funciona

Pelo sistema em funcionamento, os dados são emitidos para a CCO por meio de uma antena instalada no alto do poço.

Os técnicos conseguem acompanhar o que ocorre no abastecimento em uma tela de computador. Segundo Costa Neto, antes do início do monitoramento, a autarquia registrava perda de água ainda maior devido à falha humana.

“O funcionário não passava no poço para averiguar se a bomba estava ligada ou não. Se ele não fosse, por algum motivo, a água ficava vazando do reservatório”, afirma.

A central funciona durante as 24h, com a supervisão de três funcionários, que se revezam em turnos.

Vazamentos ‘invisíveis’

Outra estratégia para fechar as torneiras foi adotada em 2010, quando uma empresa foi contratada para averiguar vazamentos “invisíveis” em 150 quilômetros de rede de distribuição.

“Estamos contratando para este ano uma pesquisa para auxiliar na correção dos vazamentos em mais de 1,5 mil quilômetros, totalizando assim 100% da rede pública”, diz Joaquim Ignácio da Costa Neto, superintendente do Daerp.

Segundo ele, a empresa tem impermeabilizado desde 2010 oito reservatórios públicos de concreto que apresentavam problemas com vazamento em suas paredes.

Costa Neto afirma que outra forma de perda de água envolve as adulterações nos hidrômetros residenciais. “Consumidores furam a cúpula do hidrômetro e bloqueiam o medidor. Eles também deformam o aparelho ao danificar a relojoaria interna”, explica. Ao menos 100 casos de fraudes são registrados por mês em Ribeirão. Fiscalizações foram intensificadas para combater a prática.

Desperdício em números

O Daerp capta 89 milhões de metros cúbicos de água por ano em Ribeirão Preto. A captação ocorre em 103 poços espalhados pela cidade.

Entretanto, apenas 51 milhões de metros cúbicos são faturados pelo Daerp. Esse volume todo é distribuído para 200 mil ligações, incluindo os consumidores residenciais, comerciais e industriais.

“70% das casas dos consumidores pagam até 30 metros cúbicos de água por mês”, diz o superintendente da autarquia, Joaquim Ignácio Costa Neto.

O grande desperdício de água faz Ribeirão ser prejudicado no ranking de saneamento básico que é feito levando em conta os dados coletados em 81 cidades do país.

No último ranking, referente ao ano de 2009, Ribeirão foi a sexta melhor do país, mas poderia ser ainda melhor se não despediçasse 46% da água captada à época. Franca, por exemplo, perdia apenas 17% da captação, sendo a terceira melhor. Santos, que foi a primeira, perdia 14%.

Fonte: Jornal A Cidade

África está sobre uma vasta reserva de água

O mapa geológico mostra que a reserva subterrânea pode equivaler em 20 vezes à precipitação anual no continente (Foto: FINBARR O'REILLY/Reuters).

Um estudo revela que o continente africano está sobre uma vasta reserva de águas subterrâneas. As bolsas agora mapeadas podem dar de beber a mais de 300 milhões de africanos que vivem hoje sem água potável.

Segundo os cientistas britânicos, os aquíferos subterrâneos têm um volume de água total 100 vezes superior à água encontrada na superfície.

Os principais aquíferos localizam-se no norte do continente e cerca de metade desta reserva estará no subsolo da Líbia, Argélia e Chade, revelam os cientistas da “British Geological Survey”, que, juntamente com a Universidade de Londres, mapearam em detalhe a quantidade e potencial rendimento do recurso.

Os geólogos britânicos encontraram também grandes reservas nas costas da Mauritânia, Senegal, Gâmbia e parte da Guiné-Bissau, assim como no Congo e na região limítrofe entre a Zâmbia, Angola, Namíbia e Botswana, detalha o estudo publicado esta quinta-feira na revista científica “Environmental Research Letters”.

Os especialistas recolheram os planos hidrológicos elaborados por diferentes países africanos e os resultados de 283 estudos regionais anteriores.

Mais de 300 milhões em África não têm acesso a água potável

“Estas grandes bolsas de água poderiam aliviar a situação de mais de 300 milhões de africanos que não dispõem de água potável e melhorar a produção de culturas”, afirmou o especialista do British Geological Survey, à BBC.

Em muitas zonas áridas e semi-áridas do continente seria possível extrair facilmente água destas reservas, em muitos casos localizadas a menos de 25 metros de profundidade. Já nalguns países do norte, como a Líbia, as reservas estão a mais de 250 metros de profundidade.

“O Corno de África é onde se encontram os aquíferos mais pequenos, mas ainda assim haveria uma quantidade suficiente para o consumo humano e uma extração por poços não seria cara. Além disso, não seria necessário investir no tratamento da água, porque a sua qualidade é muito boa”, disse McDonald.

O aumento da população aumenta as necessidades de água, para consumo e rega, sendo que as projeções demográficas para as próximas décadas apontam para a continuação desse crescimento.

Hoje, apenas cinco por cento dos terrenos férteis de África são irrigados.

Ainda assim, segundo MacDonald, a exploração das reservas através de grandes perfurações não é a melhor estratégia, devendo antes ser extraída apenas a quantidade de água que possa ser reposta pelas precipitações.

Fonte: Jornal de Notícias

Especialistas buscam rumos para a água subterrânea

Por Cecy Oliveira, cobertura Especial direto de Montevideu.

Um país como o Uruguai, cujas bacias hidrográficas são compartilhadas com outros países, é o cenário propício para abrigar, durante três dias, especialistas na área de recursos hídricos de 18 países na busca de soluções que ajudem a formatar propostas e modelos para tornar mais efetiva a governança, especialmente sobre a água subterrânea.

Como deixaram claro vários dos palestrantes do primeiro dia de atividades da consulta regional para a América Latina e Caribe do projeto Governança das Águas Subterrâneas: Um Marco Global para Ações Locais, que se realiza em Montevidéu (Uruguai) com promoção do Fundo da ONU para o Meio Ambiente (GEF), Unesco, por meio do Programa Hidrológico Internacional, FAO, AIH e Banco Mundial com apoio do Governo do Uruguai, há necessidade de tornar visível este recurso que permanece escondido no subsolo. “Se já é difícil a preservação e valorização das águas superficiais imagine-se o quanto é preciso trabalhar para mostrar a importância das águas subterrâneas” reconhecem os especialistas. Mas é preciso atentar que é sob a terra que estão mananciais que compõem 97% das águas doces do planeta.

Neste etapa do trabalho mais de uma centena de autoridades governamentais, técnicos renomados, representantes de ONGs e outras entidades da sociedade civil, e inclusive dos meios de Comunicação, vão avaliar e oferecer sugestões de ações direcionadas a achar caminhos para prevenir, melhorar e restaurar aquíferos ao redor do mundo permitindo que os usos se tornem sustentáveis.”Precisamos mostrar que em lugar de serem um problema as águas subterrâneas podem ser a solução para muitas cidades que hoje já enfrentam problemas de abastecimento” destacou o geólogo Ricardo Hirata, da USP (SP).

Ao abrir o evento a ministra de Habitação, Ordenamento Regional e Meio Ambiente do Uruguai, Graciela Muslera, lembrou a característica do seu país para a articulação e os acordos, também devido a que tem compartilhado com os países vizinhos como Brasil e Argentina seus recursos hídricos, ao longo de sua história. Recomendou que se busquem fórmulas de dar uma dimensão mais visível à água subterrânea e fazer uso sustentável sob pena de um sério comprometimento do futuro dos países latino-americanos. “Precisamos atuar tendo em vista as fragilidades e ameaças e contar sempre com a participação da comunidade que deve também ser responsável pelos nossos recursos hídricos” assinalou.

O ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Luis Almagro, citou as secas cíclicas que o país e a região sul do continente tem enfrentado lembrando que embora cada problema exija uma solução individualizada há caminhos comuns que podem ser buscados. Encerrando a abertura a diretora adjunta para Ciências Naturais da Unesco, Gretchen Kalonji, disse esperar que a resenha destes dias de trabalho possam incentivar as tomadas de decisão que garantam o uso sustentável das águas subterrâneas.

A esta primeira consulta devem se seguir as demais, abarcando Estados Unidos e Canadá, Europa, Ásia e África. O objetivo é coletar contribuições para o aperfeiçoamento que se encontra agora na fase de diagnóstico.

Previamente a essa reunião os participantes preencheram um questionário que possibilitou levantar os principais problemas e carências de informações, legislação e institucionalização. Enquanto alguns países da América Latina e Caribe já têm arcabouço legal e institucional outros ainda buscam dar os primeiros passos no estabelecimento de uma governança eficiente.

O projeto, no valor de US$ 4,5 milhões e prazo de três anos prevê o levatamento do estado atual – cujo resultado está agora sendo analisado nas consultas regionais – o diagnóstico, ou seja, a complementação da primeira etapa com as contribuições das consultas e a soluções politicamente viáveis para as carências e problemas detectados.

Bons exemplos animam

Um dos exemplos exitosos de gestão da água subterrânea apresentados é o da cidade de Ribeirão Preto onde existe uma regulamentação local para a perfuração de poços e zonas de exclusão.

Outro projeto que obteve boa repercussão foi o do Aquífero Guarani que possibilitou um acordo quadripartite para a proteção das fontes subterrâneas deste aquífero compartilhado pelo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

O diretor da Agência Nacional de Água (ANA), Paulo Varella, revelou que a agência vai dar continuidade aos trabalhos iniciados pelo Projeto Aquífero Guarani, desta vez voltado para as zonas de afloramento em território brasileiro. Um contrato no valor de R$ 5 milhões acaba de ser assinado pela ANA com a empresa Engecorps para o desenvolvimento do projeto de avaliação da vulnerabilidade natural do Aquífero Guarani em suas áreas de afloramento. Serão levantadas as vulnerabilidades, fontes potenciais de contaminação e gerado um mapa do perigo de contaminação. Além do detalhamento serão desenvolvidas duas áreas piloto, uma no Rio Grande do Sul e outra no Mato Grosso do Sul. O prazo do projeto é de 24 meses e envolve os oito estados brasileiros.

Segundo o diretor de Águas Subterrâneas da ANA, Fernando Oliveira, o projeto será desenvolvido em parceria com os Estados. Para objetivar este apoio mútuo está sendo criada uma comissão técnica com representação estadual.

Fonte: Boletim Água Online

Abastecimento – Prefeitura retoma obra do poço profundo do Cascata

O poço profundo terá cerca de 1.200 metros de profundidade e extrairá água do aquífero Guarani. A produção será de 250 mil a 300 mil litros de água por hora, sendo que o investimento é de R$ 4,3 milhões na execução da obra, que deverá estar pronta em cerca de mais 150 dias.

A Prefeitura de Marília retomou mais uma obra considerada prioritária para a população: a perfuração do poço profundo do Cascata, localizado ao lada da represa Cascata, e que será responsável pelo abastecimento de toda zona leste da cidade.

A perfuração do poço teve início em junho, mas a obra estava paralisada por falta de pagamento à empresa Constroleo, vencedora da licitação. Após contato com a administração do prefeito Ticiano Toffoli, a obra foi retomada e está na fase final.

O prefeito Ticiano Toffoli e o secretário municipal de Assuntos Estratégicos, José Carlos de Souza Bastos, o Beca, estiveram visitando a obra na tarde de sexta-feira (13), quando foram recepcionados pelo diretor da Constroleo, José David de Oliveira.

O poço do Cascata tem 1.070 metros de profundidade e capacidade de produção que pode chegar a 350 mil litros de água por hora. “A gente se orgulha de ter participado da perfuração do maior poço de água hoje em conclusão no Brasil. A Prefeitura de Marília está de parabéns por estar terminando esse poço, que irá beneficiar muito os marilienses. Para a gente é uma felicidade enorme entregar uma obra desse porte. É a maior obra de perfuração do Brasil em termos de diâmetro de perfuração, capacidade de exploração que pode chegar a 350 mil litros de água por hora. Perfuramos poços em vários lugares com o mesmo arenito e não conseguimos essa vazão. Então, Marília tem esse privilégio”, disse José David de Oliveira.

José David revelou que a profundidade chegou a 1.170 metros. “Inicialmente atingimos essa profundidade, mas concluímos o poço com 1.070 metros. Utilizamos em torno de 20 pessoas na perfuração desse poço, que trabalharam 24 horas por dia em três turnos durante cinco meses. Houve uma paralisação, que se não tivesse acontecido, a obra já estaria concluída há algum tempo.”

Ticiano Toffoli destacou a importância do poço profundo do Cascata. “Esta obra do poço do Cascata é uma das maiores do Brasil porque são 1.070 metros de perfuração. Obra estava parada, mas determinei a retomada porque água é primordial para a cidade. A represa Cascata do final do ano para cá não voltou aos 6,5m que é o nível que precisa ter e logo teremos um período de seca. Se esse poço não tiver em funcionamento, teríamos grande problema de água em toda essa zona leste. Porém, com determinação, fazendo aquilo que tem que ser feito pelo administrador público, cortamos despesas que não têm finalidade de atendimento à população e colocamos esses recursos para a continuidade dessa obra.”

O prefeito acredita que no mês de julho o poço já estará funcionando. “Agora está sendo feito o teste de vazão, que por enquanto está dando 210 mil litros de água por hora. Através desse teste saberemos a potência da bomba que terá que ser colocada aqui, o tipo de painel elétrico a ser instalado e a própria adutora. Em dez dias teremos essa vazão e o procedimento de licitação para a colocação da bomba definitiva, do painel elétrico e da adutora que interligará ao sistema de bombeamento do Cascata. A finalidade será levar essa água ao reservatório ao lado do Yara Clube. Daqui para a frente pode vir a seca que vier que conseguiremos manter a produção da represa Cascata com esse poço. Não dependeremos mais da represa, que será preservada para quando houver necessidade de alguma manutenção. O mais importante é que a obra foi reiniciada e terá continuidade até a sua conclusão para atender a população de Marília. Acredito que em julho já teremos condições de jogar toda essa água no sistema Cascata”, afirmou Toffoli.

Beca disse que a obra é orgulho para Marília. “É um dia de muita alegria. Quando vi essa água jorrando com essa quantidade e qualidade, como mariliense me senti muito orgulhoso e feliz. Todos sabem que a represa Cascata hoje depende da água da chuva e com 15 dias de estiagem praticamente seca. Esse poço vem resolver definitivamente todo o problema de abastecimento da zona leste de Marília, beneficiando até os futuros empreendimentos nessa região. É um poço muito importante e o prefeito Ticiano Toffoli está de parabéns, pois a obra estava parada por falta de recursos, mas através do esforço da atual administração, os pagamentos da Constroleo foram colocados em dia e hoje a água já está jorrando. Com esse poço em funcionamento, não será mais necessária a captação de água da represa Cascata.”

Fonte: Correio do Brasil

Novos Tempos – Cidade peruana faz greve geral contra megaprojeto de mineração

Serviços públicos e privados estão paralisados; moradores temem contaminação da água

A cidade de Cajamarca, no oeste do Peru, realiza desde a zero hora desta quarta-feira (11/04) uma paralisação por tempo indefinido de seus serviços comerciais e públicos em protesto contra um megaprojeto de mineração para exploração de cobre e ouro na região, conhecido como projeto Conga. As ruas da cidade estão tomadas por protestos e passeatas e as estradas que dão acesso a Cajamarca estão bloqueadas.

Mineração é uma das principais atividades econômicas do Peru; expansão enfrenta críticas pelo impacto ambiental (Crédito: Efe).

Os manifestantes organizados pela Frente de Defesa de Cajamarca, que incluem sindicados, igreja católica, políticos, movimentos sociais e governo local rechaçam a implantação do Conga pela suposta ameaça ao abastecimento de água nas comunidades.

Para proteger a área do projeto, o governo peruano enviou 1.500 homens da Polícia Nacional Peruana à região que se espalham entre a cidade e a zona de influencia da mina. “Estamos em coordenação com as forças de segurança no Peru para proteger nossos equipamentos, nossos trabalhadores que já se encontram no local”, disse Luis Argueles, gerente comercial do projeto Conga.

Riscos

Segundo o economista e engenheiro Juan Aste Daffós, da Universidade Nacional de Lima, a maior contaminação será nas águas subterrâneas e superficiais. “Seriam destruídas quatro nascentes de lagoas existente na região. A empresa Yanacocha deteria o direito de controlar a água, provocando o deslocamento da população campesina que teria suas economias e modo de vida afetados”, disse Daffós, que pesquisa economia mineral e gestão ambiental, manejos e conflitos.

Ainda, um estudo hidrogeológico da região elaborado pelo pesquisador espanhol Luis Javier Lambán Jiménez aporta elementos críticos que demonstram inconsistência do Estudo de Impactos Ambientais – EIA, do projeto Conga, realizado pela equipe técnica de Gerência Regional de Recursos Naturais e Gestão do Meio Ambiente Peruano.

No documento Jiménez comenta, “não existe um estudo hidrogeológico detalhado, precisando o impacto que geraria na flora e fauna terrestre. Nesse local há espécies endêmicas e protegidas que teriam um dano irreversível”, aponta.

Em outro trecho do documento, o pesquisador também cita danos aos camponeses, “a água para o consumo humano seria comprometida e as atividades de produção agrícola, base da atividade local, seria seriamente comprometida”, menciona.

O Projeto

Pleiteado pela empresa Yanacocha, cujos principais donos são a Newmont (USA, 51.35%), Buenaventura (Grupo Benavides, Perú, 43.65%) e o Banco mundial (5% de ações), é considerado um mega projeto para extração de cobre e ouro.

Localizado aproximadamente a 73 km ao noroeste da cidade de Cajamarca e a 585 km da cidade de Lima, a jazida tem uma projeção de capacidade de 504 milhões de toneladas de mineral com 0.28% de cobre e 0,72 gramas de ouro por tonelada.

“A exportação de cobre e ouro será obtida tratando 92 mil toneladas diárias de minério” explica Daffós, que estudou o projeto. O pesquisador acredita que a quantidade de ouro que se extrairia, sem considerar perdas, “é de 363 toneladas e o cobre fino extraído seria de 1.41 milhões de toneladas”.

O presidente da Câmara do Comércio do Peru, Jorge Vergara, declarou que o governo Peruano não deve se intimidar com as manifestações e aprovar Conga. “Não podemos parar por causa dessas pessoas que são contra o progresso peruano, a execução do projeto tem que seguir”, afirma.

Já o primeiro-ministro peruano, Óscar Valdes, disse que aceita as reivindicações, mas acredita que são infundadas. “Somos respeitosos aos protestos, mas nossa perícia sobre os impactos da exploração da mina sairá nos próximos dias e provará o que sempre tem acontecido no Peru, o respeito das mineradoras ao meio ambiente”.

Fonte: OperaMundi