Potável, porém contaminada

Pesquisa acusa presença de contaminantes emergentes na água fornecida em 16 capitais brasileiras

Texto: Manuel Alves Filho
Fotos: Antonio Scarpinetti
Edição de Imagens: Tulio Chagas

A água potável fornecida em 16 capitais brasileiras, onde vivem aproximadamente 40 milhões de pessoas, apresenta contaminação por substâncias ainda não legisladas, mas que podem ser potencialmente nocivas à saúde humana. A constatação é de uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto Nacional de Ciências e Tecnologias Analíticas Avançadas (INCTAA), que está sediado no Instituto de Química (IQ) da Unicamp, em colaboração com outras instituições. Os pesquisadores identificaram, por exemplo, a presença de cafeína em todas as 49 amostras coletadas no cavalete (cano de entrada) de residências espalhadas pelas cinco regiões do país. “Esse dado é relevante, pois a cafeína funciona como uma espécie de traçador da eficiência das estações de tratamento de água. Ou seja, onde a cafeína está presente, há grande probabilidade da presença de outros contaminantes”, explica o professor Wilson de Figueiredo Jardim, coordenador do estudo e do Laboratório de Química Ambiental (LQA) do IQ.


Além de cafeína, os cientistas também encontraram nas amostras analisadas concentrações variadas de atrazina (herbicida), fenolftaleína (laxante) e triclosan (substância presente em produtos de higiene pessoal). No caso da cafeína, as duas capitais que apresentaram maiores níveis de contaminação pela substância foram, respectivamente, Porto Alegre e São Paulo. “A liderança de Porto Alegre nesse ranking foi uma surpresa. Há uma hipótese para explicar a situação, mas ela evidentemente depende de confirmação. Segundo essa conjectura, a contaminação estaria ocorrendo porque os gaúchos são grandes consumidores de erva mate, que, por sua vez, tem grande concentração de cafeína. Independentemente da origem, a presença da cafeína na água fornecida aos porto-alegrenses e aos demais moradores das capitais consideradas no estudo demonstra que os mananciais estão contaminados por esgoto e que as estações de tratamento não estão dando conta de remover este e outros compostos do produto que chega às torneiras das residências. Ou seja, é a prova inequívoca de que estamos praticando o reúso de água há muito tempo”, explica o docente da Unicamp.

De acordo com Wilson Jardim, por não serem legislados, esses contaminantes emergentes – são emergentes não porque são novos, mas porque estão cada vez mais presentes no ambiente – não são monitorados com frequência. Ademais, a ciência ainda não sabe ao certo qual o limite de proteção ao ser humano e nem que efeitos deletérios eles podem causar ao organismo do homem. “Entretanto, já dispomos de estudos científicos que apontam que esses compostos têm causado sérios danos aos organismos aquáticos. Está comprovado, por exemplo, que eles podem provocar a feminização de peixes, alteração de desenvolvimento de moluscos e anfíbios e decréscimo de fertilidade de aves”, elenca o professor da Unicamp.

Quanto aos humanos, prossegue Wilson Jardim, há indícios de que os contaminantes não legislados, especialmente hormônios naturais e sintéticos, como o estrógeno, podem provocar mudanças no sistema endócrino de homens e mulheres. Uma hipótese, que carece de maiores estudos, considera que esse tipo de contaminação poderia estar contribuindo para que a menarca (primeira menstruação) ocorra cada vez mais cedo entre as meninas. “Estabelecer esse nexo causal é difícil. Entretanto, temos que estar atentos para problemas dessa ordem. Acredito que, com o tempo, os contaminantes emergentes também terão que ser legislados. O trabalho que estamos realizando tem por objetivo exatamente fornecer subsídios para a formulação de políticas públicas que possam assegurar à população o fornecimento de uma água potável de maior qualidade”, diz.

Na opinião do especialista, o melhor caminho a seguir, num primeiro momento, é dar continuidade às pesquisas com vistas ao estabelecimento de normas que concorram para preservar o ambiente. “Esse tema será discutido em congresso científico que será realizado brevemente. A Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental [ABES] tem refletido sobre essa questão e deverá formular uma proposta de limiares de proteção da vida aquática. O passo seguinte, acredito, deverá estender esses parâmetros em relação ao ser humano”, prevê o docente.

Conforme Wilson Jardim, o trabalho de análise da água potável fornecida nas 16 capitais contou com a participação de 25 pesquisadores das seguintes instituições, além da Unicamp: Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) e Universidade Federal do Paraná (UFPR).

CAPITAIS PESQUISADAS


Depois de coletarem as amostras de água nos cavaletes das residências, seguindo procedimentos previamente estabelecidos, os pesquisadores as enviaram à Unicamp, onde as análises químicas foram realizadas. Os métodos analíticos empregados atualmente, destaca Wilson Jardim, são bastante precisos. Tanto é assim que determinados contaminantes foram identificados em concentrações equivalentes a nanogramas por litro. Um dado interessante proporcionado pelo estudo, segundo o professor da Unicamp, é que as capitais costeiras, como Florianópolis, Vitória e Rio de Janeiro, apresentaram níveis de contaminação inferiores às demais. A explicação para isso, cogita o especialista, é o fato de esses municípios lançarem parte do esgoto diretamente no mar. “Desse modo, os rios de onde a água é captada para posterior fornecimento à população apresentam concentrações inferiores de poluentes”, argumenta.

No caso do Brasil, insiste o docente, a alternativa de curto prazo para enfrentar esse tipo de problemática é estabelecer novos valores de referência para a potabilidade da água. Wilson Jardim lembra que já existem tecnologias disponíveis capazes de remover os contaminantes não legislados. A própria lei brasileira, segundo ele, estabelece que as concessionárias de água devem adotar métodos de polimento mais sofisticados contra substâncias potencialmente nocivas, mesmo que elas não estejam legisladas. “É claro que um investimento desse tipo pode encarecer o custo de produção da água potável. Entretanto, temos que considerar que determinados compostos acarretam custos sociais ainda maiores, visto que podem trazer sérias sequelas não apenas ao ser humano exposto, com também aos seus descendentes”, pondera.

Wilson Jardim assinala que, se olharmos o cenário mundial, perceberemos que até mesmo os países que tratam 100% do seu esgoto enfrentam problemas de contaminação da água potável. Isso decorre de uma série de fatores, entre os quais o crescimento e adensamento populacional e a chegada ao mercado de novas substâncias. “Estudos indicam que 1.500 substâncias são lançadas anualmente no mundo. São moléculas novas, às quais não estamos tendo tempo de estudar. Além disso, o padrão de consumo da sociedade tem crescido freneticamente. Antes, uma pessoa usava, em média, três produtos de higiene pessoal antes de sair de casa. Hoje, usa dez. Há alguns anos, as pessoas passavam filtro solar apenas para ir à praia e à piscina. Agora, muita gente passa diariamente para ir trabalhar, inclusive por recomendação médica”, exemplifica.

Continuidade

De acordo com Wilson Jardim, as pesquisas em torno da qualidade da água potável das capitais brasileiras terá continuidade. O INCTAA vai se dedicar ao tema por mais dois anos. Nesse período, os pesquisadores trabalharão em duas frentes. Primeiramente, as análises realizadas nas 16 primeiras cidades serão repetidas, para verificar se houve alguma alteração. Em seguida, o trabalho será estendido para as demais capitais. “Queremos traçar um panorama geral do país por intermédio desses municípios. Penso que temos prazo suficiente para concluir essa tarefa”, calcula o docente da Unicamp. Ele informa que os estudos realizados pelo Laboratório de Química Ambiental (LQA) em conjunto com o INCTAA já têm contribuído para que as concessionárias considerem promover melhorias em seus sistemas de tratamento de água.

Em Campinas, por exemplo, a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S/A (Sanasa) demonstrou interesse em adotar novas tecnologias que possam reduzir a presença de contaminantes não legislados na água fornecida aos campineiros. Além da Sanasa, outras concessionárias do Estado de São Paulo também estão iniciando conversações com Wilson Jardim com o mesmo propósito.

Fonte: Jornal da Unicamp

Pesquisa constata que o alecrim-do-campo (Baccharis dracunculifolia) absorve arsênio e pode proteger solo e água em áreas de mineração

Pesquisa de mestrado no ICB constata que planta absorve arsênio e pode proteger solo e água em áreas de mineração

Por Itamar Rigueira Jr.

Manchas avermelhadas indicam um dos efeitos tóxicos do arsênio na flora (Arquivo: Lívia Gilberti).

Técnicas geralmente usadas na recuperação de solos contaminados por metais pesados são caras, destroem a paisagem e podem afetar a saúde de pessoas diretamente envolvidas. Uma estratégia alternativa é a fitorremediação, que consiste na utilização de plantas que removem ou diminuem a presença de elementos nocivos ao ambiente. No caso de áreas de mineração como em Nova Lima, onde solo e águas superficiais e subterrâneas apresentam alta concentração de arsênio provocada pela escavação de rochas, a solução pode estar no alecrim-do-campo (Baccharis dracunculifolia).

“Diferentemente da maioria das plantas, que não toleram o arsênio em altas concentrações, o alecrim-do-campo absorve e imobiliza o elemento em sua raiz, o que evita a ingestão por insetos, que se alimentam de suas folhas, e por pessoas que usam a planta com fins medicinais”, explica Lívia Gilberti, autora de dissertação de mestrado que constatou que a espécie sobrevive a níveis muito altos de arsênio no solo.

Interessada em estudar possibilidades de fitorremediação na região do Quadrilátero Ferrífero, que tem na concentração de arsênio no solo (mais de 8000 mg/kg) um grave problema ambiental, Lívia percebeu que o alecrim-do-campo cresce de forma bem distribuída em área minerada de Nova Lima e partiu da hipótese de que a planta é especialmente tolerante. Coletou amostras do solo e de tecidos da Baccharis dracunculifolia, espécie já conhecida dos pesquisadores do Laboratório de Ecologia Evolutiva e Biodiversidade, do ICB. A espécie, nativa e colonizadora de ambientes perturbados por alterações antrópicas, apresenta grande capacidade de crescimento natural e ampla distribuição, características que a credenciam a integrar projetos de recuperação de solos contaminados.

Estudos foram desenvolvidos também em laboratório para comparação com a situação do campo: Lívia germinou sementes de alecrim e, depois de dois meses, sempre controlando fatores ambientais, aplicou arsênio no solo, em diferentes concentrações. “As plantas em contato com concentração elevada de arsênio cresceram menos, apresentaram manchas avermelhadas em algumas folhas e alterações na distribuição de nutrientes. Mas o alecrim cresce e se reproduz, ou seja, é tolerante ao arsênio”, afirma a pesquisadora. Ela ressalta que o alecrim usado em laboratório pode ser menos tolerante ao arsênio que as plantas observadas no campo, pois é provável que nessas áreas contaminadas já tenham ocorrido alterações genéticas na espécie.
Replantio

Depois de novas pesquisas que ajudem a entender os mecanismos de tolerância ao arsênio em B. dracunculifolia, o replantio poderá ser recomendado com o uso de exemplares que já apresentam mais resistência. “A exploração mineral tradicionalmente provoca intensa degradação ao meio ambiente. Além de remover a camada vegetal, do solo e rochas, ela acelera a liberação do arsênio nos solos e cursos d’água”, diz Lívia. Essa degradação, argumenta, torna imperativa a reabilitação das áreas impactadas pelas atividades da mineração, restabelecendo a cobertura vegetal do local minerado para corrigir ou diminuir os impactos provocados e evitar a contaminação de pessoas que vivem próximo a essas áreas. “Para isso, é importante que se lance mão de uma espécie nativa, que não vai alterar a paisagem e as características das áreas afetadas. O alecrim tem também a vantagem de ajudar a evitar a erosão e a lixiviação do arsênio no solo”, conclui Lívia Gilberti.
Mineração é a principal fonte de arsênio

O arsênio é um elemento abundante na crosta terrestre. Ele é naturalmente introduzido no ambiente a partir de erupções vulcânicas e do processo de erosão das rochas. Outras atividades aceleram sua liberação na natureza, já que, por exemplo, compõe fórmulas de herbicidas, inseticidas e conservantes de madeira. Mas a principal fonte de arsênio são as operações de mineração, que o expõem à água e ao ar, solubilizando-o e facilitando a contaminação de águas e solos.

As pesquisas de Lívia Gilberti encontraram mais de oito mil mg/kg de arsênio nos solos de áreas próximas a depósitos de rejeitos de mineração em Nova Lima, e outros estudos na mesma região já detectaram altas concentrações do elemento em águas superficiais e subterrâneas que ultrapassam o limite permitido para consumo humano, que é de 10 µg/L.

A exposição crônica ao metal aumenta o risco de várias formas de câncer (sobretudo de pele, pulmão, próstata e bexiga) e provoca hiperpigmentação da pele, doenças gastrointestinais, cardiovasculares, pulmonares, reprodutivas e neurológicas. A intoxicação continuada por arsênio é responsável por milhares de mortes em todo o mundo.

 Dissertação: Potencial da espécie nativa Baccharis dracunculifolia DC (Asteraceae) para uso na fitorremediação de áreas contaminadas por arsênio
Autora: Lívia Gilberti
Orientador: Geraldo Wilson Fernandes
Programa: Pós-graduação em Biologia Vegetal
Defesa: 24 de fevereiro de 2012

Fonte: Boletim UFMG Nº 1767 – Ano 38, publicada pelo EcoDebate.

ONU lista 56 recomendações para um mundo sustentável

Por Denise Menchen

A ONU lançou na sexta (18), no Rio, a versão em português de um relatório com 56 recomendações para que o mundo avance em direção ao desenvolvimento sustentável.

O documento, elaborado por 22 especialistas ao longo de um ano e meio, traz sugestões mais ousadas do que aquelas que devem ser acordadas na Rio+20, a conferência da ONU sobre o tema que ocorre em junho na cidade.

Entre as propostas estão o fim dos subsídios aos combustíveis fósseis e a precificação do carbono, com a cobrança, por exemplo, de impostos sobre as emissões de gases do efeito estufa.

Espera-se assim estimular a disseminação de tecnologias verdes. “É um relatório com frases e recomendações muito diretas”, diz o embaixador André Corrêa do Lago, negociador-chefe do Brasil para a Rio+20.

Para ele, o documento final do encontro de cúpula da ONU deverá trazer formulações “mais sóbrias”.

Outras medidas sugeridas são a criação de um fundo apoiado por governos, ONGs e empresas para garantir acesso universal à educação primária até 2015 e a inclusão dos temas consumo e desenvolvimento sustentáveis nos currículos escolares.

As recomendações são divididas em três grupos, de acordo com seus objetivos principais. O primeiro visa a capacitar as pessoas a fazerem escolhas sustentáveis; o segundo, a tornar a economia sustentável; e o terceiro, a fortalecer a governança institucional para o desenvolvimento sustentável.

“As pessoas participaram desse painel a título pessoal, ou seja, elas não estavam representando governos. Isso dá mais força [ao documento], porque o painel pode dizer certas coisas que não são consenso [entre os mais de 190 países da ONU]“, diz Corrêa do Lago.

O coordenador do relatório, porém, disse esperar que as recomendações sejam levadas em consideração pelos negociadores da Rio+20.

Janos Pasztor citou o estabelecimento de metas numéricas para o desenvolvimento sustentável como uma sugestão que pode ser adotada no curto prazo. O tema está em discussão na Rio+20.

A ex-primeira-ministra da Noruega Gro Brundtland, considerada “mãe” do conceito de desenvolvimento sustentável, participou da elaboração do relatório.

O documento completo pode ser acessado pelo site www.onu.org.br/docs/gsp-integra.pdf .

Fonte: Folha.com

Rio Preto tem 47 áreas com solo contaminado

Postos de gasolina e até aterro sanitário da prefeitura apresentam vazamentos que afetam água no subsolo

Por Getúlio Salvador

A Cetesb notificou  proprietários de 47 áreas com solo contaminado, em Rio Preto. Dos  pontos encontrados, em apenas três o material poluente ainda não atingiu a água. Segundo números da companhia, são 41 postos de combustíveis, cinco empresas e uma área da prefeitura, onde existia um lixão e posteriormente um aterro sanitário, no Distrito Industrial Carlos Arnaldo.

O estudo da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), que é feito desde 2002, mostra que nos postos, maiores responsáveis pelas contaminações, a forma utilizada para armazenar  os combustíveis é a causa do problema. “Ainda existem postos com os antigos tanques subterrâneos, de onde vazam produtos que contaminam o solo. Com o tempo, todos serão substituídos, principalmente os que já deram problema”, disse o presidente da Cetesb em Rio Preto, Antônio Falco Júnior.

O presidente explicou que todas as áreas estão em uma das quatro fases da pesquisa de contaminação do solo, que são as preliminar, confirmatória, detalhada e de risco. “Todas as empresas ou áreas citadas estão em processo de recuperação. Os postos precisam da licença ambiental emitida pela Cetesb para funcionar, por isso estão fazendo de tudo para resolver o problema para que não sejam impedidos de  operar”.

Antônio Falco Júnior explicou que os novos tanques para depósito de combustíveis são feitos com parede dupla, para que a contaminação do solo seja evitada. Entre as paredes, existem sensores que acusam vazamento, o que acelera e facilita o trabalho de contenção. “Em poucos anos, 100% dos postos terão esse tipo de tanque, o que deve resolver a questão. Não é mais permitido que os postos tenham tanques com mais de 15 anos de uso, o que torna a renovação obrigatória”, explicou.

Os tanques de armazenamento, localizados na avenida Cenobelino de Barros Serra, nº 244, são citados entre os pontos contaminadores. A assessoria de imprensa da Petrobrás informou que a empresa utiliza os reservatórios, mas que a Ipiranga é quem administra e se responsabiliza pela área.

No caso da área da prefeitura, a Secretaria de Meio Ambiente comunicou que tem um projeto desenvolvido para recuperar a área contaminada. O secretário Lima Bueno explicou que o local funcionava como uma área de depósito de lixo, que foi desativada em 2007. “A Cetesb exigiu da prefeitura a destinação final da área. Já vamos começar a terceira fase da pesquisa que vai nos dar um parecer preciso da situação do local”.

Lima Bueno afirma que devido ao tempo em que o lixo foi descartado na área sem que fossem tomadas as medidas de segurança sanitária, o local dificilmente poderá ser aproveitado para outra coisa que não seja um parque ou uma área de preservação ambiental. “Não se trata de descaso ou irresponsabilidade de alguém no passado. O problema é que antigamente não existiam estudos sobre o assunto e muito lixo foi simplesmente jogado lá. Hoje reconhecemos que existe um problema ambiental que só pode ser resolvido a longo prazo, mas estamos trabalhando para diminuir ou até anular os impactos”, disse.

Lima Bueno disse que o trabalho de recuperação começou em 2010 e que a situação da área era crítica. “Existem pontos com camadas de quase três metros de lixo. Instalamos um equipamento especial que nos permite monitorar uma possível contaminação do lençol freático. Apenas agora poderemos saber com certeza o grau de poluição e estimar o tempo de recuperação da área.

Descumprimento de notificações  pode gerar multas de até R$ 18 mil no caso dos postos

O gerente da Cetesb em Rio Preto, Antônio Falco Júnior, disse que no caso dos postos de combustíveis não cumprirem as notificações e as contaminações de solo não serem tratadas, além da perda da licença ambiental, que impediria a empresa de continuar funcionando, os donos podem levar multas que podem chegar a mil Ufesp, o que corresponde a R$ 18,44 mil.

Antônio Falco explica que nenhuma das 47 empresas citadas foram autuadas, e que a média da multa aplicada nos casos de contaminação de solo por postos de combustíveis é de 501 Ufesp, porque normalmente a infração é considerada de natureza leve. No caso de infrações médias a multa vai de 1.001 a 5 mil Ufesp, e quando é considerada grave, de 5.001 a 10 mil.

“Nós entendemos que as contaminações são resultados da ação do  tempo, não de falhas. Classificamos as infrações como leves, mas sempre há  o interesse mútuo em sanar o problema”, disse.

Fonte: Bom Dia Rio Preto

Pesquisadores do clima dizem ter resolvido mistério da elevação do mar

Extração de águas subterrâneas explicariam parte do aumento dos níveis. Causas da elevação do nível do oceano ainda não são totalmente conhecidas.

A extração massiva de águas subterrâneas pode resolver um mistério relacionado à elevação dos níveis do mar nas últimas décadas, pesquisadores japoneses informaram neste domingo (20).

Especialistas estimam que os níveis globais do mar tenham aumentado, em média, 1,8 milímetros por ano de 1961 a 2003, mas a grande questão é o quanto disso pode ser atribuído ao aquecimento global.

Um relatório de 2007 divulgado no Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática da ONU, o IPCC, atribuía a elevação de 1,1 milímetros por ano à expansão térmica dos oceanos e ao degelo das geleiras, calotas polares e calotas da Groenlândia e da Antártida. Os outros 0,7 milímetros não têm origem atribuída e acabaram se tornando um mistério para vários cientistas, que se perguntavam se os dados estavam realmente corretos.

Em um estudo publicado no jornal “Nature Geoscience”, um time de pesquisadores liderado por Yadu Pokhrel, da Universidade de Tóquio, diz que a resposta está na água que é extraída dos aquíferos subterrâneos, rios e lagos, para o desenvolvimento humano, e nunca é reposta.

Eventualmente, essa água chega ao oceano por meio de rios e da evaporação, informa o estudo. A pesquisa afirma que a extração dessa água é um componente importante para resolver o mistério da elevação dos níveis do mar.

“O uso insustentável das águas subterrâneas, represas artificiais, armazenamento terrestre de água causado pelo clima e a perda de água de bacias fechadas contribuíram para o aumento dos mares de 0,77 milímetros por ano de 1961 a 2003, cerca de 42% do aumento observado”, diz a pesquisa.

O estudo pretende preencher uma das lacunas na complexa ciência das mudanças climáticas. Os pesquisadores admitem que existem muitas incógnitas sobre as maneiras com as quais os oceanos respondem ao aquecimento, e uma delas é relacionada ao aumento dos níveis do mar.

Mesmo que pequeno, um aumento repetido ano após ano pode, eventualmente, causar um impacto dramático nas localizações que são vulneráveis a tempestades ou ao influxo de água salgada nos aquíferos e campos costeiros.

O estudo divulgado em 2007 pelo IPCC revela que os oceanos se elevarão algo entre 18 e 59 centímetros até o final do século. Apesar disso, a estimativa não leva em consideração às águas derretidas das calotas da Groenlândia e da Antártida.

Uma pesquisa publicada no ano passado pelo Projeto de Monitoramento e Avaliação do Ártico afirma que os níveis do mar subirão, pelas tendências atuais de derretimento, de 90 centímetros a 1,6 metros até 2100.

Fonte: G1, com a France Presse

PF fecha lixão a céu aberto no município de Tanguá, no Rio de Janeiro

Agentes da Coordenadoria Integrada de Combate aos Crimes Ambientais (Cicca) da Policia Federal (PF), do Exército e de órgãos estaduais ligados ao meio ambiente fecharam na última sexta-feira (18) um lixão que funcionava no município de Tanguá, região da Baixadas Litorâneas do Rio. A operação faz parte do Programa Lixão Zero da Secretaria de Estado do Ambiente, cuja meta é acabar com todos os lixões a céu aberto no Rio de Janeiro até 2014, transferindo o destino final dos resíduos para aterros sanitários.

Segundo o coordenador da Cicca, coronel José Maurício Padrone, a Secretaria de Estado do Ambiente tem intensificado esse tipo de ação em diferentes regiões do estado com o objetivo de inibir crimes ambientais. Até 2014 serão feitas operações mensais para alcançar a meta estabelecida pelo governo do Estado de eliminar os lixões a céu aberto.

Padrone disse que os municípios precisam adotar medidas emergenciais para que o destino dos resíduos produzidos pelos moradores da região seja direcionado a aterros sanitários autorizados a funcionar e não a lixões.

“O município tem que tomar medidas para construir o seu próprio aterro ou fazer consorcio com outros municípios para fazer um aterro sanitário e, com isso, dar a destinação correta aos resíduos produzidos pelos moradores. O objetivo da Secretaria de Estado do Ambiente é acabar com todos os lixões do estado”, disse.

Todo o lixo produzido pelos moradores de Tanguá era destinado ao lixão interditado pelos agentes federais. Com o seu fechamento, a prefeitura terá que encaminhar os resíduos para o aterro sanitário do município de Itaboraí, na região metropolitana do Rio.

A operação também encontrou irregularidades no armazenamento de explosivos da mineradora Empresa de Mineração Tanguá (Emitang) que, segundo Padrone, estavam estocados dentro de uma mina, o que é proibido pela legislação brasileira.

“Eles têm autorização para usar dinamite, mas [a dinamite] tinha que estar estocada de forma segura. Os explosivos têm que ficar no paiol com segurança, limpo e em local arejado. Aqui armazenavam dentro da mina uma quantidade maior do que eles tinham permissão e [os explosivos] estavam acondicionados de forma irregular”, disse. A empresa foi autuada também por utilizar óleo ascarel em geradores. A substância é altamente tóxica, não degradável e sua utilização está proibida no país.

Durante a ação, um representante da prefeitura de Tanguá foi detido e encaminhado para a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente da Polícia Civil (DPMA) para prestar depoimento. Já Rafael Costa Matta, diretor e um dos sócios da Emitang, o químico e um operador da mina foram encaminhados à Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente da Polícia Federal para prestar esclarecimentos.

A empresa terá um prazo de até 15 dias para responder ao auto de infração emitido pelos agentes. Caberá ao conselho diretor do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), definir o valor da multa que será aplicada à empresa Emitang. A multa varia de R$ 5 mil a R$ 1 milhão, de acordo com a expansão e os danos causados ao meio ambiente.

Fonte: Agência Brasil

Água achada no lençol freático vai ajudar no abastecimento de uma comunidade no Sertão do Pajeú

Um oásis no Sertão do Pajeú. Assim foi definido o poço com vazão de 24 mil litros de água por hora perfurado em São José do Egito, município distante 412 quilômetros do Recife. A água encontrada no lençol freático deve ajudar a solucionar a estiagem em um distrito da região, com situação de emergência decretada. Ontem, o secretário de Agricultura e Reforma Agrária do estado, Ranilson Ramos, foi até o local para verificar a informação do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) de que a perfuração tinha escoamento suficiente para abastecer o povoado de Riacho do Meio, zona rural de São José do Egito. A descoberta deve beneficiar 1,2 mil habitantes da área.

O poço foi perfurado na localidade da Baixa Ovelha, distante nove quilômetros do distrito que será beneficiado. Para que o abastecimento seja realizado, o secretário pretende construir um canal que vai transportar a água até Riacho do Meio. O próximo passo é pedir autorização ao governador Eduardo Campos para a implantação imediata de uma adutora no local. “Devo me reunir em breve com o governador para propor agilidade no processo. Esperamos terminar a construção em até 45 dias”, informou Ranilson Ramos. Segundo o secretário, a descoberta vai levar a uma economia nos cofres públicos de R$ 42 mil por mês. Esse é o valor investido atualmente na contratação de dez carros-pipa para o abastecimento do distrito. “Esperamos ajudar as famílias da região com essa nova opção de recursos”, completou Ramos.

A qualidade da água, encontrada a 30 metros de profundidade, também foi comprovada. “Fui até o local para testar a qualidade pessoalmente. Trata-se de água de boa qualidade e em abundância. É uma riqueza para o Sertão de Pernambuco”, frisou. De acordo com o secretário, a média de escoamento na região é de 1 mil litros por hora. “Encontrar uma vazão de 24 mil litros por hora foi uma surpresa”, pontuou. Esta foi a quarta perfuração de poço realizada pelo IPA na região. “Autorizamos perfurações na tentativa de encontrarmos uma solução para a estiagem no Sertão. Na quarta tentativa, encontramos essa vazão”, afirmou Ramos.

SECA NO ESTADO

O Sertão pernambucano sofre com uma das piores secas dos últimos anos. Muitos açudes estão com o nível bem abaixo do normal, o pasto não cresce como antes, e o gado está morrendo de fome. Até a última sexta-feira, 78 municípios haviam decretado estado de emergência, sendo 56 no Sertão, 22 no Agreste e um na Mata Sul do estado.

SAIBA MAIS

•    24 mil litros por hora é a vazão do poço encontrado
•    30 metros é a profundidade do reservatório
•    9 km é a distância entre o poço e a comunidade que será atendida
•    1,2 mil famílias da comunidade Riacho do Meio serão beneficiadas
•    800 moradores são do centro do distrito
•    400 moradores são dos arredores de Riacho do Meio
•    45 dias é o tempo previsto para a construção da adutora que vai ligar o poço à comunidade
•    10 carros-pipa atendiam aos moradores de Riacho do Meio antes do achado
•    R$ 42 mil é o valor que o governo do estado deve economizar

ENTREVISTA – RANILSON RAMOS, SECRETÁRIO DE AGRICULTURA

O que esse poço encontrado em São José do Egito representa para a população do município?
Esse achado representa esperança para o povo do Sertão. Pretendemos ajudar a resolver o problema da estiagem no local com o lençol freático. Foi encontrado um poço com 24 mil litros por hora de vazão. Vejo como um oásis, pois, normalmente, a vazão nessa região é de apenas 1 mil litros/hora. É uma riqueza para o Sertão pernambucano.

Como o governo pretende fazer a distribuição da água?
Devo me reunir em breve com o governador Eduardo Campos para pedir agilidade na construção de uma adutora que vai levar a água para o distrito de Riacho do Meio, em São José do Egito. São nove quilômetros de distância entre o lençol e o local que será atendido. Esperamos terminar as obras em até 45 dias. Atualmente, os moradores são atendidos por dez carros-pipa. Com a descoberta, o governo vai economizar R$ 42 mil da contratação dos veículos.

Fonte: Diário de Pernambuco