“No Brasil, existe muito mais água subterrânea do que superficial” – Entrevista com Fernando Roberto de Oliveira (ANA)

Em entrevista exclusiva ao blog Era da Água,  Fernando Roberto de Oliveira, Gerente do Setor de Águas Subterrâneas da Agência Nacional de Águas (ANA), garante que cerca de metade da extensão territorial do Brasil é formada por materiais rochosos que originam excelentes aquíferos e, portanto o Brasil pode ser considerado o país mais rico em água subterrânea do planeta.

Confira este e outros dados da Gerência de Águas Subterrâneas da ANA na entrevista:

- Quantos aquíferos o Brasil tem? E o estado de São Paulo?

O número de aquíferos em si depende da escala em que os mesmos são estudados. Os dados preliminares da ANA (2011, no prelo), indicam que cerca de duzentos aquíferos possuem importância local e regional elevadas. Os aquíferos porosos representam os principais armazenamentos de água subterrânea, destacando-se o Guarani, Alter do Chão, Açu, Barreiras, Solimões, Beberibe, Cabeças, Itapecuru, Urucuia, Serra Grande, Parecis, Missão Velha, Serra Grande, Iguatu, Recôncavo, Tucano e Jatobá, Bauru-Caiuá, Furnas, Ronuro-Araguaia e Tacaratu-Mauriti, dentre outros.

No estado de São Paulo, podem ser destacados os Aquíferos porosos Guarani, Bauru, Taubaté, São Paulo e Tubarão, como importantes, além dos aquíferos fraturados Serra Geral e dos Terrenos Cristalinos.

- Quanto isto significa em volume de água? E se compararmos com as águas superficiais?

O planeta tem 1 bilhão e 370 milhões de km3 de água. Do total de água disponível 97,5% é salgada e apenas 2,5% doce. Do total de água doce disponível 68% encontram-se nas calotas e geleiras, 30% nos aquíferos e menos de 2% nos rios. Ou seja, 98% do total de água doce disponível é subterrânea.

A vazão média dos cursos superficiais é de 179.516 m3/s, o equivalente a 5.661 km3/ano (ANA, 2011). Já a reserva renovável estimada dos aquíferos é de 1.530 km3/ano (ANA, 2011) e a reserva permanente 112.000 km3, considerando uma profundidade de até 1000 metros, com um volume de reabastecimento (recarga) de 3.500 km3 anuais (Rebouças, 1997).

- No abastecimento nacional, qual é a relação?

No Brasil, 47% dos municípios são abastecidos exclusivamente por mananciais superficiais, enquanto 39% das sedes municipais (2153 municípios) são integralmente abastecidos por água subterrânea e outros 14% são abastecidos tanto por água superficial como por água subterrânea (ANA, 2010). Entre as capitais estaduais Maceió, Natal e Belém possuem grande parte do abastecimento por águas subterrâneas.

- É possível dizer que o Brasil tem mais água sob o solo do que sobre? Por que?

Sim. Os aquíferos representam 98% do total de água doce disponível no planeta, ou seja, existe muito mais água subterrânea do que água superficial. Segundo Aldo Rebouças (1997) a reserva permanente de águas subterrâneas é de 112.000 km3, nas condições descritas anteriormente, enquanto a vazão média dos cursos superficiais no Brasil é de 5.661 km3/ano (ANA, 2011, no prelo).

- O Brasil pode ser alvo da cobiça internacional por conta desta riqueza hídrica?

A água é o principal fator limitante para o desenvolvimento econômico, especialmente nos setores agrícola e industrial, de forma que, nessa condição, pode tornar-se um bem cobiçado. Vale destacar que a água no Brasil é um bem publico, de dominialidade dos Estados federados (rios localizados em um único estado e águas subterrâneas) e da União (lagos e rios que corram mais de um estado ou país, ou sirvam de limites entre estes).

- Somos o país mais rico em águas subterrâneas do mundo?

Provavelmente sim. Cerca de metade dos 8,5 milhões de Km2 do Brasil são formados por materiais rochosos que originam excelentes aquíferos, como por exemplo, nas Bacias Sedimentares da região amazônica (Bacias do Amazonas, Solimões e Acre); na Bacia Sedimentar do Paraná- onde se aloja os Sistemas Aquíferos Guarani e Bauru, por exemplo; na Bacia Sedimentar do Maranhão, onde podemos citar os aquíferos Serra Grande e Cabeças, como importantes exemplos.

ArtCom Assessoria de Comunicação

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Uma resposta para “No Brasil, existe muito mais água subterrânea do que superficial” – Entrevista com Fernando Roberto de Oliveira (ANA)

  1. Excelente entrevista do Sr. Fernando Roberto de Oliveira da ANA, o que resssalta ainda mais a importância de utilizarmos este recurso de forma adequada, e que também preservemos a qualidade dos mesmos, para que possamos aproveitar nesta e nas futuras gerações, ou seja, de forma sustentável, conceito atualmente em destaque em todos os setores.

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